Foto panorâmica da Igreja

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Evangelho de Lucas 20.27-40

Explicação do teólogo Gerson Linden sobre o Evangelho de Lucas 20.27-40, texto bíblico do culto desta segunda semana de novembro.


Mordomia da Oferta Cristã

Mordomia da Oferta Cristã

quinta-feira, 15 de março de 2012

Sermão Pastor Marcos - 3º Domingo na Quaresma - 2012


3º Domingo na Quaresma – 2012

Trienal B: Sl 19.7-14 Ex 20.1-17 1 Co 1.18-31 Jo 2.13-22
Tema: A prova que temos é o poder do Evangelho!
pastor Marcos Schmidt

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    Todos devem estar acompanhando a notícia sobre a proibição dos crucifixos nas salas do Judiciário do Rio Grande do Sul. A Justiça do Estado acatou o pedido da ONG Liga Brasileira de Lésbicas, e vai retirar crucifixos e símbolos religiosos de todas as salas do Judiciário do Estado.  O argumento  da Liga de Lésbicas vem da Constituição que garante liberdade religiosa e a separação entre estado e religião. Com isto, pretendem afastar a influência religiosa de decisões polêmicas, como o casamento homossexual, aborto e outros assuntos.
Se considerarmos o que diz a Constituição Brasileira, esta medida está correta, mesmo que isto seja um ato concreto de perseguição à fé cristã. O assunto não é novo, e penso que nós cristãos precisamos cada vez mais nos preparar com aquilo que a Bíblia sempre alertou, que os cristãos serão perseguidos.
    O crucifixo (Jesus pregado na cruz) é o principal símbolo para católicos e algumas igrejas protestantes. A maioria das igrejas evangélicas é contra o crucifixo e símbolos cristãos. Lutero era favorável à iconografia, isto é, a mensagem comunicada pelos ícones, ao contrário de seu conterrâneo Carlstad que liderou um movimento iconoclasta – literalmente “quebrar imagens”. Para Lutero, a igreja não deveria perder a referência dos símbolos litúrgicos nem o exemplo dos cristãos do passado, e por isso não restringiu o uso das imagens, mas sim, rejeitou a função mediadora ou poderosa conferida a elas – só Cristo é o Mediador entre Deus e os seres humanos (1 Timóteo 2.5).
      Em todo o caso, a proibição do crucifixo nas salas do Judiciário, de alguma forma aponta para a leitura da Epístola deste culto, quando Paulo escreve que “a mensagem da morte de Cristo na cruz é loucura para os que estão se perdendo” (1 Co 1.18). Mais adiante ele diz que para os judeus a cruz é ofensa, é escândalo, e para os não judeus a cruz é loucura.
Para os judeus era escândalo, porque eles nunca aceitaram que Jesus era o Messias,  Filho de Deus – e quando Jesus foi pregado na cruz, ficaram ofendidos por ele ser chamado pelos romanos de Rei dos Judeus – um título que foi colocado na cruz. Para os não judeus, os gentios, um Deus na cruz era loucura. Assim como hoje, quando os descrentes olham para a nossa cara, e dizem: - Como é que vocês podem acreditar nesta bobagem, de um homem-Deus morrer para salvar a humanidade.
    Não há dúvida de que esta decisão dos juízes gaúchos é a concretização mais enfática de que a cruz é ofensa e loucura para as pessoas descrentes.
    Mas, como disse: isto não deve nos surpreender. Isto é a perseguição de forma evidente e objetiva.
    No entanto, os textos bíblicos de hoje não querem falar dos descrentes ou aos descrentes – aqueles que não aceitam a cruz e até perseguem os cristãos. As leituras têm um recado para nós, aqueles de quem fala Paulo na epístola: “Mas para aqueles que Deus tem chamado, tanto judeus como não judeus, Cristo é o poder de Deus e a sabedoria de Deus (1 Co 1.24).
E sabem meus irmãos, que nós cada vez mais estamos precisando ouvir e acreditar nisto, que Cristo é o poder e a sabedoria de Deus! Se começarmos a dar ouvidos para aquilo que está acontecendo em nossa volta, vamos acreditar o contrário, de que Cristo é a fraqueza e a ignorância de Deus.
    É assim que nós, seguidores de Jesus, nos sentimos muitas vezes: fracos e ignorantes. Ligamos a televisão e só ouvimos e vemos coisas que vão contra a nossa fé. Lemos as revistas e os jornais, e lá estão pessoas denegrindo e difamando a Palavra de Deus. Conversamos e nos relacionamos com as pessoas descrentes, ou de outra religião, e dependendo da conversa, somos colocados contra a parede, sem saber o que responder ou o que fazer.
    Na verdade, é muito fácil e até confortável nosso convívio aqui na igreja, de estar no culto, ouvir a Palavra de Deus... Mas, é só colocar o pé lá fora, e já sentimos na pele todo o desconforto de ser um cristão.
Sem falar dos nossos filhos, que voltam da escola com tantas dúvidas. Ouvem dos professores ensinamentos, teorias e histórias que desmerecem e desacreditam o que ouviram e aprenderam em casa e na igreja.
     Na aula de biologia eles aprendem a usar preservativos contra doenças sexuais e gravidez, enquanto que em casa e na igreja aprenderam que o corpo é templo do Espírito Santo e não devem viver a imoralidade.
   Quem está certo? Os costumes modernos, a ciência humana, ou aquilo que os mandamentos de Deus prescrevem? Será que Palavra de Deus está ultrapassada?
Será que ainda podemos dizer aquilo que está no Salmo 19(7), que “a lei do Senhor é perfeita e nos dá novas forças”? Que “os seus conselhos merecem confiança e dão sabedoria às pessoas simples”?
    Nesta semana assistimos na tevê a história do casal homossexual de Pernambuco que buscou a fertilização in vitro para ter uma filha. Um doou o sêmen e o outro recebeu ajuda da prima através da reprodução assistida. É a primeira criança brasileira que tem dupla paternidade no seu registro de nascimento. Segundo o juiz que deu o parecer, importa o afeto dos pais e não o sexo deles. E agora? Somos preconceituosos, homofóbicos porque cremos que Deus criou o homem e a mulher para o casamento, e que a relação de homem com homem e mulher com mulher é uma transgressão à ordem natural criada por Deus?

   Vejam irmãos e irmãs, como é importante cada vez mais ouvir isto que diz o Salmo 19, que “os ensinos do Senhor são certos e alegram o coração. Os seus ensinamentos são claros e iluminam a nossa mente” (8).

   Nós não somos os juízes do mundo e nem temos a missão de impor a vontade de Deus revelada nas Escrituras, e muitos menos levar o castigo às pessoas que não têm a mesma fé e a nossa maneira de viver. Não temos o mesmo poder e autoridade que Jesus tem, poder demonstrado  quando expulsou do Templo com um chicote aqueles que profanaram a casa de Deus. Isto é importante sabermos e praticarmos. Porque muitas vezes, aos nos sentirmos ultrajados e perseguidos em nossa fé, usamos a Palavra de Deus como um chicote, querendo defender a moralidade, e tudo aquilo que acreditamos.
Na verdade, nós fomos chamados para sermos testemunhas de Jesus, e não advogados dele.

    É claro, que isto não quer dizer que não devemos anunciar a lei descrita nos mandamentos, conforme a leitura bíblica de hoje, e até advertir aqueles que desprezam a vontade de Deus e vivem em pecado. Mas precisamos sempre lembrar que somos também pecadores, e merecemos o castigo de Deus na mesma medida que qualquer pecador.
 
     A única e grande diferença é que estamos sob a graça de Deus pela fé que temos em Jesus Cristo. Por isto então as palavras da epístola:
- Isso quer dizer que ninguém pode ficar orgulhoso, pois sabe que está sendo visto por Deus. Porém Deus uniu vocês com Cristo Jesus e fez com que Cristo seja a nossa sabedoria. E é por meio de Cristo que somos aceitos por Deus, nos tornamos povo de Deus e somos salvos. Portanto, como dizem as Escrituras Sagradas: Quem quiser se orgulhar, que se orgulhe daquilo que o Senhor faz ” (1 Co 1.29,30,31).

    E o que o Senhor faz e que deve nos orgulhar? Cristo faz com que sejamos aceitos por Deus, mesmo sendo pecadores e merecedores de castigo.

Portanto, quando o assunto é pecado, precisamos baixar a crista. Não temos o direito de apontar o dedo para qualquer pecador, mesmo que seja um ladrão, um assassino, um homossexual, um adúltero, ou outro qualquer.

   Este foi o problema daqueles que estavam no tempo, e transformaram inclusive o culto e adoração num negócio. Jesus não expulsou os pagãos e gentios do Templo. Ele expulsou os judeus, os chamados “filhos de Deus” – estes que jogavam pedras nas prostitutas, que julgavam e condenavam os pecadores, mas eram tão ou piores pecadores, e ainda lucravam fazendo negócios com os sacrifícios que eram oferecidos a Deus.

   Ao Jesus expulsar os cambistas do Templo com um chicote de couro, quis mostrar exatamente isto, de que ele é o Filho de Deus e tinha autoridade para tanto – afinal, ele é o único santo, sem pecado, que tem todo o direito de ficar indignado e revoltado contra o pecado. Até porque, foi ele que entregou a sua vida e carregou a culpa dos pecados da humanidade.

   Por isto a pergunta dos líderes judeus que não acreditavam nesta autoridade divina e messiânica de Jesus:
- Que milagre você pode fazer para nos provar que tem autoridade para fazer isto? Jesus respondeu: Derrubem este Templo, e eu o construirei de novo em três dias! Eles disseram: A construção deste Templo levou  quarenta e seis anos, e você diz que vai construí-lo de novo em três dias?

   O próprio Evangelho então explica que o templo que Jesus falou é o seu próprio corpo.

   É por isto que o apóstolo Paulo mais tarde escreve, conforme ouvimos na Epístola, que os judeus pedem milagres como prova. É o que as pessoas nos pedem hoje: Qual é a prova que vocês têm para nos convencer que isto tudo é verdade?

   A prova que nós temos continua a mesma que Jesus entregou aquelas pessoas: em três dias ele reconstruiu o tempo. Ou seja, a prova é a sua ressurreição.

   Alguém pode estão estar pensando: Mas pastor, que prova é esta, a ressurreição de Jesus? Até agora ninguém provou que Jesus está vivo?

   De fato, não existem provas científicas que Jesus ressuscitou. E não existem por uma razão explicada pelo próprio apóstolo Paulo em nossa epístola. Ouçam mais uma vez o que ele diz:
Pois Deus, na sua sabedoria, não deixou que os seres humanos o conhecessem por meio da sabedoria deles. Pelo contrário, resolveu salvar aqueles que crêem e fez isso por meio da mensagem que anunciamos, a qual é chamada de louca (1 Co 1.21).

   Portanto, se é este tipo de prova, da sabedoria, sobretudo da ciência humana vista hoje na tecnologia tão sofisticada – então o poder de Deus continuará escondido. Até porque, se Deus quisesse salvar a humanidade por meio deste tipo de prova, então ele teria mandado o seu Filho hoje, e não há dois mil anos atrás. Imaginem hoje todas as câmeras fotográficas filmando Jesus saindo da sepultura...

    Mas, como disse Paulo, Deus “resolveu salvar aqueles que crêem e fez isso por meio da mensagem que anunciamos”. Ou seja, o poder está no Evangelho. Um poder que mudou a nossa vida, e que faz aquilo que diz o Salmo: “A lei do Senhor é perfeita e nos dá novas forças”.

    E para terminar. Paulo diz algo que deve nos fazer refletir quando somos tentados a pensar que felizes são as pessoas deste mundo, que não tem esta cruz que Jesus mandou que nós carregássemos. Ele escreve: “Deus tem mostrado que a sabedoria deste mundo é loucura”.

   É cada vez mais visível nesta sociedade tão afastada de Deus o quanto as pessoas descrentes estão desorientadas, infelizes e loucas. Deus também ama estas pessoas e entregou a nós o poder para elas recebam aquilo que nós já temos. Amém.