Foto panorâmica da Igreja

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Evangelho de Lucas 20.27-40

Explicação do teólogo Gerson Linden sobre o Evangelho de Lucas 20.27-40, texto bíblico do culto desta segunda semana de novembro.


Mordomia da Oferta Cristã

Mordomia da Oferta Cristã

sábado, 2 de agosto de 2008

Artigo - Boicote às Olimpíadas

Por ser um espetáculo dedicado aos deuses da Grécia antiga, o imperador cristão Teodósio I, no ano 393, proibiu os Jogos Olímpicos. Conta a história que os atletas sacrificavam porcos aos deuses e participavam nus nas provas para cultuar a estética do corpo. Em parte, os jogos modernos permanecem enaltecendo o “espírito de porco” da humanidade, coroados no altar da soberba humana. Todos sabem da opressão que enfrenta o povo chinês para erguer o seu império e agora a estrutura extravagante da Olimpíada. Truculência que é comprovada no choro dos chinesinhos confiscados de suas famílias para centros de treinamento esportivo – tudo na obsessão de ganhar medalhas. Na verdade, a festa esportiva que simboliza a harmonia entre as nações está comprometida por uma cínica guerra de poder e vaidade, algo parecido com o jogo de interesses econômicos que derrubou o acordo na Rodada de Doha.
Muitos estão rejeitando a Olimpíada de Pequim por causa da opressão no Tibete. O canetaço de Teodósio que acabou com os jogos da antiguidade, seguido por todo o imperialismo da igreja na guerra santa contra o paganismo, no entanto, trouxe mais prejuízo que benefícios. Os números negativos estão no vermelho do próprio sangue, registrados na história das Cruzadas. Já no início do cristianismo o apóstolo Paulo foi contra o boicote, e por isto criticado por conviver junto aos gregos. Ficou incomodado ao ver a cidade de Atenas tão cheia de ídolos, mas foi isto mesmo que motivou a entrar no Areópago (a colina de Ares – deus da guerra) e pregar o Evangelho: - Atenienses, este altar onde está escrito “Ao deus desconhecido” é justamente aquele que eu estou anunciando. Não devemos pensar que Deus é parecido com um ídolo de ouro, de prata ou de pedra, feito pela arte ou habilidade das pessoas (Atos 17.23, 29). O resultado final foi a conversão de vários gregos e o surgimento de muitas igrejas locais.
E para deixar a hipocrisia de lado, o boicote precisa ser de tolerância zero. Porque é do coração que vêm o orgulho e todas as maldades (Marcos 7.20-23). Mas aí a coisa complica. E pensando nesta mania de querer competir e vencer, coisa que existe até na própria igreja, vejo que é um sentimento oriundo do Criador. Se não fosse a perversa natureza humana, seria útil para o serviço do bem e não para o prejuízo do próximo. Referindo-se à nova natureza criada pelo Espírito Santo, o apóstolo Paulo faz comparação: “O atleta que toma parte numa corrida não recebe o prêmio se não obedecer às regras da competição”. E no final recomenda: “Faça todo o possível para conseguir a completa aprovação de Deus” (2 Timóteo 2.5,15).
Num mundo competitivo como o nosso, onde vencer significa derrubar e passar por cima, o único boicote deve ser à prepotência. Ou como diz a Bíblia: Não procurem dominar as pessoas, mas prestem serviços e sejam humildes. Assim receberão a coroa gloriosa que nunca perde o seu brilho (1 Pedro 5.3-7).
Marcos Schmidt
Jornal NH de 31 de julho de 2008

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Artigo - A contracultura do palavrão

Dercy Gonçalves era conhecida pelos palavrões. Nas entrevistas que dava na televisão, a gente só ouvia os “biiiiiii” da censura editorial. “O palavrão é o meu ganha pão”, respondeu a um repórter. Referindo-se ao seu palavreado obsceno, um crítico a defende: “Falar mal dela por causa dos palavrões é ridículo, pois o palavrão para ela era uma coisa pura, não tinha nada de negativo”. Não quero falar mal dela, mas permitam-me discordar desta idéia de “coisa pura” e de toda a reverência da mídia brasileira para a irreverência da Dercy. Creio que o exemplo dela fica por conta da sua coragem, ousadia e perseverança - disposição que falta em muita gente que desiste no meio do caminho. Mas não acredito que o riso e a diversão necessitem da obscenidade, e por isto não reconheço neste modo uma lição de vida.
A notoriedade desta divertida e desbocada mulher centenária tem explicação. A própria Dercy revelou: estratégia de público. E qual a explicação para o gosto popular por este tipo de diversão? Li na Superinteressante que existe uma resposta científica para o palavrão. Segundo a última edição de fevereiro, pesquisas recentes mostram que as palavras sujas nascem em um mundo à parte dentro do cérebro. Enquanto a linguagem comum e o pensamento consciente ficam a cargo da parte mais sofisticada da massa cinzenta, os palavrões moram nos porões da cabeça. É o fundo do cérebro, a parte que controla nossas emoções.
Isto tem sentido, afinal, quem já não soltou o verbo em momentos quando as emoções negativas escaparam do controle? Dizem que isto ajuda como terapia. Como, por exemplo, ir ao estádio de futebol, xingar a mãe do juiz e meio mundo e depois voltar tranqüilinho para casa. Mas será que esta é a melhor forma de colocar os bichos para fora? Creio que não! Na biografia Dercy de Cabo a Rabo, a própria autora comenta que entre quatro paredes a comediante era uma pessoa muito triste e solitária. Na verdade, a gente fala o que está cheio o coração. Assisti uma entrevista onde o repórter, diante do túmulo dela em forma de pirâmide, indagava sobre as esperanças após a morte. Ela respondeu que “céu e inferno” era aqui mesmo, e depois a gente se transformava numa energia cósmica. Deve ser a pior coisa do mundo, partir sem ter a certeza de continuar existindo. A vida aqui se torna o pior palavrão.
Nestes tempos quando tudo é motivo para piada e deboche, a Bíblia fala de algo bem sério: Vejam como uma grande floresta pode ser incendiada por uma pequena chama. A língua é um fogo. Ela é um mundo de maldade, ocupa o seu lugar no nosso corpo e espalha o mal em todo o nosso ser (Tiago 3.5,6). Por isto ela recomenda: Usem apenas palavras boas, que ajudam os outros a crescer na fé e a conseguir o que necessitam, para que as coisas que vocês dizem façam bem aos que ouvem (...) Nada de gritarias, insultos e maldades (...) Não usem palavras indecentes, nem digam coisas tolas ou sujas, pois isso não convém a vocês (Efésios 4.29,30; 5.4). Que as suas palavras sejam sempre agradáveis e de bom gosto (Colossenses 4.6).
Mas pelo jeito como as coisas andam, contracultura hoje é a linguagem descente.
Marcos Schmidt
Jornal NH de 24 de julho de 2008

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Artigo - Algemas douradas

O “prende e solta” do bilionário Daniel Dantas me fez lembrar a Epístola de Tiago (2.1-4): “Nunca tratem as pessoas de modo diferente por causa da aparência delas. Por exemplo, entra na reunião de vocês um homem com anéis de ouro e bem vestido, e entra também outro, pobre e vestindo roupas velhas. Digamos que vocês tratam melhor o que está bem vestido e dizem: ‘Este é o melhor lugar; sente-se aqui’, mas dizem ao pobre: ‘Fique de pé’ ou ‘Sente-se aí no chão, perto dos meus pés’. Neste caso vocês estão fazendo diferença entre vocês mesmos e estão se baseando em maus motivos para julgar o valor dos outros”.
Se isto é comum dentro da própria igreja, não é nenhuma surpresa o que acontece nesta sociedade que julga pressionada pelos cifrões. Por exemplo, metade dos presos no Brasil espera decisão semelhante a esta que Dantas recebeu do presidente do Supremo Tribunal Federal. Por que um banqueiro em menos de cinco horas é libertado e um “ladrão de galinha” apodrece na cadeia por meses esperando julgamento? E o lamentável é que tal parcialidade em tratar com deferência ricos e pobres é uma peste que atinge todos, crentes e descrentes. Os vigaristas sabem disto. Apresentam-se bem trajados e enganam empresários inteligentes, mulheres carentes, aposentados desavisados. Histórias não faltam! Por que? Porque as aparências enganam.
Isto é coisa antiga. Já percebia o Sábio da Bíblia: Neste mundo eu também reparei o seguinte: no lugar onde deviam estar a justiça e o direito, o que a gente encontra é a maldade (Eclesiastes 3.16). Por isto o irônico conselho (que o delegado que prendeu Dantas não ouviu): Não critique o homem rico nem mesmo dentro do seu próprio quarto, pois um passarinho poderia ir contar a eles o que você disse (Eclesiastes 10.20). E por isto também a hipócrita realidade: Os ricos arranjam muitos amigos, mas o pobre não consegue nem conservar os poucos que tem (...) Se o pobre é desprezado até pelos seus próprios irmãos, não é de admirar que os seus amigos se afastem dele (Provérbios 19.4, 7).
Evidentemente que ser rico não é nenhum pecado. O erro é a idolatria, a cobiça. É a origem iníqua da fortuna – algo corriqueiro em nosso país. É o tratamento desigual entre os que têm e os que não têm. Ou a insensibilidade dos ricos honestos para com o infortúnio dos miseráveis. O erro é a própria disparidade social da concentração de renda, ou seja, ricos aviltantemente ricos e pobres miseravelmente pobres. Por isto a condenação do profeta já naquela época: Vocês maltratam as pessoas honestas, aceitam dinheiro para torcer a justiça e não respeitam os direitos dos pobres. Não admira que num tempo mau como este as pessoas que têm juízo fiquem de boca fechada (...) Façam com que os direitos de todos sejam respeitados nos tribunais. Talvez o Senhor, o Deus Todo-Poderoso tenha compaixão das pessoas do seu povo que escaparem da destruição (Amós 5.12-15).
O evangelista conta que o abonado e desonesto Zaqueu, depois de arrepender-se e crer no Filho de Deus, fez uma promessa: Eu vou dar a metade dos meus bens aos pobres. E, se roubei alguém, vou devolver quatro vezes mais (Lucas 19.8). Imaginem se a metade dos milionários desonestos deste país seguisse o exemplo de Zaqueu? Estaria resolvida grande parte da corrupção e da pobreza nesta terra das algemas douradas.
Marcos Schmidt
Jornal NH de 17 de julho de 2008

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Artigo - Tudo é ilusão

A gente acorda de manhã e não sabe o que vai acontecer nas próximas horas. Pode ser um dia normal, mas também um dia de cão. Quem me garante que voltarei inteiro e tranqüilo à minha cama? Quem me promete que nenhum bandido vai aterrorizar minha rotina? Que nenhum policial vai me confundir com um bandido, atirar no meu carro e matar o meu filho? Tudo pode acontecer nos próximos segundos, inclusive um monstro de ferro cair bem em cima da minha cabeça. Aquelas três pessoas da mesma família, no interior da Colômbia, morreram na madrugada desta segunda-feira sem saber o que acontecia quando um avião de carga espatifou-se sobre a casa delas. Aeronaves desgovernadas, assassinos cruéis, policiais despreparados cruzam a todo instante por nosso caminho, expondo-nos perigosamente à desgraça.
Chamou-me atenção o caso do humorista Felizberto Duarte, o Feliz, de 71 anos, o homem do tempo que finalizava seu programa com o “piriri-pororó”. Hospitalizado e deprimido, o “Feliz está infeliz”, anunciava a manchete. “Eu só queria que ele tivesse um pouco de dignidade e não acabasse a vida dele assim, tão chateado”, lamentou a mulher dele. É duro pensar nisto, mas a satisfação que hoje tenho com o trabalho, a família, os amigos, a saúde, o lazer, enfim, esta vida de realizações, tudo acabará. E depois? Como enfrentar este terremoto, de um dia levantar da cama e perceber que o meu tempo acabou?
O rei Salomão já confessava: “Tudo é ilusão. A gente gasta a vida trabalhando, se esforçando e afinal que vantagem leva em tudo isso?” (Eclesiastes 1.3). Este homem culto, inteligente, poderoso, rico, bem sucedido, reconhece que tudo é como correr atrás do vento – palavras que repete insistentemente no livro. No final, depois de confessar que “ninguém sabe quando a hora da desgraça vai chegar” (9.12), faz uma recomendação: “Tema a Deus e obedeça aos mandamentos, porque foi para isto que fomos criados. Nós teremos que prestar contas a Deus de tudo o que fizemos e até daquilo que fizemos em segredo, seja o bem ou o mal” (12.13,14). Intrigante! Além das doces ilusões e desagradáveis surpresas terrenas, ainda existe este tribunal divino? Na verdade, este é um dos lados da moeda. Salomão lembra que estas palavras são como as varas pontudas que os pastores usam para guiar as ovelhas (12.11).
Muito tempo depois o apóstolo Paulo escreveria: Se a nossa esperança em Cristo só vale para esta vida, somos as pessoas mais infelizes deste mundo (1 Coríntios 15.19). Lembra, no entanto, que Cristo foi ressuscitado, e isso é a garantia da nossa própria ressurreição (15.20). Em outra carta Paulo diz que nada pode nos separar do amor de Deus, nem o presente nem o futuro, nem o mundo lá de cima, nem o mundo lá de baixo (Romanos 8.38,39). Esta foi também a convicção do rei Davi, pai de Salomão e antepassado de Jesus: Estou certo de que o Senhor está sempre comigo; ele está ao meu lado direito e nada pode me abalar. Por isto o meu coração está feliz e alegre, e eu, um ser mortal, me sinto bem seguro, porque tu, ó Deus, me proteges do poder da morte (Salmo 16. 8,9). Por isto confessa: Quando me deito, durmo em paz, pois só tu, ó Senhor, me fazes viver em segurança (Salmo 4.8).
Sinceramente não sei o que pode me acontecer nos próximos minutos. Mas sei quem estará comigo. E isto me deixa mais tranqüilo.
Marcos Schmidt
Jornal NH de 10 de julho de 2008

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Artigo - Ossos da evolução

A divulgação da idéia de que o homem vem do macaco completa 150 anos. No dia 1º de julho de 1858, cientistas ingleses assistiram a uma leitura pública e inédita sobre o evolucionismo. Um ano depois seria publicada "A Origem das Espécies". Poucos sabem, no entanto, que esta teoria tem um fóssil duro, digo, um osso duro de roer: Darwin teria plagiado a tese da seleção natural das espécies e o legítimo autor seria Alfred Russel Wallace. Uma investigação histórica comprova a fraude, isto é, que Darwin se apropriou da teoria do colega como se fosse dele. Mas este não é o único osso fossilizado do evolucionismo. Desde o surgimento desta teoria, se procurou obstinadamente, e sem sucesso, os elos perdidos entre o macaco e o homem. Uma olhadinha na sesquicentenária aventura confirma que alguns cientistas não pensaram duas vezes em recorrer à mentira. Igual ao combustível de São Paulo, parte da história da evolução das espécies está embebida em grotescas e escandalosas fraudes, e uma simples averiguação descobre o que é gasolina e o que é solvente. Exemplos? O homem de Piltdown, o homem de Java, o homem de Pequim, a mandíbula infantil de Ehringsdorf. São apenas alguns entre tantos fósseis famosos, mas depois desvendados como pura invenção para forjar a teoria darwinista.
Dizem que enquanto desenvolvia a teoria da seleção natural, Darwin, de origem cristã anglicana, ainda acreditava num “deus” legislador supremo. Definiu a religião como uma “estratégia tribal de sobrevivência”. Com a morte de sua filha Annie, o famoso naturalista perdeu o pouco que restava de suas convicções espirituais, tornando-se completamente materialista. Encontrou resposta para as suas dúvidas na frieza do evolucionismo - ou seja, nos conceitos racionais que eliminam qualquer possibilidade de vida além da terrena. Morreu acreditando que sua inteligência era apenas um efeito de reações químicas e elétricas no cérebro de um corpo sem alma, semelhante aos animais irracionais.
Thomas Huxley, conhecido como “buldogue de Darwin”, tem uma definição que não deixa dúvidas: "No pensamento evolucionista não há lugar para seres espirituais capazes de afetar o curso dos acontecimentos humanos, nem há necessidade deles. A terra não foi criada. Formou-se por evolução. O corpo humano, a mente, a alma, e tudo o que se produziu, incluindo as leis, a moral, as religiões, os deuses, etc., é inteiramente resultado da evolução, mediante a seleção natural". Qual resultado disto? Na verdade, tal idéia
de que os organismos vivos estão em constante concorrência e apenas os seres mais capacitados às condições ambientais sobrevivem, transforma o evolucionismo num imperioso e opressor "dogma" da mentalidade moderna. As conseqüências estão evidentes na política, na economia, na família, na sexualidade, na religião, enfim, na sociedade como um todo. O aborto, a eutanásia, a banalidade sexual, as pesquisas com células-tronco embrionárias, a corrupção, as fraudes, a violência, são alguns exemplos deste princípio utilitarista “os fins justificam os meios”.
“Pois Deus, na sua sabedoria, não deixou que os seres humanos o conhecessem por meio da sabedoria deles (...) Pois aquilo que parece ser loucura de Deus é mais sábia do que a sabedoria humana, e aquilo que parece ser fraqueza de Deus é mais forte do que a força humana” (1 Coríntios 1.21,25).
Marcos Schmidt
Jornal NH de 3 de julho de 2008