Foto panorâmica da Igreja

Foto panorâmica da Igreja

Evangelho de Lucas 20.27-40

Explicação do teólogo Gerson Linden sobre o Evangelho de Lucas 20.27-40, texto bíblico do culto desta segunda semana de novembro.


Mordomia da Oferta Cristã

Mordomia da Oferta Cristã

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Artigo - Desinfetante do medo

Se a gente consegue sobreviver à violência dentro e fora de casa, aos acidentes domésticos e de trânsito, corre ainda o risco de ser abatido por inimigos que se alojam no corpo. Nas últimas semanas o assunto é dengue, febre amarela, hepatite A, e o terrível acinetobacter. Qualquer um poder ser a próxima vítima. Todos estão no meio de uma “guerra civil” e são alvo fácil de franco-atiradores. O Doutor Bactéria alerta que todo o cuidado é pouco. E se lavar as mãos era uma mania de gente com TOC, agora é a primeira recomendação.
“Se ficar o bicho pega, se correr o bicho come”. E agora? Qual a saída para manter-ser sadio também da cabeça? Pensando bem, esta é a moléstia mais contagiosa: o pânico. Mas, como não aumentar a adrenalina com tudo o que está acontecendo? É um sentimento normal que faz parte, e que tem nome: extinto de sobrevivência. Mas a questão é o equilíbrio emocional. Por exemplo, não adianta nada permanecer vivo e de corpo são, mas doido da cabeça. Trancado dentro de casa com receio de ser assaltado, sair na rua com guarda-costas, manter-se longe dos hospitais, encher-se de repelente, usar colete à prova de balas, e apesar de todos estes e outros cuidados, com a bactéria do pavor alojada nos pensamentos.
“Durante a vida inteira estamos sempre em perigo de morte” (2 Coríntios 4.11). Além das moléstias daqueles tempos desprovidos da medicina moderna, Paulo tinha outro perigo de morte: “...por causa de Jesus”. E de fato, sucumbiu sob o martírio, igual a tantos outros cristãos primitivos. Pode parecer anestesia mental, mas nestas horas quando a coisa encrespa, a genuína crença faz a diferença. Digo “genuína”, porque tem fé que imprime ainda mais o medo, o pavor de um “deus” que exige retorno, que cobra gratificação, que castiga aqueles que não cumprem as metas. Quantos vãos aos templos e saem ainda mais apavorados e senis?
No amor não há medo, escreve João. O amor que é totalmente verdadeiro afasta o medo (1 João 4.18). E porque ele tem esta certeza? Ele responde: Deus nos deu o seu Espírito (1 João 4.13). No Evangelho o mesmo apóstolo lembra as palavras do Salvador: Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu único Filho (João 3.16). Agora, na Epístola, ressalta: Deus é amor (1 João 4.16).
Isto não significa que um cristão tem o “corpo fechado” para as desgraças. Espalham o vírus da heresia aqueles que ensinam que doença, pobreza e todos os males são resultado da falta de fé. Se isto fosse verdade, os apóstolos seriam cristãos medíocres, e o próprio Senhor Jesus um fracassado. O que o cristão possui, na verdade, é aquilo que diz Paulo: Eu tenho a certeza de que nada pode nos separar do amor de Deus; nem os sofrimentos, nem as dificuldades, nem a perseguição, nem a fome, nem a pobreza, nem o perigo ou a morte (Romanos 8.35).
Pois nestes tempos onde o próprio lar está contaminado por medo e terror, só resta um desinfetante: Ainda que o meu pai e a minha mãe me abandonem, o Senhor cuidará mim. Confie no Senhor. Tenha fé e coragem (Salmo 27.10, 14).
Marcos Schmidt
Jornal NH de 10 de abril de 2008

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Artigo - A bactéria da violência

Entre as explicações sobre o caso do adolescente homicida de Novo Hamburgo, alguns acreditam que ele carrega o perfil de um serial killer - assassino em série. O assunto é de arrepiar. Não é um filme com controle na mão, mas a realidade sem controle. É o horror na vida da família, do bairro, da cidade. É o medo, perplexidade, insegurança. É uma saraivada de sentimentos misturados com o estresse cotidiano que atinge a todos, mesmo aqueles que estão bem longe. Longe? Na verdade, ninguém consegue ficar à distância. De alguma forma, todos estão envolvidos. É uma bactéria, um vírus, uma dengue que se espalha, contamina e mata.
De onde vem tudo isto? Herança genética, ambiente familiar, drogas, exclusão de uma sociedade doentia? Conseqüências da desigualdade social? Injustiça explicitada no consumismo do luxo versus miserabilidade no lixo? Mas o que dizer da barbárie praticada por uma empresária de Goiânia contra uma menina? Ou da chocante malvadez com a criança supostamente jogada do 6º andar em São Paulo? Que as suspeitas contra o pai e a madrasta não se confirmem! Qual a explicação para a morte do professor esfaqueado numa escola de Vacaria? Gostaríamos de acordar deste pesadelo, mas é tudo realidade. Está acontecendo mesmo.
Uma médica que trabalha com vítimas de atos violentos no Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo, fala de uma “epidemia democrática e abrangente”. Diz que há um aumento alarmante da violência envolvendo crianças, e boa parte disto tem ligação com o ambiente familiar, separações no casamento, famílias compostas por pais e mães que não são os de sangue. Comenta que, apesar do problema estar visivelmente exposto nas classes sociais baixas, nas outras camadas da sociedade ocorre de forma camuflada.
Não existe outra explicação: o problema está na família. Não vai ser a escola, os conselhos tutelares, o governo, ou qualquer outra instituição que possam dar um fim a esta agonia. É a família, é o casamento, é mãe e pai, é fidelidade, é respeito entre marido e mulher, é amor-sacrifício pelos filhos. Mas onde encontrar o “lar doce lar” nesta amarga sociedade, viciada no prazer, adoidada pelo consumismo, paganizada sob a tirania da tecnologia, moralizada pelas novelas, vidrada em Big-Brother, idealizada pelos fins que justificam os meios?
Entre as explicações dos especialistas sobre o caso deste menino matador e da violência generalizada, pode parecer simplista afirmar que tudo está na alma do ser humano. Aquele que ressuscitou explica: É de dentro do coração que vêm os crimes de morte (Marcos 7.21). O apóstolo ressalta: De onde vêm as brigas entre vocês? Elas vêm dos maus desejos que estão lutando dentro de vocês? Querem muitas coisas; mas como não podem tê-las, estão prontos até para matar a fim de consegui-las (Tiago 4.1,2).
O problema está no coração, mas a solução está fora dele: Cheguem perto de Deus, e ele chegará perto de vocês (Tiago 4.8). E se o pavor toma conta, lembro das perseverantes palavras do Salmo 16, conforme liturgia deste 3ª Domingo na Páscoa: Guarda-me, ó Deus, pois em ti eu tenho segurança! Tu, ó Senhor Deus, és tudo o que tenho... O meu futuro está nas tuas mãos; tu diriges a minha vida... Estou certo de que o Senhor está sempre comigo; ele está ao meu lado direito, e nada pode me abalar. Por isso o meu coração está feliz e alegre, e eu, um ser mortal, me sinto bem seguro.
Marcos Schmidt
Jornal NH de 3 de abril de 2008

quinta-feira, 27 de março de 2008

Artigo - O fariseu

A última grande ação da Polícia Federal tem inspiração bíblica. Sob o sugestivo nome “fariseu”, ela prendeu uma quadrilha que fraudava a concessão de certificados de filantropia. Segundo os policiais, integrantes do Conselho Nacional de Assistência Social recebiam propina para validar o título. O esquema envolve 60 entidades e um rombo de R$ 4 bilhões nos cofres públicos. A ação foi batizada de Operação Fariseu por considerar que os envolvidos agiam igual aos religiosos condenados por Jesus:
- Ai de vocês, mestres da Lei e fariseus, hipócritas! Pois vocês são como túmulos pintados de branco, que por fora parecem bonitos, mas por dentro estão cheio de ossos de mortos e podridão (Mateus 23.27).
Existe olho grande também nesta área. A maioria é gente honesta e dedicada no serviço voluntário, mas os corruptos conseguem fazer um tremendo estrago. Tanto que já existe a idéia de acabar com os incentivos fiscais à filantropia. Para 2008 são R$ 10,7 bilhões às 280 mil instituições filantrópicas do país, entidades que atuam nas áreas de educação, saúde e assistência social. Quanto deste dinheiro será bem usado, isto ninguém sabe, e por um fato bem simples: pouca fiscalização. Outra paulada na nossa cabeça já cheia de galos. Afinal, um dinheiro que sai da contribuição previdenciária e dos impostos.
O resultado disto é desastroso. Não existe mais confiança em nenhuma instituição, governamental ou privada. O que dizer do Detran, do Daer? E agora das entidades filantrópicas? Mas isto já era sabido. É fácil criar uma instituição filantrópica e receber verba. E depois ninguém pergunta sobre o destino dos recursos. A mesma coisa acontece com as entidades religiosas. É muito simples fundar uma religião. Alguém “iluminado” reúne meia dúzia de gente, cria um estatuto, vai ao cartório e pronto. O que segue depois, a Bíblia mesmo diz: a religião é uma fonte de muita riqueza (1 Timóteo 6.6).
Para continuar com a festança, tramita um projeto de lei no Congresso que confere o título de “teólogo” a qualquer um que pegar o telefone e ligar para Brasília. O autor é o senador Marcelo Crivella, bispo licenciado da Igreja Universal. Conforme o projeto, para ser teólogo, basta "praticar vida contemplativa" ou "realizar ação social na comunidade". Atualmente, teólogos devem ter formação em curso superior de graduação.
O Senhor Jesus nunca escondeu o jogo: Muitos falsos profetas aparecerão e enganarão bastante gente. A maldade vai se espalhar tanto, que o amor de muitos esfriará (Mateus 24.11,12). Mas então, acreditar em quem? Tal crise de confiança nos coloca no mesmo buraco. Políticos, religiosos, médicos, jornalistas, advogados, policiais, empresários, funcionários, todos sob a maldição da mentira, da desonestidade.
A coisa mais fácil é seguir pelo caminho largo desta famigerada corrupção. Dizem as Escrituras que os que praticam más ações crescem como a erva, e os perversos podem prosperar, porém eles serão completamente destruídos. (Salmo 92.7). É um alerta para os que querem se dar bem trapaceando. Alguém já viu uma pessoa desonesta com final feliz?
Diante do fascínio do caminho largo, é bom ouvir que na velhice os retos ainda produzem frutos; são sempre fortes e cheios de vida (Salmo 92.12,14). Por isto, que Deus nos proteja dos fariseus e do farisaísmo!
Marcos Schmidt
Jornal NH de 27 de março de 2008

quarta-feira, 26 de março de 2008

Artigo - Os braços da cruz

De que forma Jesus foi pregado na cruz? Da maneira como estamos acostumados a ver na cena tradicional? Pois uma nova imagem está dando o que falar. Num documentário da rede de televisão britânica BBC, Jesus aparece crucificado com os braços levantados para cima. O produtor do desenho tomou como referência o ossuário de uma pessoa crucificada no primeiro século da era cristã, descoberto em Jerusalém. E conclui que provavelmente está é a real imagem de Jesus na cruz.
Puro sensacionalismo para vender notícia. Sem falar que a “revelação” cheira a mofo: a descoberta arqueológica é de 1968. Depois de 40 anos isto é jogado na mídia com intenções bem explícitas. Dias atrás comentava com alguém: Qual será o fato bombástico nesta Páscoa tentando estremecer os fundamentos da fé cristã? E aí está: Jesus crucificado de braços levantados para cima. Isto já virou rotina nesta época - a divulgação de “fatos novos” que contradizem os ensinos básicos do cristianismo. Foi assim com a Tumba de Jesus, o Evangelho segundo Judas, o Código d’Vinci.
No entanto, esta polêmica imagem agride tão somente a tradição. Tanto faz se Jesus morreu na cruz de braços abertos para os lados ou para cima. O que interessa é o fato de que Deus acabou com a conta da nossa dívida, pregando-a na cruz (Colossenses 2.14). Até porque não existe nenhum registro nas Escrituras com descrições pormenorizadas, revelando detalhes das atrocidades contra o Filho de Deus no madeiro. A Bíblia não é sensacionalista. Aliás, se Deus quisesse chamar a atenção para este tipo de coisa, teria enviado o seu Filho nos atuais tempos tecnológicos. Imaginem todos os detalhes do Calvário, captados pelas indiscretas câmeras digitais?
Há quatro anos Mel Gibson justificou a excessiva violência nas imagens do filme A Paixão de Cristo, dizendo que “a idéia era mostrar a dimensão do martírio a que Cristo foi submetido para redimir a humanidade de seus pecados, de modo a provocar a reflexão sobre o sofrimento que cada homem impõe ao outro”. Parece que as chocantes imagens do filme já perderam tal dimensão. Assim como a própria violência, banalizada pelas insistentes cenas globais de horror, espalhadas via satélite.
Neste universo de imagens virtuais, o poder permanece na palavra real da cruz. É isto que provoca polêmica. Ou como escreve Paulo: A mensagem da morte de Cristo na cruz é loucura para os que estão se perdendo, mas para nós, que estamos sendo salvos, é o poder de Deus (1 Coríntios 1.18). Portanto, nada de novo sobre tais provocações da ciência humana, quando “Deus tem mostrado que a sabedoria deste mundo é loucura (1 Coríntios 1.20).
O que importa mesmo é a posição dos nossos braços, voltados para cima, de onde vem a salvação. Diferente de braços para os lados agarrando coisas que logo viram ossuários. Braços da tradição sobrecarregados pela contradição. Braços contraídos numa indigestão por peixes e chocolates estragados. Braços cruzados que abandonam a cruz de Cristo (Marcos 8.34). Braços que crucificam outra vez o Filho de Deus e zombam publicamente dele (Hebreus 6.6).
Pois, neste Gólgota de expectadores, o sensacionalismo continua atraindo multidões. E mais uma vez as atenções voltam-se para a cruz. Nela, os braços dele continuam abertos, não para cima, nem para os lados, mas em nossa direção.
Marcos Schmidt
Jornal NH de 13 de março de 2008

terça-feira, 18 de março de 2008

Artigo - Pecados e pecadinhos

Saiu uma lista dos novos pecados capitais: fazer modificação genética, poluir o meio ambiente, causar injustiça social, contribuir com a pobreza, tornar-se extremamente rico e usar e traficar drogas. Aqueles que não conheciam a antiga lista agora aprenderam com a novela: gula, luxúria, avareza, ira, soberba, vaidade e preguiça. Por falar nisto, colocaria mais um na fileira: contribuir com a audiência das novelas. Em todo o caso, isto foi publicado no jornal do Vaticano para adaptar à "realidade da globalização", explicam os teólogos católicos que diferenciam pecados capitais (maiores) dos veniais (menores).Lembro-me de alguém escrever que hoje os pecados capitais deveriam ser a autopromoção, hiperatividade, eterna juventude, ironia forçada, falsa humildade, esnobismo popular e voyeurismo. No entanto, lembro também que a Bíblia não faz diferença entre pecados e pecadinhos, dos tempos do Ari Pistola ou dos tempos pós-modernos. Ela simplesmente diz que todos se desviaram do caminho certo, que não há ninguém que faça o bem (Romanos 3.12). Que quem quebra um só mandamento da lei é culpado de quebrar todos (Tiago 2.10).
Assim, pouco importa queimar uma Amazônia ou incendiar um coração com ódio quando a balança é a mão de Deus. Jesus explicou isto para os fariseus: tirar a vida de alguém ou ofende-lo verbalmente é a mesma coisa; adulterar ou pensar “bobagens” carrega o mesmo grau de condenação (Mateus 6.21-30). O escândalo sexual do governador de Nova Iorque ou os olhares de “big-brother” na mulher do vizinho sofre o mesmo impeachment divino.
O termo grego mais usado no Novo Testamento para “pecado” é hamartia, que literalmente quer dizer “errar o alvo”. O apóstolo Paulo insiste com sua inspirada pena sobre o pergaminho: Todos pecaram e estão afastados da presença gloriosa de Deus, mas Deus ofereceu Cristo para o perdão dos que crêem (Romanos 3.23-26). Do começo ao fim as Escrituras jogam esta radiante notícia aos quatro ventos: o pecado perdeu o poder de condenação; quem agora pode alguma coisa é a soberba descrença.
Mas a Bíblia fala em pecado mortal (1 João 5.16). Ela mesma explica: Deus nos deu a vida eterna, e essa vida é nossa por meio do seu Filho. Quem tem o Filho tem a vida; quem não tem o Filho de Deus não tem a vida (1 João 5.11,12). Portanto, pecado mortal é a insistente rejeição da existência do próprio pecado e do perdão. Por isto as palavras: Se dizemos que não temos pecado, estamos nos enganando, e não há verdade em nós. Mas, se confessamos os nossos pecados a Deus, ele cumprirá a sua promessa e fará o que é correto: ele perdoará os nossos pecados e nos limpará de toda maldade (1 João 1.8,9).
Este foi o erro de Judas. Não foi a ganância nem a traição dele, mas o descrédito no amor de Jesus. Se deu conta da infâmia, mas deixou escorrer entre os dedos do desespero a graciosa água do perdão. Enquanto isto, em vez de pendurar o pescoço, Pedro enforcou sua prepotência e traição. Simplesmente porque acreditou nas palavras: Deus anulou a conta da nossa dívida pregando-a na cruz (Colossenses 2.14).
Por falar em lista, interessante mesmo a publicação do salmista: Se tu tivesses feito uma lista dos nossos pecados, quem escaparia da condenação? Mas tu nos perdoas, e por isso nós te tememos (Salmo 130.3,4).
Marcos Schmidt
Jornal NH de 13 de março de 2008