Foto panorâmica da Igreja

Foto panorâmica da Igreja

Evangelho de Lucas 20.27-40

Explicação do teólogo Gerson Linden sobre o Evangelho de Lucas 20.27-40, texto bíblico do culto desta segunda semana de novembro.


Mordomia da Oferta Cristã

Mordomia da Oferta Cristã

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Artigo - Coragem para morrer

“Eu não tenho medo da morte, tenho medo da desonra”, disse José Alencar. A morte desse homem mexeu com muita gente que não tem honra para viver e nem coragem para morrer. Ele sabia viver e por isso, soube morrer. E fez o Brasil todo praticar as palavras bíblicas: “É melhor ir a uma casa onde há luto do que ir a uma casa onde há festa, pois onde há luto lembramos que um dia também vamos morrer” (Eclesiastes 7. 2). No dia do falecimento de Alencar, fui ao velório de um homem jovem, com uma história muito parecida na doença. Martim Heimann, diretor de um colégio em São Leopoldo, deixou esposa, três filhos, e uma marca – também não tinha medo da implacável inimiga. Nas difíceis palavras de despedida, o pai dele, professor de teologia, disse algo que é tudo o que uma pessoa precisa fazer depois da morte: “Tenho certeza que a primeira pessoa que o meu filho abraçou no céu foi o Senhor Jesus”. Sem dúvida, quem não pode abraçar Jesus, tem pavor da morte.

Li que a investigação dos destroços do Airbus localizados no fundo do mar poderá desvendar as causas do acidente em 2009 e ajudar na segurança do transporte aéreo. É preciso resgatar os restos do avião, a fim de que a morte das 228 pessoas não seja em vão. Na história da humanidade, acontece algo parecido. É necessário que se mergulhe até o fundo do poço, se localize os pedaços da pior tragédia, e numa investigação pessoal, se descubra os motivos deste primeiro acidente, a fim de que haja plena tranquilidade na viagem para o céu. Sem esta descoberta, o ser humano vive e morre inseguro.

Felizmente isto foi elucidado e está nas páginas da Bíblia. “O que dá à morte poder de ferir é o pecado”, conclui, mas Deus “nos dá a vitória por meio do nosso Senhor Jesus Cristo” (1 Coríntios 15.56,57). Através das páginas deste livro, o Alencar e o Martim amaram a Sabedoria, e ela os abraçou e os tornou importantes e honrados (Provérbios 4.8). A Sabedoria é aquele que disse: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá; e quem vive e crê em mim nunca morrerá” (João 11.25).

Marcos Schmidt
Jornal NH de 7 de abril, 2011

quarta-feira, 30 de março de 2011

Artigo - Desafio de Shrek

O casamento religioso à fantasia em Garibaldi, RS, mostra bem o jeito alucinado da vida. Vestidos de Fiona e Shrek, o desejo dos noivos diante do altar expressa a síndrome humana “do fazer de conta” – que virou epidemia. Os padrinhos com roupas de príncipes e princesas, os pais dos noivos de reis e rainhas, as crianças com alegorias de Dragão, Burrinho, Branca de Neve, os convidados caracterizados dos contos infantis – uma cena surreal que diz tudo sobre esta sociedade de castelos de areia. Fiquei pensando na história dessa famosa animação, para dizer o seguinte: precisamos imitar o ogro Shrek, e expulsar as criaturas mágicas que invadem o nosso “pântano”.

Esta é a ameaça – a vida transformada numa aventura de desenho animado. De ficar adulto, mas ainda “brincar” de casinha, de carrinho, de vídeo game, de ganhar e perder. De fazer de conta que casamos, que temos família, que trabalhamos, que somos felizes. No imaginário de ser bem sucedido, vestir a alegoria de soberanos, alucinados na miragem de reinos e castelos. Sem dúvida, temos um desafio parecido com o do Shrek, de espantar as ilusões e viver a realidade.

Viver a realidade? Vale à pena? Ela é tão dura, exigente, cruel. Por que não levar a vida na brincadeira? Seria o caminho, se o dragão fosse apenas fábula. Ele existe e expele violentamente sobre nós suas labaredas. Podemos até aprisioná-lo atrás de máscaras e alegorias, mas um dia ele surge em inevitáveis tragédias. Por isto a advertência: “Viva alegre durante todos os anos da sua vida. Mas, mesmo que você viva muitos anos, lembre que ficará morto durante muito mais tempo. Tudo o que acontece é ilusão” (Eclesiastes 11.8).

Seria tudo ilusão se não fosse “a realidade de Cristo” (Colossenses 2.17). Que para alguns é também pura fantasia. Mas, uma certeza para aqueles que são chamados de igreja – que vem “de Deus, enfeitada e preparada, vestida como uma noiva que vai ser encontrar com o noivo”, para viver no reino celestial onde “não haverá mais morte, nem tristeza, nem choro, nem dor” (Apocalipse 21.1-4).

Marcos Schmidt
Jornal NH de 31 de março, 2011

quarta-feira, 23 de março de 2011

Artigo - Poder e proteção

A visita presidencial dos Estados Unidos deu amostras sobre a pesada carga que uma nação suporta para manter-se no topo. Um peso não apenas escondido na fuselagem dos sofisticados aviões, mas, sobretudo, nos miolos destes líderes que carregam vital responsabilidade nos destinos do planeta. Obama comanda a nação que comanda o mundo, e por isto, é a pessoa mais invejada e odiada. Não é por nada todo o aparato de segurança, algo que impressiona e agride. Em todo caso, melhor um Obama do que um Bush. Afinal, ele tem o botão de 4 mil bombas atômicas e guarnece a eficiência de 104 usinas nucleares. Devemos agradecer ao Senhor dos senhores pelo fato da maior potência bélica e econômica ser democrática e dirigida por um homem sensato. Imaginem se fosse um Kadafi?

Em seu discurso, Obama elogiou o Brasil, e disse que “este não é mais o país do futuro – os brasileiros devem saber que o futuro já chegou e está aqui agora. É hora de tomar posse dele”. “Tomar posse” requer igualmente responsabilidade e equilíbrio. Se hoje somos uma das nações mais ricas do mundo, e pretendemos um assento no Conselho de Segurança da ONU, então devemos estar preparados para suportar esta glória.

O soberano rei Davi reconheceu que cada ser humano é um “Obama” e merece respeito e proteção. “Que é um ser humano para que penses nele?” – refletiu o chefe do emergente Israel. “No entanto, fizeste-o inferior somente a ti mesmo e lhe deste a glória e a honra de um rei. Tu puseste todas as coisas debaixo do domínio dele” (Salmo 8). Neste raciocínio, Davi afirma que “a pessoa que procura segurança no Deus Altíssimo” (Salmo 91) obterá um eficiente aparato de proteção contra os inimigos.

Neste período antes da Páscoa, os cristãos lembram que o próprio rei se tornou um agente de segurança, e ofereceu a vida para salvar a humanidade. Num discurso, o Rei Jesus disse que o futuro já tinha chegado: “Vocês são bem-aventurados, pois o Reino dos Céus é de vocês. Vocês são a luz do mundo” (Mateus 5). Sem dúvida, um bônus e um ônus nesta sociedade armada com bombas nucleares em cada coração humano.

Marcos Schmidt
Jornal NH de 24 de março, 2011

quarta-feira, 16 de março de 2011

Artigo - Ondas de imagens

Se uma imagem vale por mil palavras, então qualquer coisa que a gente escreve sobre esta tragédia nipônica corre o risco de sucumbir. Sempre carregando as sofisticadas câmeras, os japoneses estão revelando ao mundo cenas impressionantes. O sentimento global é de perplexidade. Será o cumprimento da profecia de Jesus? Que “todas as nações ficarão desesperadas, com medo do terrível barulho do mar e das ondas” (Lucas 21.25)? Por que “todas as nações”? Qual a razão dos moradores que vivem nos lugares mais altos, ou no outro lado do planeta, estarem apavorados? Creio que a resposta está nesta grandiosa onda que invade o mundo – as chocantes imagens vindas do país da Sony, da Panasonic, da Nikon...

Tsunamis são antigos. Há três mil anos o rei Davi já dizia: “Assim, quando as grandes ondas de sofrimento vierem, não chegarão até eles” (Salmo 32.6). Davi comparou este desastre natural com a desolação espiritual que invade a vida daqueles que não têm um “esconderijo que livra da aflição” (v.7). Ele viveu às margens do Mar Mediterrâneo, e deve ter presenciado ou sabia algo a respeito. Segundo registros arqueológicos, foi neste período bíblico que ocorreu um dos maiores maremotos que aniquilou a ilha de Creta, próximo às terras litorâneas de Israel.

O fato novo, por isto, são as impactantes imagens que transportam a humanidade para o Japão, e faz com que “todas as nações estejam desesperadas, com medo do terrível barulho do mar e das ondas”. No entanto, se a imagem tem poder, vem à lembrança a foto daquela criança de quatro meses, encontrada viva entre os escombros do tsunami, e que se tornou símbolo de esperança no Japão. Algo que remete à imagem da criancinha enrolada em panos e deitada numa manjedoura. “Não tenham medo”, disse o anjo aos pastores de Belém, porque este menino vai salvar vocês. Já crescido, ele acalmou o mar, e todos ficaram admirados: “Que homem é este que manda até no vento e nas ondas?” (Mateus 8.27). É dele que Davi se refere ao confessar “Tu és o meu refúgio” quando surgem as grandes ondas.

Marcos Schmidt
Jornal NH de 17 de março, 2011

quarta-feira, 9 de março de 2011

Artigo - Santo Cristo e o Carnaval

A fuga da realidade segue por outros aspectos da vida humana, não só no profano, também no religioso. Se o reinado do momo é a festa da carne, tem a festa do espírito que procura em vão a mesma coisa: anular a dureza das desventuras terrenas. Em vão, porque usa um “santo Daime” – chá com poderes alucinógenos – oferecido num cenário fantasiado com promessas que entorpecem a mente e o coração. Este “carnaval” tem nome e endereço, um espetáculo da glória que esconde a cruz nos bastidores e mantém o sofrimento humano fora das passarelas. Doenças, pobreza, miséria, dor? Isto foi anulado em nome de Jesus – pregam eles. Puro analgésico que mascara a real enfermidade.

Entre fantasias e adereços, neste Domingo do Carnaval os cristãos celebraram a Transfiguração do Senhor (Mateus 17). Num retiro, três discípulos puderam ver o trailer da glória celestial onde uma luz intensa resplandeceu do corpo de Jesus. Não eram efeitos especiais. Era a realidade do esplendor celestial. Deslumbrado, Pedro quis armar barracas e ficar ali mesmo. Esqueceu que precisava descer do monte, pegar a sua cruz e voltar para o vale da sombra e da morte.

É preciso descer e ter os pés no chão. Como? Para os enlutados das 27 vítimas de Santo Cristo, só mesmo Cristo, o Santo. Até o Carnaval foi suspenso nesta cidade, pois a morte não usa máscaras. Restou apenas a quarta-feira de cinzas. Mas o que este Cristo pode fazer? Pedro, em outro episódio, depois que muitos seguidores abandonaram Jesus porque os milagres haviam cessado e restava apenas a cruz – foi enfático: “Quem é que nós vamos seguir? O senhor tem as palavras que dão a vida eterna! E nós cremos e sabemos que o senhor é o Santo que Deus enviou” (João 6.68,69).

Na marchinha de Carnaval “Pastorinhas”, Noel Rosa cantava que “a estrela d'alva no céu desponta”, para depois lamentar “meu coração não se cansa de sempre, sempre te amar”. Triste canção de um amor não correspondido num mundo cheio de desilusões. Por isto o hino do amor que sempre correponde e não ilude, amor daquele que disse: “Eu sou a brilhante estrela d'alva” (Apocalipse 22.16).

Marcos Schmidt
Jornal NH de 10 de março, 2011