Foto panorâmica da Igreja

Foto panorâmica da Igreja

Evangelho de Lucas 20.27-40

Explicação do teólogo Gerson Linden sobre o Evangelho de Lucas 20.27-40, texto bíblico do culto desta segunda semana de novembro.


Mordomia da Oferta Cristã

Mordomia da Oferta Cristã

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Artigo - A verdade sobre a Estrela de Belém

Mark Thompson, membro da Sociedade Astronômica Real da Inglaterra, afirmou no Discovery Channel que encontrou explicação científica para a Estrela de Belém. Usando registros históricos e simulações de computador, que permitem o posicionamento das estrelas e dos planetas traçados no tempo em que Jesus nasceu, concluiu que houve um evento astronômico incomum – que ele define de “mudança de direção” de Júpiter com a conjunção da estrela Regulus. “Não cabe a mim dizer se realmente a Bíblia está certa ou errada, eu estou apenas desenhando sobre os fatos na minha frente”, disse o cientista.

É uma resposta recente da Astronomia, igual a tantas outras diante desta cena misteriosa relatada no Evangelho de Mateus. No entanto, se foi um episódio natural, ou se foi algo sobrenatural à semelhança dos milagres bíblicos, isto pouco importa para a teologia cristã. O que interessa mesmo é aquilo que os visitantes do Oriente encontraram nos braços de Maria. Até porque, se a Ciência conseguir comprovar a materialidade da famosa estrela lá no céu, por outro, nunca poderá explicar a divindade de Jesus aqui na terra. É uma questão de fé, mesmo que Luis Fernando Veríssimo diga que tudo não passa de crendice. Num de seus últimos artigos, sugeriu que “o Natal nos fornece símbolos de muito mais coisas e mais importantes do que questões de fé”. Sem surpresas para alguém que já disse ter deixado “a fé no bolso da última fatiota de calça curta e que nunca mais encontrou”.

Mas, cada um é livre para crer ou descrer. Até mesmo para buscar nas estrelas as respostas e não no Criador delas. Não foi o que fizeram os visitantes do Oriente. Eles foram guiados pelas Sagradas Escrituras e não pelos astros. Hoje poderia ser um GPS, mas as coordenadas ainda seriam divinas. Através das profecias do Antigo Testamento, no lombo do camelo, eles seguiram o rastro iluminado até o Salvador. Eles conheciam a seta: “Um rei, como uma estrela brilhante, vai aparecer naquela nação; como um cometa ele virá de Israel” (Números 24.17). Por isso a voz da profecia, que de Belém sairia o líder para guiar o povo de Deus (Mateus 2.6). Por isso a inspiração do poeta: “Nosso guia és tu, Jesus, através de mais um ano. O teu nome é nossa luz, que nos guardará do engano”.

Marcos Schmidt
Jornal NH de 6 de janeiro, 2011

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Artigo - Fome e obesidade

Depois da comilança no Natal e agora, Fim de Ano, surgem as famosas receitas para desintoxicar o organismo. Muita água, frutas e verduras, é o que sugerem. Um problema, no entanto, não só nesta época, e sim, no ano todo. Triste ironia, pois, enquanto seis milhões de pessoas no mundo morrem de fome todos os anos, 1,3 bilhões estão com excesso de peso.

Fome e obesidade. Contraditoriamente, as duas piores epidemias que vem aumentando a cada dia. Por incrível que pareça, a solução para a fome está no lixo. Uma pesquisa diz que o desperdício de comida no Brasil daria para alimentar 8 milhões de lares. Nem precisaria mais do Bolsa Família. No mundo, um terço dos alimentos se estraga nas prateleiras e lixeiras – enquanto 1 pessoa a cada 7 padece fome. Já boa parte do problema da obesidade está nos fast-foods. Na agitação da vida moderna, o fator tempo é algo escasso, e a praticidade da comida rápida virou a solução – pobre em proteínas e rica em gordura. Interessante. Para alguns falta comida, para outros, falta tempo para comer coisa boa.

Este também é um problema espiritual, quando a Palavra de Deus é comparada na Bíblia com o alimento. Muitos morrem porque não têm a Palavra, outros morrem porque não tem tempo para a boa Palavra. Não foi por nada que, através do profeta, Deus alertou: “Por que vocês gastam dinheiro com o que não é comida? Por que gastam o seu salário com coisas que não matam a fome? Se ouvirem e fizerem o que eu ordeno, vocês comerão do melhor alimento, terão comidas gostosas” (Isaías 55.2). O próprio Jesus chamou de “bem aventurados os que têm fome e sede de fazer a vontade de Deus, pois ele os deixará completamente satisfeitos” (Mateus 5.6).

Depois de tanta comida rápida e gordurosa do Papai- Noel, sem tempo para o nutritivo Pão da Vida (João 6.35), ainda resta a oportunidade na virada para um ano diferente. Igual ao que fez Zaqueu que preparou uma janta para Jesus em sua casa, e teve todo o tempo do mundo para uma saudável refeição. A desintoxicação foi tão eficaz que resolveu dar a metade dos seus bens aos que estavam com fome (Lucas 19.8). No final, a solução para a fome foi a própria obesidade.

Marcos Schmidt
Jornal NH de 30 de dezembro, 2010

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Artigo - Natal congestionado

Natal é gente saindo, é gente chegando. É tempo de pegar a estrada e seguir pelo caminho às origens. É o maior ciclo migratório no mundo humano. Algo parecido com a viagem de José e Maria à cidade de Belém, quando também somos obrigados a um recenseamento onde tudo começa. Qual a explicação disto? Por que nesta época o ponteiro da bússola insiste para o norte – este lugar magnetizado, conhecido e desconhecido ao mesmo tempo? De onde surge este sentimento que obriga no retorno para casa?

A situação caótica das pessoas presas nos aeroportos da Europa, coberta de neve, expressa bem a angústia humana em querer voltar. O Natal congestionado nas estradas, nas ruas, indica esta obsessão de chegar ao destino de cada um. De onde este desejo em retornar ao seio familiar, à casa dos pais? Ou, no caminho inverso, em ir até onde estão os filhos, os netos? Inexplicavelmente, Natal é uma inconsciente viagem para o sentido da vida. Mas, onde está a vida?

Creio que tenho a resposta para este desejo incontido no Natal. No ciclo migratório no mundo animal, a explicação está no instinto de sobrevivência que indica quando e para onde seguir. No nosso caso, a explicação está nas palavras do anjo aos pastores: “Hoje, em Belém, numa manjedoura, nasceu o Salvador de vocês”. Precisamos voltar para aquele que é o Caminho, a Verdade e a Vida (João 14.6). E precisamos voltar “hoje”, porque “hoje é o dia de ser salvo” (2 Coríntios 6.2). Sabemos disto. Está lá, no íntimo de cada um...

Mas, porque somos estrangeiros e peregrinos por este mundo (1 Pedro 2.11), nunca chegaremos ao destino enquanto a estrada estiver obstruída. Mesmo com os modernos meios de transporte, a humanidade não consegue sair do lugar. Por isto a necessidade de uma complexa engenharia: “Preparem o caminho para o Senhor passar! Abram estradas retas para ele” (Mateus 3.3). Como? João Batista deu as coordenadas: “Arrependam-se dos seus pecados porque o Reino do Céu está perto” (Mateus 2.3).

Natal é gente saindo, é gente chegando. Mas, é gente que não sabe para onde vai. Os viajantes do Oriente sabiam. Seguiram a estrela. Acreditaram na Profecia – na Palavra que é lâmpada para os pés e luz para o caminho (Salmo 119.105). Na verdade, no Natal nem é preciso sair porque é o Salvador que vem.

Marcos Schmidt
Jornal NH de 23 de dezembro, 2010

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Artigo - O “wikileaks” de cada um

O assunto é Wikileaks – um site na internet que publica documentos, fotos e informações confidenciais, vazadas de governos ou empresas, sobre assuntos sensíveis. No último dia 28 de novembro, esta organização divulgou mais de 250 mil documentos secretos enviados de embaixadas americanas ao redor do mundo a Washington. A maior parte dos dados trata de assuntos diplomáticos – que provocou reação negativa de diversos países e deixou o governo dos Estados Unidos muito envergonhado.

O logotipo do Wikileaks – o planeta Terra vazando – mostra bem que nestes tempos da Internet, nada fica em segredo por muito tempo. Tudo vaza. Bom e ruim ao mesmo tempo. Bom porque a gente fica sabendo de coisas que nunca deveriam ficar em segredo. Ruim porque, cedo ou tarde, os nossos próprios segredos e confidências estarão às vistas de todos. Quem sabe um cumprimento profético daquilo que disse Jesus sobre a falsidade: “Tudo o que está coberto vai ser descoberto, e o que está escondido será conhecido. Assim tudo o que vocês disserem na escuridão será ouvido na luz do dia. E tudo o que disserem em segredo, dentro de um quarto fechado, será anunciado abertamente” (Lucas 12.2,3).

O teólogo Dietrich Bonhoeffer, que morreu torturado nos campos nazistas, escreveu que nos acostumamos a viver com um duplo engano que permite até viver despreocupadamente. Acreditamos que os nossos erros ficarão para sempre no abismo do esquecimento, e que o oculto nunca será revelado. “Vivemos duas vidas, uma pública e uma escondida”, disse o mártir alemão. No tempo dele não tinha Internet, mas se referia ao engano humano diante do wikileaks divino.

Conta-se que uma viúva teve problemas com o testamento, e foi procurada por um advogado amigo que se ofereceu para cuidar da questão. No entanto, a viúva demorou em buscar auxílio jurídico. Percebendo a gravidade, foi ao encontro do advogado, mas este a recebeu com as seguintes palavras: - Sinto muito, mas agora fui escolhido para ser o juiz desta questão.

Escreve a Bíblia: “Se alguém pecar, temos Jesus Cristo...; ele nos defende diante do Pai” (1 João 2.1). É Advento, tempo para fugir dos nossos enganos e crer na reveladora história do Natal.

Marcos Schmidt
Jornal NH de 16 de dezembro, 2010

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Artigo - Sirene para o Natal

A triste história da adolescente que recebeu vaselina na veia no lugar de soro revela de forma trágica que um simples erro humano pode ser fatal. Um hospital de São Paulo, que tinha a tarefa de socorrer a paciente, seguiu pelo caminho inverso. As embalagens eram idênticas, mas os conteúdos bem diferentes. Já disse o Sábio que “há caminhos que parecem certos, mas podem acabar levando para a morte” (Provérbios 14.12). Segundo estatística, a probabilidade de morte decorrente de remédios mal administrados em pacientes hospitalizados é três vezes maior do que as mortes por acidente automobilístico.

Falhas humanas desta natureza estão cada vez mais evidentes quando depende-se da tecnologia para quase tudo nesta vida cibernética. A palavra “cibernética” vem do grego e significa “timoneiro”, aquele que pilota a embarcação. Hoje é um termo usual para expressar a complicada relação homem-máquina. Além da nociva dependência tecnológica, também nos transformamos em robôs ao fazer as coisas automaticamente – sem nos dar conta dos atos e das consequências. Deve ter sido assim com a enfermeira, também vítima da rotina estressante de um despreparado hospital. Ela não percebeu que injetava na veia da menina a própria morte.

É Advento, tempo para fugir da automação espiritual e refletir mais atentamente sobre o que é soro e o que é vaselina nesta sociedade que virou um grande e confuso hospital. Por isto a voz de João Batista, sempre destacada neste período no púlpito das igrejas: “Arrependam-se dos seus pecados porque o Reino do Céu está perto” (Mateus 3.2). Arrepender-se literalmente no grego é “mudar de mente”. Naquele tempo bíblico como hoje, as pessoas corriam sem saber para onde iam, e injetavam nas veias da alma uma religiosidade viscosa e mortal. Por isto a ordem: “Preparem o caminho para o Senhor passar” (3.3). Igual a ambulância que pede passagem, esta é estridente sirene para o Natal do Deus que se tornou gente a fim de salvar as gentes desenganadas. Graças a Deus que ainda é tempo para dar passagem...

Marcos Schmidt
Jornal NH de 9 de dezembro, 2010