Foto panorâmica da Igreja

Foto panorâmica da Igreja

Evangelho de Lucas 20.27-40

Explicação do teólogo Gerson Linden sobre o Evangelho de Lucas 20.27-40, texto bíblico do culto desta segunda semana de novembro.


Mordomia da Oferta Cristã

Mordomia da Oferta Cristã

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Artigo - Natal desgraçado

Não é de estranhar que o Natal perdeu a graça. Estas músicas com harpa, por exemplo, a gente não agüenta mais, estão por todos os lugares. Não tiro a razão do sociólogo Clóvis da Rolt que no artigo “o Natal e outras prisões (Zero Hora, 04/12/2007), diz que esta festa “é uma esquizofrenia acordada socialmente”. Não precisava colocar tudo no mesmo saco ao delatar que “o comércio, a mídia e as ideologias pregadas por instituições religiosas empoeiradas lançam à sociedade seus tentáculos mortificadores”. Mas entendo o estresse deste mestre em comportamento humano. Sua acusação até lembra João Batista que esbravejou no deserto: Ninhada de cobras venenosas, façam coisas que mostrem que vocês se arrependeram dos seus pecados (Lucas 3.8). Rolt prega: “As pessoas, apenas por um período delimitado, se arrependem dos seus atos, se comovem com as desigualdades sociais, se solidarizam com os desfiliados. Mas é só passar o incidente, que tudo volta a ser como era (...) O Natal é precário, incidental e simulado feito as atitudes falsamente humanizadas que ofuscam mais do que o excesso de luzes que se pode presenciar nesta época do ano”.
Mas o Natal mesmo não tem nada parecido com isto. Não é papai-noel, não é presente, não é solidariedade de um dia, não é o espírito “paz e amor” de uma noite, nem trégua para desavenças. Que não é comércio, isto todos sabem – mesmo quando não conseguem escapar das suas garras escondidas no cartão de crédito.
Então, onde está a graça do Natal? Quem sabe a gente pergunta aos desacreditados pastores de Belém? Eles têm a resposta original (Lucas 2.17):
- Um anjo apareceu no céu e disse: Hoje nasceu o Salvador de vocês. Ele está enrolado em panos deitado numa manjedoura. Depois surgiu uma multidão deles, e cantavam louvores a Deus. Não temos palavras para descrever o que vimos.
Narra o evangelista que todos aqueles que ouviram o que os pastores disseram ficaram muito admirados. Intrigante este fato: Por que os pastores foram os primeiros na fila do Natal? Eles viviam nos campos e afastados das regras religiosas, e com isto não tinham nenhuma credibilidade na igreja. Por que os anjos não desceram direto no templo, aos sacerdotes, aos líderes religiosos? Fico imaginado como seria hoje. Quem receberia o Natal em primeira mão? Nem ouso opinar. Em todo o caso, parece que a resposta para este Natal desgraçado – sem graça – pode estar na própria morbidade daqueles que arrogam o poder institucional da Palavra, semelhantemente ao tempo bíblico. Por isto a acusação: Aquele que é a Palavra veio para o seu próprio país, mas o seu povo não o recebeu (João 1.11).
Querem saber onde está a graça do Natal? A Bíblia responde: A Palavra se tornou um ser humano e morou entre nós, cheia de graça e de verdade (João 1.14).
O incrível, aliás, o crível no meio desta saturação, é que a notícia dos anjos só tem sentido onde existe descrédito, confusão, materialismo, religião sem Deus, tradição cristã sem tradução do amor, mercadologia da fé, engano, corrupção, violência. Onde existe pecado. Afinal, aquele que é o próprio Natal revelou: Eu vim para os perdidos.
Por isto, que ninguém pense que não precisa ser encontrado. Assim o Natal nunca perderá a graça.
Marcos Schmidt
Jornal NH de 06 de dezembro de 2007

sábado, 24 de novembro de 2007

Artigo - Peru livre do forno

O presidente George Bush salvou dois perus do forno, no famoso “gesto de misericórdia” que se repete a cada ano nesta cerimônia prévia à festa de Ação de Graças nos Estados Unidos. Após, os dois animais perdoados viajaram até o parque da Disney World, a fim de participar de um desfile deste importante feriado local. Coisa de norte-americano! Mas, e aqui no Brasil, qual o gesto de misericórdia que o Lula poderia proporcionar e transformar isto numa tradição? Quem sabe, salvar nossa governadora Yeda e o secretário da Fazenda, Aod Cunha, perdoando esta dívida que depena sem dó e assa em banha-maria a sociedade gaúcha? O próprio presidente disse nesta semana, ao lembrar a fantástica descoberta de petróleo, que agora está provado que “Deus é brasileiro”. Então, nada mais justo a prática do perdão neste país abençoado!
Se esta mina de petróleo é mesmo uma bênção, neste momento quando se discute o aquecimento global, isto só o tempo responderá. Mas numa coisa podemos ter certeza: vivemos, sim, num lugar maravilhosamente abençoado. Tirando fora a violência, a corrupção e alguns políticos – Deus não tem nada com estas histórias – há motivos de sobra para levantar as mãos aos céus e dizer: “Muito obrigado, ó Senhor. Te agradeço, porque não temos ciclones iguais a este que matou milhares de pessoas em Bangladesh”.
O problema é que não conseguimos enxergar as coisas boas que vêm do alto. E por isto nossa estúpida ingratidão. Algo parecido com uma historinha. Um menino caiu nas águas perigosas de um cais marítimo e felizmente salvo por um marinheiro. No outro dia a mãe do menino encontrou o bom homem, e indignada, logo perguntou:
- Foi o senhor que entrou na água para tirar meu filho? Então, onde está o boné dele?
- Onde está o meu boné, Senhor?
Este descabido ponto de interrogação aparece seguidamente em nossa cara. É só perdermos coisas que julgamos mais importantes, e então nossa revolta contra os céus. Quanta ingratidão! Afinal, Deus nem mesmo deixou de entregar o próprio Filho, lembra o escritor sagrado, mas o ofereceu por todos nós! Se ele nos deu o seu Filho, será que não nos dará também todas as coisas? (Romanos 8.32). Mas, e quando faltam estas “coisas”? Estes “bonés”? É bom lembrar que nestas horas ainda temos o amor de Cristo – a vida verdadeira! E daí a pergunta que já é resposta: Então quem pode nos separar do amor de Cristo? Serão os sofrimentos, as dificuldades, a perseguição, a fome, a pobreza, o perigo ou a morte? (Romanos 8.35).
Neste Dia de Ação de Graças lembro do Salmo 103 (2-5): Que todo o meu ser louve o Senhor, e que eu não esqueça nenhuma das suas bênçãos! O Senhor perdoa todos os meus pecados e cura todas as minhas doenças; ele me salva da morte e me abençoa com amor e bondade. Ele enche a minha vida com muitas coisas boas, e assim eu continuo jovem e forte como a águia.
É até saudável não esquecer nenhuma das bênçãos de Deus, sobretudo de que ele perdoa todos os pecados. Aliás, aí começa a ação de graças: na certeza da anulação desta dívida impagável. Um alento neste mundo de injustiças, cobranças, ingratidão, falcatruas. Um gesto de misericórdia daquele que oferece, mesmo quando não existe nada para dar em troca.
Marcos Schmidt
Jornal NH de 22 de novembro de 2007

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Cultos - 15, 17 e 18 de Novembro de 2007

Cultos - Penúltimo Domingo do Ano da Igreja
Tema: Deus nos confiou a maior riqueza.
Resumo da Mensagem: Você temalgum investimento na sua vida? Talvez você não tenha dinheiroinvestido na poupança ou em ações, mas Deus nos confiou a maiorriqueza que existe para investirmos. Esta riqueza é a notícia dasalvação que lemos na Bíblia. Esta riqueza, investimos em nossaprópria vida e também no mundo. Não é um investimento arriscado, quepode trazer prejuízos como muitas aplicações financeiras, mas é uminvestimento que produz frutos, pois a riqueza da salvação nos trazvida e lucro futuro e garantido nos céus.
Leituras Bíblicas: Sl92.1-8; Jr 8.4-7; 2Co 5.1-10; Lc 19.11-27.
Hinário Luterano: 210, 393,387, 256, 257, 259.
Louvai ao Senhor: 70, 89, 119, 130, 48.

Artigo - Fé de Homem-Aranha

O que leva um garoto de cinco anos, fantasiado de Homem-Aranha, entrar numa casa ardendo em chamas e salvar um bebê? Foi em Santa Catarina na quinta-feira passada. Ele brincava no pátio quando percebeu o incêndio na casa vizinha. A mãe entrou em desespero ao ver que não podia fazer nada.
- Não chora tia, fica tranqüila que eu salvo a sua filha. Ela ainda tentou impedir o garoto, mas ele entrou na casa e em poucos segundos entregou o bebê nos braços da mãe. Questionado depois se não teve medo, o garoto foi enfático:- Claro que não! O Homem-Aranha não é fraco e não tem medo de nada.
Jesus lembrou deste tipo de fé para falar de outra: O Reino de Deus é das pessoas que são como as crianças. Eu afirmo a vocês que isto é verdade: quem não receber o Reino de Deus como uma criança nunca entrará nele (Marcos 10.14,15)
Dias atrás esteve em Porto Alegre o jornalista e crítico literário britânico Christopher Hitchens. Ele se junta a uma turma de intelectuais ateus que combatem a fé e a religião. Numa entrevista declarou: “As religiões são ruins porque elas mentem”. Em contrapartida, outros ateus importantes estão se convertendo. Sábado passado morreu o famoso escritor norte-americano Norman Mailer. Conforme matéria da Zero Hora, Mailer manteve toda uma vida dedicada ao marxismo e ao ateísmo, mas no final encontrou a fé.
- Minha conexão com a religião é interna e passional, respondeu a um jornalista. Creio que Deus existe porque vivi durante anos como ateu e tinha grandes dificuldades em tentar explicar-me filosoficamente como podemos chegar a existência "ex nihilo" ("nada provém do nada", em latim). A Bíblia diz que fé é a certeza de que vamos receber as coisas que esperamos e a prova de que existem coisas que não podemos ver (Hebreus 11.1). Um exemplo clássico está na história de Jesus e Nicodemos (João 3.1-21). Nicodemos era um teólogo judeu, mas descrente quanto às promessas bíblicas.
- O senhor é professor do povo de Israel e não entende isso?
Tal resposta de Jesus deve ter mexido com os brios deste homem racional.
Enquanto Jesus falava de coisas espirituais, ele pensava em fatos científicos. “Nascer de novo” transformou-se em “voltar para a barriga da mãe e nascer outra vez”. O Salvador então explicou: Deus amou o mundo de tal maneira que entregou o seu único Filho, para que todo o que nele crer não morra, mas tenha a vida eterna.
É estranho para os mestres da auto-ajuda, mas segundo a Bíblia, a fé que salva não surge do coração humano. Isto não vem de vocês, mas é um presente dado por Deus (Efésios 2.8). Se o menino herói entrou no fogo porque estava vestido de Homem-Aranha, é assim que funciona num cristão, e por isto recomenda o apóstolo: Vistam-se com a nova natureza, criada por Deus, que é parecida com a própria natureza dele (Efésios 4.24).
Na minha experiência pastoral, não existe outra explicação para tanta coragem na vida de cristãos, sobretudo na hora da morte. Aliás, é neste momento derradeiro que as falsas fantasias dos ateus - destes super-homens racionais – são arrancadas, revelando toda a insignificância da prepotente ciência humana.
No meio de tantos incêndios, vale o exemplo deste pequeno bombeiro. Ou como recomenda o texto sagrado: Vistam-se com toda a armadura que Deus dá a vocês (...) E levem sempre a fé como escudo, para se protegerem de todos os dardos de fogo do Maligno (Efésios 6.11,16).
Marcos Schmidt
Jornal NH – 15 de novembro de 2007

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Artigo - Abuso contra crianças

Pedofilia é uma atração perversa de gente adulta por crianças. Doença? Safadeza? Crime? Existem várias explicações dos especialistas! Em todo o caso, o assunto preocupa, sobretudo para quem tem filhos pequenos. As notícias nos dão conta de que isto vem aumentando. Por exemplo, nesta última segunda-feira outra rede mundial de pornografia infantil foi desmantelada na Europa. Ela produzia vídeos por encomenda para mais de 2.500 clientes em 19 países. Um deles mostrava um pai abusando sexualmente das filhas, de 9 e 11 anos. Dias atrás, com grande repercussão, foi preso um canadense na Tailândia. Ele aparecia em várias fotos espalhadas pela Internet, molestando menores, sempre com o rosto digitalmente modificado. No domingo passado, um instrutor de futebol infantil no Rio também foi preso, acusado de violentar três meninos. Mas, e os casos que acontecem em nossa cidade, em nossa rua, e que nunca serão descobertos?
O fato assustador é que a pedofilia pode ocorrer dentro da nossa casa, pois ela está muito relacionada com o uso da Internet. Calcula-se que 15% da população mundial têm acesso à esta tecnologia. O assunto será tema no 2º Fórum de Governança da Internet, promovido pela ONU, na próxima semana no Rio de Janeiro. Mais de duas mil pessoas de cem países participarão deste evento, na busca de alternativas contra a pedofilia através da Internet.
Este é um assunto que também tem envolvido igrejas, educandários e instituições que lidam com crianças. Freqüentemente surgem na mídia acusações deste tipo de crime contra religiosos e educadores. Um grave perigo em outra via, de pré-julgamentos, injustiças, e difamações.
Por outro lado, há explicações para o aumento deste mal. Uma delas é a existência de um visível processo de erotização infantil. O efeito disto? Cerca de 50% dos jovens brasileiros entre 15 anos já tem vida sexual ativa, o que gera a gravidez precoce e o aborto. E a grande culpada é a própria mídia. De uma forma muito sutil através da moda, da forma de vestir-se, posar e fotografar, as crianças são incentivadas grotescamente pelos adultos a um comportamento sensual.
Um assunto complicado, mas que merece nossa atenção. Afinal, psicólogos afirmam que 100% das crianças, vítimas deste mal, sofrem traumas para o resto da vida. E quando a própria sexualidade virou artigo descartável com tempo de validade, a família se vê encurralada num contexto em que o governo, através do Ministério da Saúde, incentiva a promiscuidade infantil com as campanhas da camisinha nas escolas de ensino fundamental.
A Bíblia não trata especificamente da pedofilia, mas ela é clara quando o assunto é “sexualidade”: Fujam da imoralidade sexual! Qualquer outro pecado que alguém comete não afeta o corpo, mas a pessoa que comete imoralidade sexual peca contra o seu próprio corpo. Será que vocês não sabem que o corpo de vocês é o templo do Espírito Santo, que vive em vocês e lhes foi dado por Deus? Vocês não pertencem a vocês mesmos, mas a Deus, pois ele os comprou e pagou o preço. Portanto, usem o seu corpo para a glória dele (1 Coríntios 6.18-20). Sem dúvida, aqui estão contemplados os pequeninos – eles que foram abençoados por Jesus ao dizer: Deixem que as crianças venham a mim, não as proíbam (Marcos 10.14).
Marcos Schmidt
Jornal NH – 8 de novembro de 2007