Foto panorâmica da Igreja

Foto panorâmica da Igreja

Evangelho de Lucas 20.27-40

Explicação do teólogo Gerson Linden sobre o Evangelho de Lucas 20.27-40, texto bíblico do culto desta segunda semana de novembro.


Mordomia da Oferta Cristã

Mordomia da Oferta Cristã

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Artigo - Golpe na liberdade

Interessante o que acontece em Honduras. No caminho inverso da comunidade internacional, internamente boa parte do povo e as próprias instituições democráticas apóiam o golpe militar. O mundo está preocupado com o vírus verde-oliva dos tempos da ditadura militar, mas a insatisfação dos hondurenhos com a corrupção, criminalidade, desemprego, pobreza, é o voto a favor da ação golpista e ditatorial. O povo prefere pão no lugar da democracia. Algo semelhante na Alemanha Oriental. Vinte anos depois da queda do muro de Berlim, uma pesquisa diz que 57% dos alemães orientais defendem o antigo regime comunista. “A vida lá era mais feliz e melhor do que hoje”, argumentam.

Não estamos muito longe disto aqui no Brasil. A corrupção política que não sai das manchetes faz a gente pensar que o melhor jeito seria um golpe de estado. Se fosse feita uma consulta popular, creio que muita gente votaria pelo fechamento do Senado e das Câmaras Legislativas. “Tempo bom era na ditadura militar” é a frase que se ouve. E não tem como pensar outra coisa. É a justa indignação com toda esta roubalheira. Mas é aí que mora o perigo, de querer matar o boi para acabar com os carrapatos.

Honduras, Alemanha Oriental, e esta idéia aqui de que “tempo bom era aquele”, lembra um episódio com o povo de Israel nos primeiros tempos do Antigo Testamento. Esta gente foi escrava do Egito por quatro séculos, e agora livre, mas nas agruras do deserto para a terra prometida, prefere a época da ditadura. “Pois é melhor ser escravo dos egípcios do que morrer aqui no deserto” (Êxodo 14.12), reclama para Moisés. Ao comparar este fato bíblico à situação política em nosso país, penso que estamos diante do “Mar Vermelho” e do tórrido “deserto”. A vara da democracia é o “cajado de Moisés” que abre o caminho da liberdade, e é nela que precisamos acreditar e nos mobilizar.

O apóstolo Paulo recorre ao tema “escravidão e liberdade” para falar de outro assunto, a ditadura espiritual. Ele condena o golpismo das regras religiosas na igreja da Galáxia e lembra: “Cristo nos libertou para que nós sejamos realmente livres. Por isso, continuem firmes como pessoas livres e não se tornem escravos novamente” (Gálatas 5.1). Este é outro risco nestes tempos de crise moral. É mais fácil viver dependente de regras ditatoriais e moralistas da religião, no lugar de seguir pelo caminho responsável da liberdade cristã. E se a corrupção política é um desvio, nesta questão espiritual o apóstolo tem um recado: “Não deixem que essa liberdade se torne uma desculpa para permitir que a natureza humana domine vocês. Pelo contrário, que o amor faça com que vocês sirvam uns aos outros” (Gálatas 5.13). No entanto, Paulo é taxativo: “Não existe outro evangelho” (1.7).

“Outros evangelhos” em momentos de crise sempre foram uma saída mais cômoda. Mas depois vem a conta. Isto é um mau negócio na política e na religião.

Marcos Schmidt

Jornal NH de 9 de julho de 2009

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Artigo - Terra do Nunca

O maior legado de Michael Jackson não é o reinado da música pop. É a placa sinalizadora: “Não siga por este caminho”. É o exemplo da busca por um reino que não vale a pena. Mas histórias assim se repetem porque a dança segue a música. Um ritmo parecido com o "Thriller" – isto é, um mundo de zumbis que apresenta uma sociedade de “reis e rainhas do pop” que emergem das sepulturas, gente que vive mas está morta. Gente que nunca cresce, mas segue no mundo da fantasia construindo ranchos Neverland para fugir da realidade.
No entanto, Michael é uma vítima da obsessão paterna que projeta os próprios sonhos no sacrifício do filho. Ele mesmo confessa que via as crianças brincando no parque e chorava porque tinha de gravar dez horas por dia. Perdeu a infância e a auto-estima, vítima das agressões físicas e psicológicas de um pai que debocha do filho e lhe diz que é feio. Por isto as inúmeras plásticas e o clareamento da pele. Tentou ser o que nunca foi e possuir o que nunca alcançou.
“Pais, não tratem os seus filhos de um jeito que faça com que eles fiquem irritados” (Efésios 6.4). O ensinamento é bíblico e antigo, mas serve para crentes e descrentes de todos os tempos. E se a guerra aqui na vida real é contra o crack, penso que esta droga que estala simboliza a mente doentia de uma sociedade que vive o mundo irreal do “pop star”, do estrelismo, do sucesso, da fama, dos modismos, do consumismo, das plásticas, do corpo sarado, dos big-brothers e fazendas, do voyeurismo, do exibicionismo, do hedonismo, enfim, destes vícios por “drogas e remédios” que curam e matam num estalar de dedos.
Diz o Sábio que “Tudo neste mundo tem o seu tempo; cada coisa tem a sua ocasião. Há tempo de nascer e tempo de morrer” (Eclesiastes 3.1,2). Depois de citar um monte de coisa que precisa da hora certa, conclui: “O que é que a pessoa ganha com todo o seu trabalho?” (v.9) Esta pergunta o rei do pop não pode mais fazer: O que eu ganhei com todo o meu trabalho? O Sábio tem a resposta: “Entendi que nesta vida tudo o que a pessoa pode fazer é procurar ser feliz e viver o melhor que puder” (v. 12). Não foi o caso de Jackson que certa vez disse: “A fama me deixa triste e só”. Na verdade, a obsessão pela imagem, a vontade de ser uma eterna criança, o medo de ficar doente, o vício nos remédios, ou seja, a “Terra do Nunca” transformou-o prisioneiro de um tempo que nunca chegou.
“Tudo é ilusão. A gente gasta a vida trabalhando, se esforçando e afinal que vantagem leva em tudo isso?” (Eclesiastes 1.2,3). O Rei dos reis fez pergunta parecida: “O que adianta alguém ganhar o mundo inteiro, mas perder a vida verdadeira?” (Marcos 8.36). Pois a resposta nesta terra do nunca aparece na terra do sempre – o reino de Deus. E se o rei do pop sempre foi criança para fazer parte do Neverland, esta é a condição para entrar no Everland, conforme palavras do Salvador: “Quem não receber o Reino de Deus como uma criança nunca entrará nele” (Marcos 10.15).
Marcos Schmidt
Jornal NH de 02 de julho de 2009

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Artigo - Secreto e público

Dias atrás o Jornal Nacional apresentou uma série de reportagens sobre obras sociais de igrejas evangélicas presentes no Brasil. A surpresa foi grande, muitos afirmando que havia interesse por trás. Em todo o caso, lá estavam as notícias internas de igrejas no horário mais nobre da televisão brasileira. Algo estranho quando geralmente assunto de igreja é manchete só em casos de escândalos. Mas isto não acontece só com instituições religiosas. Em qualquer seguimento são os fatos ruins que chamam a atenção. Na minha igreja, por exemplo, a identificação “luterana” hoje está em destaque com os problemas da Ulbra. E mesmo quando esta Universidade confessional tem muita coisa boa para mostrar, o interesse jornalístico e público fica por conta dos “pecados”. Se não dá para tirar a razão mercadológica da mídia nem lutar contra o poder que ela tem, o jeito é transformar o “bom” em notícia. Mas como fazer isto?
E o que dizer da recomendação de Jesus: “Tenham cuidado de não praticarem os seus deveres religiosos em público a fim de não serem vistos pelos outros” (Mateus 6.1). Na verdade, esta é a tentação que um cristão ou uma igreja sempre enfrenta. Se a primordial tarefa cristã é pregar e viver o Evangelho, existe grande diferença na visibilidade do pregar e do viver. O pregar precisa do público enquanto o viver do secreto. Por isto as palavras do Senhor: “Você, quando ajudar alguma pessoa necessitada, faça isto de tal modo que nem mesmo o seu amigo mais íntimo fique sabendo do que você fez. Isso deve ficar em segredo” (Mateus 6.3,4).
Nossa tendência, no entanto, é fazer o contrário. O ruim colocamos debaixo do tapete e o bom no pedestal. Igual ao Senado brasileiro, onde as coisas boas aparecem na TV Senado e os “atos secretos” e inescrupulosos entre quatro paredes do gabinete. E se agora o secreto virou público e o público virou secreto, isto serve de lição para todos nós – porque todos têm um senador mau caráter dentro de si. “Não há ninguém que faça o bem, todos mentem e enganam sem parar” (Romanos 3.12,13), confirma a Bíblia.
Por isto o melhor caminho é ouvir a voz do profeta: “Em sinal de arrependimento, não rasguem as roupas mas sim o coração” (Joel 2.13).
Mas como se rasga o coração? “Vá para o seu quarto, feche a porta e ore ao seu Pai, que não pode ser visto. E o seu Pai, que vê o que você faz em segredo, lhe dará a recompensa” (Mateus 6.6). É a dica de Jesus para a recompensa, ou seja, o presente da nova vida que o Salvador oferece sem nenhum tipo de exigência. Aliás, a caridade e as obras de amor são frutos espontâneos do perdão. Por isto a surpresa: – Senhor, quando foi que ajudamos o Senhor? Quando vocês ajudaram o próximo, respondeu o Rei da parábola (Mateus 26.34-40).
(Destaco os 105 anos da Igreja Evangélica Luterana do Brasil neste 24 de junho. No próximo Domingo, 28/06, 9h, nos pavilhões da Fenac, todos convidados para celebração com grande coral e orquestra).
Marcos Schmidt
Jornal NH de 24 de junho de 2009

quinta-feira, 18 de junho de 2009

IELB - 105 Anos - 28 de Junho de 2009


Artigo - Sofrimento é castigo?

– Por que Deus permite que isto aconteça comigo? O que eu fiz de errado? É castigo?
Perguntas deste tipo são colocadas diante de mim em muitas situações do aconselhamento pastoral. E nestas horas o grande perigo é dizer bobagens. “Sofrimento” é tema das passagens bíblicas na liturgia do culto cristão para este fim de semana. São histórias de tragédias com perguntas e com respostas, como a de Jó que perdeu os dez filhos, toda a riqueza e a saúde (Jó 38.1-11). Dos discípulos aterrorizados dentro de um barco no meio de uma terrível tempestade (Marcos 4.35-41). Do apóstolo Paulo e suas aflições (2 Coríntios 6.1-13). E do testemunho que o “socorro vem do Senhor Deus, que fez o céu e a terra” (Salmo 124).
Mas se as perguntas são normais e compreensíveis, as respostas são estranhas. Jó perdeu tudo e Deus chega para ele e questiona: “Quem é você para pôr em dúvida a minha sabedoria?”. Quanto aos discípulos, alguns eram pescadores e por isto, cientes das poucas chances de escaparem com vida – mesmo assim recebem de Jesus um puxão de orelhas: – “Por que é que vocês são assim tão medrosos? Vocês ainda não têm fé?” Sobre Paulo, que parece um masoquista – ele já tinha dito em outra ocasião que se alegrava nos sofrimentos (Romanos 5.3). No entanto, é preciso ir mais fundo nos textos antes que se diga: “Isto é injusto”.
Boa parte das heresias nasce e cresce no ninho do sofrimento. Por exemplo, a conversa de que a tragédia é castigo de Deus. Se fosse verdade, a vida da gente seria um medo sem fim. Por causa desta invenção do inferno muita gente vive com o coração na mão, sempre com medo de passar debaixo de uma escada, carregando amuletos, fazendo o sinal da cruz para qualquer situação de perigo, enfim, sob os terríveis efeitos da superstição. Nunca me esqueço da história de um amigo meu que perdeu o dedo da mão na serra elétrica numa Sexta-Feira Santa. Ele achava que era castigo pelo fato de trabalhar naquele dia. Consegui arrancar do coração dele o dedo acusador com a verdadeira mensagem deste dia cristão. Como fez o próprio Salvador quando os discípulos lhe perguntaram: “Mestre, por que este homem nasceu cego? Foi porque ele pecou ou porque os pais dele pecaram?” Jesus respondeu: “Ele não é cego por causa dos pecados dele nem por causa dos pecados dos seus pais. É cego para que o poder de Deus se mostre nele” (João 9.2,3).
Creio que assim como é impossível explicar a origem do Universo e da própria vida, é racionalmente incompreensível os motivos do sofrimento humano quando existe um Deus todo-poderoso e ao mesmo tempo cheio de amor. “Onde é que você estava quando criei o mundo?” pergunta Deus para Jó – alguém que já tinha se flagrado: “Não podemos compreender o Todo-Poderoso, o Deus de grande poder. A sua justiça é infinita, e ele não persegue ninguém” (Jó 37.23). Mas se a gente quer mesmo uma resposta, é só olhar para o imensurável sofrimento do Pai celeste que entrega o seu único e amado Filho na cruz – uma loucura para os que estão se perdendo, mas para nós, que estamos sendo salvos, o poder de Deus (1 Coríntios 1.18).
Marcos Schmidt
Jornal NH de 18 de junho de 2009