quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Artigo - Carteira de motorista

Quando percebi, estava com a carteira de motorista vencida e tinha ainda uns dez dias com prazo de validade para dirigir. Isto foi agora, em janeiro. Corri logo atrás da renovação optando pela prova. Lá fui eu, sem me preparar. Das trinta questões respondi corretamente vinte e duas. Precisava acertar vinte e uma. Foram perguntas “pega ratão”, como tinham me avisado. Fiquei surpreso pelo grau de dificuldade nas questões. Depois soube que oitenta e cinco por cento das pessoas que não se preparam, rodam na prova. Passei por um triz.
A gente passa por um triz todos os dias neste trânsito louco e assassino. Já estou com a nova carteira de motorista no bolso, mas recomendo não seguirem o meu exemplo. É preciso ficar de olho no vencimento da habilitação e preparar-se devidamente para a prova. Ou então fazer o curso de direção defensiva e primeiros socorros – que por informações que obtive, oferece dicas importantes e essenciais. O problema é que a gente se acha. Pensa que sabe tudo, e esquece que o volante é uma arma engatilhada. Uma estimativa diz que a cada ano os acidentes de trânsito no Brasil matam 40 mil pessoas, custam 30 bilhões de reais, deixam 100 mil vítimas com deficiências temporárias ou permanentes e 400 mil feridas. É um terremoto cruel e devastador. Precisamos nos dar conta disto, sobretudo quando a vida da nossa família está literalmente em nossas mãos.
Comparo a carteira de motorista com a fé cristã. Por isto as recomendações bíblicas: “Viva uma vida correta, de dedicação a Deus, de fé, de amor, de perseverança e de respeito pelos outros. Corra a boa corrida da fé e ganhe a vida eterna” (1Timóteo 6.11,12). Jesus também disse que ele é o Caminho e que ninguém pode chegar ao Pai senão por ele (João 14.6). Seria um caminho tranquilo se não fossem as nossas falhas, desatenção, desobediência. Segundo uma pesquisa, noventa por cento dos acidentes nas rodovias são por falha humana. Na estrada espiritual é cem por cento. Pela justa lei divina, ninguém teria habilitação e direito de seguir rumo à cidade celestial. Existe, no entanto, uma boa notícia: “Por graça e sem exigir nada, Deus aceita a todos por meio de Cristo Jesus, que os salva” (Romanos 3.24). O que não permite desatenção, já que ainda estamos num trânsito repleto de perigos. Por isto a oportuna sinalização: “Prestem atenção na sua maneira de viver (...) Não ajam como pessoas sem juízo (...) Não se embriaguem (...) mas encham-se do Espírito de Deus” (Efésios 5.15-18).
Sem dúvida, dirigir um carro e viver a fé cristã tem muita coisa parecida. E, se não adianta apenas ter a carteira de motorista, mas é preciso também carregá-la junto, isto lembra que não basta ter a fé. Ao menos é isto que diz a Bíblia: “Que adianta alguém dizer que tem fé se ela não vier acompanhada de ações? (Tiago 2.14).
Marcos Schmidt
Jornal NH de 11 de fevereiro de 2010

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Semanal - Ano 6, nº 253 - 04 a 10 de Fevereiro de 2010

Cultos – 5º Domingo após Epifania
Tema: O convite de Jesus para uma pescaria.
Textos bíblicos: Sl 138; Is 6.1-8; 1Co 14.12-20; Lc 5.1-11.
Mensagem: Seria uma história comum, igual a tantas outras de pescaria sem peixe, se não fosse a chegada de Jesus – acompanhado por uma multidão atrás de milagres. Entrou no barco de Pedro, pediu que afastasse da margem, e usou-o como púlpito para aquela gente que se exprimia na praia – igual a esta gente que se aglomera nas praias nestes dias quentes de verão. Pois é, a gente poderia usar esta história e aqui falar sobre o seguinte tema: “As bênçãos de Deus sobre o trabalho daqueles que obedecem as ordens de Jesus”. Mas este não é o assunto deste culto. O tema é: “O convite de Jesus para uma pescaria”. Preste atenção o que o Salvador lhe tem a dizer... (pastor Marcos)

Aniversariantes – 04 a 10 de Feveiro de 2010
04-Camila Klein; Diego Sossmeier; 05-Helio Ries; Rejane Luz; Katia Oliveira; Fabiano Schmidt; 06-Celso Stark; Herta Feltes; Margarete Vier; 07-Lucas Eltz; Lucas Beier; Jonas Sonntag; 08-Mara Christ; Alma Zincke; Leila Schuch; Dilma Pereira; Anderson Ferreira; Arnildo Tiggemann; 09- Vanessa Lino; Claudio Rieger; Bianca Pospichil; 10-Ronei Saraiva; M.Eloisa Pacheco.

Lembretes
Próximas literuras bíblicas (venha preparado para o culto): Dom. da Transfiguração (14/02): Sl 99; Dt 34.1-12; Hb 3.1-6; Lc 9.28-36. 1º Dom. na Quaresma (21/02): Sl 91; Dt 26.1-11; Rm 10.8-13; Lc 4.1-13. 2º Dom. na Quaresma (28/02): Sl 4; Jr 26.8-15; Fp 3.17- 4.1; Lc 13.31-35.
Falecimento – No último 3 de fevereiro faleceu Plínio Diefenthaeler O seu Plínio nasceu no dia 7 de julho de 1919, completando 90 anos.
Diretoria – A Diretoria da Comunidade reúne-se nesta quarta-feira, dia 10/02, 19h30, em reunião regular do mês.
Blog – Acesse celspnh.blogspot.com e confira as importantes informações sobre nossa comunidade.
Fotos para cadastro – Para quem tem máquina digital e internet, envie uma foto sua atualizada (apenas do rosto) para o e-mail celspnh@gmail.com (e-mail exclusivo para este fim) para arquivamento no cadastro da congregação.
Rádio ABC – Na 900 AM, Domingos, 7h às 8h, programa Cristo para Todos, e 2ª à 6ª feira, duração de dois minutos, às 6h40, e 19h.
Secretaria em fevereiro – Aberta de segunda a sexta-feira, 8h às 18h.
Escola Bíblica – A partir de março reinicia a escola bíblica com as crianças durante os cultos. Os pequenos neste mês de março serão “matriculados” com um cadastro completo com telefone e número de documentos, para futuros passeios e outras atividades no ano.
Castelo Forte 2010 e Cinco Minutos com Jesus – Na Secretaria e na Livraria Pesquisa (Bento Gonçalves, 3033 – fone 3594-4433)
No seu endereço – Receba mensalmente a revista Mensageiro Luterano no seu endereço. Informações com os pastores ou na Livraria Pesquisa.
Orações – Deus nos convida a orar por nós e pelos outros. Podemos fazer isto especialmente no culto público. Se você quiser lembrar o nome de alguém, fale com o pastor antes do culto (ou então no momento dos avisos antes da oração).

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Artigo - Prende e solta

A triste realidade no Brasil é que os bandidos não têm medo, enquanto os bons cidadãos têm. É a tal da impunidade. Por isto a repercussão do desabafo em público do oficial da Brigada Militar em Porto Alegre. “A sensação que fica é de descrédito nas instituições”, disse o tenente-coronel numa entrevista. “Quando tu prendes um delinquente de madrugada, e este delinquente é solto na tarde do mesmo dia, isso gera um descrédito nas instituições”. Eu mesmo presenciei um fato desses nas férias agora em janeiro. A Brigada prendeu adolescentes que arrombaram um comércio em frente à casa de minha mãe, mas soltou os bandidos logo depois. Um deles antes respondeu: “Eu vou roubar de novo”.
Está lá nas Escrituras: “Somente os que fazem o mal devem ter medo dos governantes, e não os que fazem o bem (...) Se você faz o mal, então tenha medo, pois as autoridades, de fato, têm poder para castigar” (Romanos 13.3,4). Mas isto agora mudou. Os bons precisam se esconder de medo, e os maus vivem tranqüilos por aí. De quem é a culpa? Do executivo, dos juízes, dos deputados, da polícia? Não sei, mas alguém é culpado. Creio que a culpa é de todos, começando pela passividade do povo que paga impostos, e seguindo pela omissão e conivência do poder público.
Uma das causas desta bandidagem sem medo vem de outro fato. O Brasil ocupa a 88º posição mundial no quesito Educação, conforme índices da Unesco. Nesta pesquisa, a categoria dos professores brasileiros está entre as menos valorizadas em termos salariais. O que causa desestímulo ao magistério e desistência de gente capacitada neste fundamental ofício. Tal situação, junto com a crise familiar, vem transformando nosso país num “Haiti” imerso sob os escombros da marginalidade social. No Haiti flagelado existem 400 mil órfãos. Aqui no Brasil são milhares de crianças sem pai, mãe e professor, seguindo pelo trágico caminho da desorientação, indisciplina, drogas, bandidagem. Nesta trajetória, logo seremos obrigados a construir mais cadeias do que lares e escolas.
É um problema grave, e não vejo solução sem uma mudança radical no comportamento moral e ético da sociedade. Mas enquanto isto, segue a recomendação aos cristãos de “viverem na lei do amor”. E interessante, uma orientação que vem logo após a citação bíblica de que somente os que fazem o mal deveriam ter medo: “Não fiquem devendo nada a ninguém. A única dívida que vocês devem ter é a de amar uns aos outros. Quem ama os outros está obedecendo à lei. Os seguintes mandamentos: ‘Não cometa adultério, não mate, não roube, não cobice’ — esses e ainda outros mais são resumidos num mandamento só: ‘Ame os outros como você ama a você mesmo.’ Quem ama os outros não faz mal a eles. Portanto, amar é obedecer a toda a lei. (Romanos 13.8-10).
Marcos Schmidt
Jornal NH de 4 de fevereiro de 2010

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Artigo - O Haiti no meu caminho

O que choca nesta tragédia do Haiti é a dimensão. Dezenas de milhares de mortos, cidades inteiras arrasadas, um mundo de gente em condições miseráveis e caóticas, enfim, uma catástrofe de proporções inimagináveis que causa perplexidade. Também o efeito mundial – são 23 países junto com o Brasil que contabilizam mortos e desaparecidos. Este é o ingrediente que chama a atenção: é uma tragédia titânica e global. Parecida com o atentado contra as Torres Gêmeas que matou gente de 60 países. Só que ali foi no coração da riqueza enquanto que nesta ilha caribenha no coração da pobreza.
Mas o Haiti logo estará esquecido. Afinal, a vida continua. E a morte também. Cada qual preocupado com o seu terremoto, com a sua sobrevivência. É claro, com exceções. Existem Zildas Arns, soldados da ONU, voluntários. Pois neste mundo há duas realidades conflagradas, algo parecido com o que acontece ali mesmo no Haiti. Cerca de cem quilômetros da zona devastada, na costa norte haitiana, luxuosos transatlânticos atracam em praias paradisíacas, com turistas comendo do bom e do melhor, enquanto sobreviventes brigam por água e comida em meio aos escombros. Mas, pensando bem, qual a diferença de cem ou dez mil quilômetros? A maioria de nós não está de férias, na beira de uma praia, comendo e bebendo? Ou protegido numa “barca de Noé” longe de qualquer tragédia, enquanto muita gente padece bem ao lado? Na verdade, o Haiti está em todo lugar e bem próximo de cada um, neste mundo que treme e sofre. O que se pode fazer?
Jesus disse o que pode ser feito na parábola do bom samaritano (Lucas 10.25-37). Diz a história que enquanto o sacerdote e o levita – pessoas de religião, mas sem a prática do amor – evitaram um moribundo que tinha sido assaltado, o samaritano acudiu-o gastando tempo e dinheiro. “Pois vá e faça a mesma coisa”, respondeu Jesus a um fariseu que precisava ouvir esta história. Pois no caminho de cada um cruzam pessoas soterradas e que necessitam urgentemente de resgate. Não podemos reconstruir a vida delas nem salvar o mundo. Mas podemos retirar algumas pedras e oferecer o mínimo de ajuda.
E se nestas horas ainda surge arrogância de que é castigo, ou blasfêmias contra a justiça divina, cabe ouvir o que escreve o mesmo evangelista. Pessoas chegaram a Jesus com “santa” satisfação comentando uma tragédia. O Salvador foi enérgico: “ – Vocês pensam que, se aqueles galileus foram mortos desse jeito, isso quer dizer que eles pecaram mais do que os outros galileus? De modo nenhum! Eu afirmo a vocês que, se não se arrependerem dos seus pecados, todos vocês vão morrer como eles morreram” (Lucas 13.2,3). Sem comentários!
Catástrofes irão acontecer enquanto o mundo será mundo. E ninguém está livre. Se não estivermos sob os escombros, que tenhamos o sentimento de compaixão e de responsabilidade. E a decisão de socorrer.
Marcos Schmidt
Jornal NH de 21 de janeiro de 2010

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Artigo - Sopa indigesta

Assisti o documentário do Fantástico deste domingo sobre a sopa de plástico que toma conta dos oceanos. É de cortar o coração. Milhões e milhões de toneladas deste lixo tóxico, jogado de forma inconseqüente na natureza, e que tem seu destino no mar. Um lixo que leva centenas de anos para se decompor, que vai se desmanchando em pedacinhos e vira uma sopa. E os animais marinhos, que confundem com alimento, depois ingerem e morrem. Quem viu a reportagem deve ter se horrorizado comigo. Porque é muita, muita sujeira letal descartada no coração da natureza marinha, vida que depende todo o sistema biológico do planeta.
Estou de férias na beira da praia, e além do ensurdecedor barulho eletrônico provocado por exibicionistas em seus carros com som, que faz tremer os tímpanos e a paciência, fico abismado com a quantidade de plástico no caminho até o mar: fraldas, canudinhos, sacolas, embalagens de picolé, garrafas, copos... É um absurdo o desrespeito de gente relaxada. Não consigo ficar indiferente a este jeito irresponsável. Deveria existir multa pesada para isto. Afinal, todas estas tragédias naturais que estamos vivendo nos últimos dias, em parte são a resposta deste comportamento criminoso.
O problema é que não sabemos viver em sociedade. Procedemos como se estivéssemos sozinhos no mundo. Qualquer ação pessoal, boa ou ruim, tem efeito no coletivo, seja na vida das pessoas ou no restante da natureza. E já que não somos apenas matéria, isto também vale na vida espiritual. O que está bem explicado num texto bíblico. Ao tratar da interação funcional dos diversos dons na igreja, o apóstolo Paulo busca como exemplo o corpo humano: “Se uma parte do corpo sofre, todas as outras sofrem com ela. Se uma é elogiada, todas as outras se alegram com ela. Pois bem, vocês são o corpo de Cristo, e cada um é parte desse corpo” (1 Coríntios 12.26,27). Depois desta analogia, o escritor bíblico mostra como é possível tal convivência dos cristãos, que são pecadores apesar de carregarem uma nova e boa vontade: “Portanto, esforcem-se para ter amor” (1 Coríntios 14.1). Antes disto, no capítulo treze, o autor já tinha orientado o jeito prático desta novidade de vida, sobretudo ao dizer que “quem ama não é grosseiro nem egoísta”.
Lamentavelmente, esta sopa indigesta de plástico que aniquila a vida nos mares, junto com tantas outras misturas irresponsáveis da ação humana, só vai acabar quando o ser humano não tiver mais nada para jogar no lixo. Pois assim será obrigado a olhar para cima e perceber a besteira que fez. Enquanto isto permanece a promessa bíblica: “Um dia o próprio Universo ficará livre do poder destruidor que o mantém escravo e tomará parte da gloriosa liberdade dos filhos de Deus” (Romanos 8.21).
Marcos Schmidt
Jornal NH de 14 de janeiro de 2010