Foto panorâmica da Igreja

Foto panorâmica da Igreja

Evangelho de Lucas 20.27-40

Explicação do teólogo Gerson Linden sobre o Evangelho de Lucas 20.27-40, texto bíblico do culto desta segunda semana de novembro.


Mordomia da Oferta Cristã

Mordomia da Oferta Cristã

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Artigo - Deixa a vida me levar

Arriscado seguir a filosofia da canção “Deixa a vida me levar”, conforme letra de Zeca Pagodinho. Uma parte dela diz assim: “Se a coisa não sai do jeito que eu quero, também não me desespero, o negócio é deixar rolar. E aos trancos e barrancos lá vou eu! E sou feliz e agradeço por tudo que Deus me deu. Deixa a vida me levar – vida leva eu”.
Que o desespero só atrapalha quando a coisa não sai do jeito que a gente quer, disto ninguém duvida. Flexibilidade, discontração, certo humor, coisas que ajudam numa jornada turbulenta de “bolsas” que sobem e despencam. Além do mais, ninguém aguenta aquele cara nervoso, sizudo, carancudo, que tem uma núvem carregada em cima dele e cria pânico onde não existe febre amarela.
Por outro lado, ir aos trancos e barrancos, deixar a vida levar - isto é canção da cigarra que pensa que a vida é um eterno verão. Não conheço o Zeca Pagodinho e não é dele que estou falando. Falo de mim mesmo. De buscar esta sabedoria para saber quando é tempo de ficar triste e tempo de se alegrar, tempo de chorar e tempo de dançar, tempo de economizar e tempo de desperdiçar (Eclesiastes 3).
Jesus mesmo recomendou que não se deve ficar ansioso com o dia de amanhã, pois o dia de amanhã trará as suas próprias preocupações (Mateus 6.34). Mas em outra ocasião, depois de contar a parábola das moças que não levaram óleo de reserva e ficaram perdidas na escuridão, concluiu: Fiquem vigiando porque vocês não sabem qual será o dia nem a hora (Mateus 25.13).
Salomão disse que a melhor coisa é comer e beber e se divertir com o dinheiro que ganhou. E lembra que mesmo isto vem de Deus. Mas no final tudo é ilusão. É como correr atrás do vento (Eclesiastes 2.26). Aos jovens dá um recado: Aproveite a sua mocidade e seja feliz enquanto é moço. Faça tudo o que quiser e siga os desejos do seu coração. Mas lembre de uma coisa: Deus o julgará por tudo o que você fizer. Não deixe que nada o preocupe ou faça sofrer, pois a mocidade dura pouco (Eclesiates 11.9,10).
Foi aos trancos e barrancos da criminalidade o desfecho chocante de um bandido na última segunda-feira na capital paulista. Diante das câmeras de televisão atirou contra o próprio peito. Encurralado pela polícia e mantendo pessoas reféns, ainda falou com a mãe pelo telefone e depois puxou o gatilho. Será que estes criminosos não sabem que, se alguém não os matar, eles próprios se matarão?
O apóstolo Paulo escreveu que a pessoa colhe o que planta. Seria o óbvio se não fosse o que segue: Se plantar no terreno da sua natureza humana, desse terreno colherá a morte. Porém, se plantar no terreno do Espírito de Deus, desse terreno colherá a vida eterna (Gálatas 6.8). Um pouco antes já tinha lembrado que as coisas que a natureza humana produz são imoralidade, impureza, ações indecentes, adoração de ídolos, feitiçarias, inimizades, brigas, ciúmes, raiva, ambição, desunião, divisões. Mas o Espírito de Deus produz amor, alegria, paz, paciência, delicadeza, bondade, fidelidade, humildade, domínio próprio.
Pensando bem, dependendo qual é a vida, melhor mesmo é deixar que ela nos leve. Foi o que fez o autor de outra canção: Pois para mim viver é Cristo, e morrer é lucro. Mas, seu eu continuar vivendo, poderei fazer algum trabalho útil. Então não sei o que devo escolher (Filipenses 1.21,22).
Então, “deixa a vida me levar, vida leva eu”.
Marcos Schmidt
Jornal NH de 24 de janeiro de 2008

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Artigo - No paredão das manias

Alguém dizer que não tem mania já é mania: a de mentir. Agora, esta do Big-Brother é um surto de febre amarela que também tem vacina. Qual a explicação desta febre? E o que dizer da “patomania” lá na Itália? Isto mais parece uma patologia!
Um psicólogo comenta que o costume de olhar o outro torna-se doença quando o indivíduo perde a identidade e passa a viver a história de quem observa. “Doente é aquela pessoa que deixa de jantar para ver o outro jantando, ou põe em risco o trabalho para não perder um lance da vida do vizinho”. Eugênio Bucci, presidente da Radiobrás, é mais crítico: “O reality show é a fusão do pior da realidade com o pior do show, do pior do jornalismo com o pior do entretenimento”.
Alguns explicam o fenômeno da audiência de tais programas com uma decadência cultural. Lembram que o artigo 221 da Constituição Brasileira determina que rádios e televisões têm obrigação de estimular programas de finalidade educativa, artística, cultural e informativa, mas que a lei não é cumprida. Isto não é novidade num país com tantas leis inócuas. Esta tem validade, mas sabe-se que programas educativos não têm audiência porque não tem mercado. O negócio é vender – nem que seja leite fraudado. Alguns programas religiosos vendem, mas isto já é outro tipo de mania.
O sociólogo Ciro Marcondes observa que o que se vê hoje é a vida das pessoas deixando as ruas e entrando nas telas de suas casas. Pela Internet as pessoas conversam, compram, lêem, conhecem pessoas; a televisão trouxe através dos reality shows esta intimidade que já está nos sites de relacionamentos e dos blogs. “Mostrar-se, mas principalmente mostrar-se na tela, já que o outro mundo dissolveu-se no ar, torna-se a meta mais alta e a única”, acrescenta.
Enquanto isto educadores e psicólogos desaconselham tal programação para crianças por conta do erotismo e dos valores questionáveis. Lembram que tais programas prejudicam a formação da criança porque expõem os pequenos a uma competição sem valores morais e prematuramente à erotização, quando estes nem sempre diferenciam o real da fantasia. No entanto, deveriam pesquisar qual influência disto no comportamento do adulto, cidadão que lida com negócios, casado, pai ou mãe de família? Aí podem obter as respostas para tanta safadeza e corrupção nos paredões da política e da sociedade como um todo.
Sou suspeito no assunto. Em todo o caso, despreocupado em ser ou não moralista de batina, também tenho a minha opinião. Evidentemente com base bíblica: Encham a mente de vocês com tudo o que é bom e merece elogios; isto é, tudo o que é verdadeiro, digno, correto, puro, agradável e decente (Filipenses 4.8).
Não é preciso demonizar a televisão e exorcizá-la com “isto não entra na minha casa”. Mas por vezes não sei se esta atitude radical não leva vantagens em tempos de tanta opressão da TV sobre a mente das pessoas. Tão grande é a dependência da tela, que se de uma hora para outra ficássemos sem as suas cativantes imagens, não sobreviveríamos. Seria o fim do mundo. Ou o começo de um novo. Quem sabe com imagens verdadeiras da realidade dentro da própria casa.
Poderíamos fazer um teste: no lugar de aceitar o convite do Pedro Bial, ver algo mais interessante, quem sabe a mulher, o filho, alguém dentro da própria casa! Se conseguirmos, pode ser um saudável sinal de que desta mania estamos longe do paredão.
Marcos Schmidt
Jornal NH de 17 de janeiro de 2008

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Artigo - Infrações no trânsito

É difícil não cometer infração no trânsito. Mas o diretor do Detran de Brasília extrapolou: 42 nos últimos dez anos. Justificou: “Eu sou um ser humano como outro qualquer, sujeito a erros”. Mas são 42 infrações? Uma situação constrangedora para alguém que já cassou a carteira de 30 mil motoristas do Distrito Federal. Se a lei fosse aplicada, este sujeito do “façam o que eu mando, mas não façam o que eu faço” teria 220 pontos na carteira. O que chama a atenção é que ele assumiu o cargo prometendo acabar com a indústria das multas, e hoje no posto, além de desistir da idéia, ter incrementado a aplicação de multas e cassações de habilitação de motorista. "Os pardais são um mal necessário", explicou o diretor do Detran. Mas neste caso, um mal só para os outros.
O que vemos aqui é uma incoerência, algo típico de certas autoridades que se colocam acima da lei quando deveriam ser os primeiros a dar o exemplo. Isto me fez pensar no assunto deste primeiro domingo após Epifania, quando lembramos o batismo de Jesus conforme a liturgia na tradição cristã. Distante da condição de um ser humano igual a outro qualquer, sujeito a erros, Jesus é o próprio Deus-Homem, santo e perfeito. Mesmo assim ele se colocou debaixo da lei. E mais, pagou a pior multa, humanamente impagável, pregando-a na cruz (Colossenses 2.14).
Narra o Evangelho que no momento em que estava saindo da água, Jesus viu o céu se rasgar e o Espírito de Deus descer como pomba sobre ele. E do céu veio uma voz que disse: Tu és meu Filho querido e me dás muita alegria (Marcos 1.10,11). Marcos usa a expressão “o céu se rasgar” enquanto os outros evangelistas dizem “o céu se abrir”. As versões do original grego para o português não observam este detalhe. Em todo o caso, é somente uma força de expressão para sublinhar o poder misericordioso de um Deus que não teve dúvidas em “explodir” as portas do céu. Tudo porque o paraíso estava trancafiado devido as infrações cometidas por todos os seres-humanos. O que custou um alto preço para o Filho de Deus. O apóstolo explica: Ele tinha a natureza de Deus, mas não tentou ficar igual a Deus. Pelo contrário, abriu mão de tudo o que era seu e tomou a natureza de servo tornando-se assim igual aos seres humanos (Filipenses 2.6,7).
A desculpa deste diretor do Detran, de que é “um ser humano como outro qualquer, sujeito a erros”, não justifica seus delitos. Nem os nossos quando é comum este tipo conversa. Evidentemente é preciso reconhecer as falhas, mas não justificá-las comparando-se com os outros. Se é difícil evitar infrações de trânsito, com certeza isto não convence o guarda rodoviário. O jeito é pagar a multa e fazer de tudo para não receber outro “canetaço”.
- “Senhor Deus, eu sei que sou um pecador, mas todo mundo é”.
Longe de nós este papo-furado. Mesmo quando o céu já está “rasgado”. Mesmo quando a Bíblia diz que todos se desviaram do caminho certo e são pecadores (Romanos 3.12). Mesmo tranqüilos sob a graça de Deus, que não exige nada diante do sacrifício de Cristo (Romanos 3.24,25). Longe de nós a petulância de estar acima da lei de Deus. Por isto, se o batismo de Jesus é a “sujeição do chefe do Detran” aos códigos divinos, tudo aconteceu para que através do nosso batismo fôssemos ressuscitados com Cristo para uma nova vida (Romanos 6.4).
Marcos Schmidt
Jornal NH de 10 de janeiro de 2008

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Artigo - Desaforo ao perigo

Estamos em perigo de morte o dia inteiro, diz a Bíblia (Romanos 8.36). Na virada de ano os riscos aumentam. Trânsito, bebida alcoólica, violência, foguetes, afogamentos. Parece que tudo aquilo que não se fez nos finados 365 dias, tenta-se nesta passagem – que para alguns é para a eternidade. Para mim, fim de ano é a busca de um refúgio. O ano todo foi uma batalha constante contra perigos. Por isto, longe de morrer na praia – literal ou metaforicamente – terminar o 2007 com toda a família reunida é um maravilhoso motivo para dizer: “Obrigado, Senhor Deus”.
O último projeto de lei protocolado no Senado em 2007 propõe que todos os acidentes com vítimas fatais praticados por motoristas alcoolizados passem a ser considerados crimes hediondos. Tomara que os nossos senadores trabalhem melhor neste ano e aprovem tal lei. Deveriam também restringir o uso dos rojões e fogos de artifício. Triste o fim daquela idosa atingida na cabeça por um rojão em Imbé. Ninguém sabe de onde veio o estouro. Estúpida a morte da jovem em São Luiz Gonzaga, atingida por uma bala-perdida provavelmente por alguém que disparou brincando no meio do foguetório. Outras dezenas de pessoas com mutilações, queimaduras, audição comprometida, tudo nesta desvairada e insana troca do ano. Por isto, o melhor lugar nestes minutos de fogo e álcool é ficar mesmo dentro de casa, quem sabe com colete e capacete à prova de balas.
“Ficar dentro de casa” desde o Natal está sendo o melhor lugar para o pastor Carlos Winterle, ex-presidente nacional da minha igreja. Há dois anos é missionário em Nairóbi, capital do Quênia, e por e-mail conta que às pessoas da sua congregação são aconselhadas a permanecer em casa e não virem aos cultos. As notícias nos jornais falam em 200 mortos, 50 pessoas queimadas dentro de uma igreja – uma onda de violência no processo de eleição presidencial neste país africano.
Na verdade, em qualquer lugar deste planeta estamos em perigo de morte o ano inteiro. Mesmo num eficiente bunker uma minúscula bactéria pode alojar-se no frágil e finito corpo humano e diluir a vida. Resta apenas um lugar: Em tempos difíceis, Deus me esconderá no seu abrigo. Ele me guardará no seu Templo e me colocará em segurança no alto de uma rocha (Salmo 27.5). Esta “rocha” é o amor do Criador, é a pedra fundamental da igreja – Cristo – um refúgio para todos, e que sustenta a vida quando surge a própria morte (Romanos 8.38).
No entanto, mesmo sob a proteção divina, expor-se indevidamente ao perigo é um convite astucioso de Satanás. Foi uma das tentações do Diabo a Jesus, que maliciosamente usou o Salmo 91: - Se você é Filho de Deus, jogue-se daqui, pois as Escrituras Sagradas afirmam: “Deus mandará que os seus anjos cuidem de você”. Pois nada adianta pedir que Deus nos proteja neste 2008 e depois dirigir o carro alucinados pelo álcool ou infringir as regras de trânsito. Por isto a resposta de Jesus ao perverso anjo: As Escrituras também dizem: “Não ponham à prova o Senhor, seu Deus” (Mateus 4.7).
Que Deus nos livre de todos os perigos! E nos livre também de qualquer provocação desaforada ao perigo!
Marcos Schmidt
Jornal NH de 3 de janeiro de 2008

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Artigo - Roupa nova

Uma mensagem sugere o seguinte: “Imagine que você tenha uma conta corrente e a cada manhã acorda com um saldo de 86 mil e 400 reais. Só que não é permitido transferir o saldo para o dia seguinte. Todo o final do dia o seu saldo é zerado, mesmo que não tenha conseguido gastá-lo. O que você faria? Aproveitaria cada centavo, é claro! Todos somos clientes deste banco. Ele se chama tempo. Cada dia são creditados 86 mil e 400 segundos na conta de todos. Assim o ontem é história, o amanhã é um mistério, o hoje é uma dádiva de Deus. Por isso ele se chama o presente”.
Aí a explicação para este sentimento de frustração nesta época do ano. Os segundos nem vale a pena contar, mas os minutos são 527 mil que se foram em mais um ano, a maioria deles mal investidos. Por isto esta reuniãozinha chata com a consciência. E se tal prestação de contas é inevitável, surge o medo do futuro incógnito. Não por nada todo o alarido dos foguetes, as bebedeiras inconseqüentes, as tolas superstições - tudo para afugentar estranhos assombramentos. Coisa que não resolve, evidentemente. Coisa de avestruz que no perigo enfia a cabeça em qualquer buraco.
Onde buscar informação e ajuda diante desta desconhecida e perigosa estrada, mal sinalizada, sem acostamento, infestada de assaltantes e buracos? Uma dúvida que também ardia o coração de um peregrino. Mas com resposta: Olho para os montes e pergunto: De onde virá o meu socorro? O meu socorro vem do SENHOR Deus, que fez o céu e a terra. Ele, o seu protetor, está sempre alerta e não deixará que você caia. O protetor do povo de Israel nunca dorme, nem cochila. O SENHOR guardará você; ele está sempre ao seu lado para protegê-lo. O sol não lhe fará mal de dia, nem a lua, de noite. O SENHOR guardará você de todo perigo; ele protegerá a sua vida. Ele o guardará quando você for e quando voltar, agora e sempre. (Salmo 121).
Os montes são lugares bem à vista onde estão os deuses fabricados por mãos humanas. São ofertas promovidas nas vitrines com prestações a perder de vista, mas com juros exorbitantes. São drogas analgésicas com soluções imediatas, mas que mascaram a doença. Por isto, ajuda mesmo só com aquele que fez o céu e a terra. Que amou o mundo de tal maneira que deu o seu único Filho para que todo o que nele crer não morra mas tenha a vida eterna (João 3.16). E que fez uma promessa: Nada poderá nos separar do amor dele, sem a morte, nem a vida, nem o presente, nem o futuro (Romanos 8.38).
Com isto, se no ano novo renovam-se oportunidades, graças ao amor daquele que tudo perdoa, no lugar de roupa branca melhor mesmo é seguir a recomendação: Abandonem a velha natureza de vocês, que fazia com que vocês vivessem uma vida de pecados e que estava sendo destruída pelos seus desejos enganosos. É preciso que o coração e a mente de vocês sejam completamente renovados. Vistam-se com a nova natureza, criada por Deus, que é parecida com a sua própria natureza e que se mostra na vida verdadeira, a qual é correta e dedicada a ele. (Efésios 4.22-24).
Feliz e a Abençoado 2008!
Marcos Schmidt
Jornal NH de 27 de Dezembro de 2007