Foto panorâmica da Igreja

Foto panorâmica da Igreja

Evangelho de Lucas 20.27-40

Explicação do teólogo Gerson Linden sobre o Evangelho de Lucas 20.27-40, texto bíblico do culto desta segunda semana de novembro.


Mordomia da Oferta Cristã

Mordomia da Oferta Cristã

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Artigo - Reflexões no congestionamento

O nosso jeito de viver não tem mais sentido – se é que um dia teve. É só parar um pouco e descobrir que estamos andando em círculo, isto é, a lugar nenhum. Se bem que parar é o que mais se faz. Um estudo diz que os congestionamentos atingem 1/3 da população brasileira, e desse total, 20% ficam presas no trânsito mais de uma vez por dia. O mais absurdo é que se paga muito caro para esta prisão de quatro rodas. Pelas contas, o transporte hoje tem os mesmos custos da alimentação, ou seja, 20% de nossa renda. Não é uma loucura? Construímos veículos sofisticados que consomem boa parte de nosso salário, para depois nos deixarem presos e estressados no asfalto?

E se descobrimos que as ruas não mais suportam tantos carros, o que dizer do congestionamento populacional? Os demógrafos dizem que no dia 31 de outubro de 2012 vai nascer o “bebê número 7 bilhões”. Tem espaço para tanta gente? Os cientistas calculam que há comida suficiente no mundo para nos alimentar até em 2050, quando a população do planeta será de 9 bilhões – mas isto ainda depende do uso adequado dos recursos naturais.

Mas este é nosso drama, estamos acabando com os recursos do planeta – esta “nave espacial” com combustível, água, alimento e condições de sobrevivência que estão se esgotando na prateleira. E com isto chegamos a conclusão do autor de Eclesiastes (2.1-11). Ele buscou cegamente o prazer da bebida, do consumismo, da riqueza, da promiscuidade, do individualismo, mas no final descobriu que era tudo ilusão. Hoje vivemos no topo do consumismo tecnológico, mas descobrindo que, além de ilusão, tudo retorna em lixo tóxico e destrutivo.

Quando a Bíblia diz que “por meio do Filho, Deus resolveu trazer o Universo de volta para si mesmo” (Colossenses 1.20), tal promessa de um novo céu e uma nova terra (Apocalipse 21.1) não elimina a responsabilidade humana e, sobretudo cristã, de cuidar do Jardim (Gênesis 2.15). Creio que podemos aproveitar este tempo quando ficamos presos nos congestionamentos, e refletir neste jeito louco de viver. Não vamos individualmente resolver os graves problemas do planeta, mas não precisamos cooperar na degradação dele.

Marcos Schmidt
Jornal NH de 27 de janeiro, 2011

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Artigo - A solidariedade eficaz

A palavra que mais se ouve nesta tragédia no Rio de Janeiro é solidariedade. Vem de sólido, chão firme, base que oferece apoio. Tem a mesma raiz etimológica de consolo. No entanto, a solidariedade eficaz, o consolo que realmente ajuda é aquele que prepara, avisa, salva antes de acontecer. Não foi o caso na serra carioca. Poderia ser diferente se o Sistema Nacional de Alerta e Prevenção de Desastres Naturais, prometido agora pelo governo, já estivesse funcionando.

Interessante que na pior chuvarada que se tem notícia, aparece um homem chamado de “consolo” na língua hebraica. Noé – que nasceu para socorrer os flagelados na terra amaldiçoada (Gênesis 5.29) e sujeita às catástrofes e sofrimentos (Romanos 8.22). O famoso meteorologista bíblico alertou por 120 anos sobre o dilúvio, mas a maioria zombou dele. O próprio Jesus lembrou dele, ao afirmar que o Juízo Final “será como aquilo que aconteceu no tempo de Noé” (Mateus 24.37). Foi pensando também em temporal que Jesus disse que quem ouve e vive os ensinamentos dele é “como um homem sábio que construiu a sua casa na rocha. Caiu a chuva, vieram as enchentes... porém ela não caiu porque havia sido construída na rocha” (Mateus 7.24,25). Apenas uma comparação quando Jesus é chamado de “pedra de muito valor” que não deixará ninguém que crê desiludido (1 Pedro 2.6).

Cedo ou tarde passaremos por tragédias. Chuvas torrenciais, morros deslizando, vales devastados, são a coisa mais certa. Doenças, acidentes, mortes, sofrimentos dos mais diversos, ninguém escapa. Diante disto, a pergunta: temos um plano de emergência, uma “defesa civil”? Temos um consolo que ajuda? Uma cena que me chamou atenção nesta tragédia carioca foi o testemunho de um pai, resgatado junto com o seu filho de dois anos. A esposa e a sogra morreram. Enquanto era entrevistado pelo repórter do Fantástico, ao seu lado aparecia uma Bíblia aberta. Sem dúvida, junto com todo o consolo material e psicológico, só mesmo a solidariedade de um Deus que deu a sua palavra, a sua solidariedade. Por isto o pedido, e logo a resposta: “Olho para os montes e pergunto: De onde virá o meu socorro? O meu socorro vem do Senhor, que fez o céu e a terra. Ele está sempre alerta” (Salmo 121).

Marcos Schmidt
Jornal NH de 20 de janeiro, 2011

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Artigo - A gente é aquilo que vê

“Todo mundo, sem exceção, é um pouco voyeur”, comenta o psicólogo Jacob Goldberg ao tratar sobre o Big-Brother. Mas explica que pode virar doença quando a pessoa deixa de almoçar para ver o outro almoçando, ou de trabalhar para não perder um lance da vida do vizinho. Para o psicanalista Jurandir Freire, existe também o perigo das más influências. Diz que “as pessoas de uma maneira geral querem encontrar na vida dos outros exemplos para entender e resolver questões de suas próprias vidas. O erro é que essas pessoas que se expõem são as menos indicadas para servir como parâmetro, como exemplo de vida”.

Qual a influência desses reality shows? Boa, ruim, nenhuma? Conseguimos mudar de canal ou até mesmo desligar a televisão? Referindo-se a este Big-Brother, o seu diretor deixou escapar: “Liberei a porrada entre eles! Será que vai rolar?”. Eles sabem que quanto mais brigas, cenas íntimas, e questões polêmicas iguais à transexualidade de uma atual participante – o resultado é audiência e o retorno financeiro. E é isto o que interessa.

Um exemplo clássico na Bíblia de voyeurismo e exibicionismo é a história de Davi e Bate-Seba (2 Samuel 11). Sem câmeras e binóculos, mas no terraço do seu palácio, o rei enxergou uma mulher muito bonita tomando banho. A história terminaria bem diferente se Davi fixasse os olhos mais na sua esposa, e Bate-Seba fechasse a cortina da janela sem provocar o rei. Mais tarde, Salomão, filho deste caso extraconjugal, recomendou sobre o adultério: “Tenha cuidado com o que você pensa, pois a sua vida é dirigida pelos seus pensamentos” (Provérbios 4.23). Ele ainda poderia dizer que os pensamentos são dirigidos pela visão.

“Venha ver”, disse Filipe para Natanael a respeito de Jesus (João 1.46). Ele foi, viu, e se tornou discípulo. Jesus já tinha dito para André e Pedro: “Venham ver”. E o resultado foi o mesmo. É o Evangelho do próximo Domingo na liturgia cristã, e que faz refletir nesta época de alta definição das telas: o mundo carece de boas imagens para ser melhor. Porque nada adianta uma tela grande, limpa e colorida, quando o que se vê é pequeno, sujo e obscuro. Sem dúvida, a gente pensa, faz e é aquilo que vê.

Marcos Schmidt
Jornal NH de 13 de janeiro, 2011

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Artigo - A verdade sobre a Estrela de Belém

Mark Thompson, membro da Sociedade Astronômica Real da Inglaterra, afirmou no Discovery Channel que encontrou explicação científica para a Estrela de Belém. Usando registros históricos e simulações de computador, que permitem o posicionamento das estrelas e dos planetas traçados no tempo em que Jesus nasceu, concluiu que houve um evento astronômico incomum – que ele define de “mudança de direção” de Júpiter com a conjunção da estrela Regulus. “Não cabe a mim dizer se realmente a Bíblia está certa ou errada, eu estou apenas desenhando sobre os fatos na minha frente”, disse o cientista.

É uma resposta recente da Astronomia, igual a tantas outras diante desta cena misteriosa relatada no Evangelho de Mateus. No entanto, se foi um episódio natural, ou se foi algo sobrenatural à semelhança dos milagres bíblicos, isto pouco importa para a teologia cristã. O que interessa mesmo é aquilo que os visitantes do Oriente encontraram nos braços de Maria. Até porque, se a Ciência conseguir comprovar a materialidade da famosa estrela lá no céu, por outro, nunca poderá explicar a divindade de Jesus aqui na terra. É uma questão de fé, mesmo que Luis Fernando Veríssimo diga que tudo não passa de crendice. Num de seus últimos artigos, sugeriu que “o Natal nos fornece símbolos de muito mais coisas e mais importantes do que questões de fé”. Sem surpresas para alguém que já disse ter deixado “a fé no bolso da última fatiota de calça curta e que nunca mais encontrou”.

Mas, cada um é livre para crer ou descrer. Até mesmo para buscar nas estrelas as respostas e não no Criador delas. Não foi o que fizeram os visitantes do Oriente. Eles foram guiados pelas Sagradas Escrituras e não pelos astros. Hoje poderia ser um GPS, mas as coordenadas ainda seriam divinas. Através das profecias do Antigo Testamento, no lombo do camelo, eles seguiram o rastro iluminado até o Salvador. Eles conheciam a seta: “Um rei, como uma estrela brilhante, vai aparecer naquela nação; como um cometa ele virá de Israel” (Números 24.17). Por isso a voz da profecia, que de Belém sairia o líder para guiar o povo de Deus (Mateus 2.6). Por isso a inspiração do poeta: “Nosso guia és tu, Jesus, através de mais um ano. O teu nome é nossa luz, que nos guardará do engano”.

Marcos Schmidt
Jornal NH de 6 de janeiro, 2011

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Artigo - Fome e obesidade

Depois da comilança no Natal e agora, Fim de Ano, surgem as famosas receitas para desintoxicar o organismo. Muita água, frutas e verduras, é o que sugerem. Um problema, no entanto, não só nesta época, e sim, no ano todo. Triste ironia, pois, enquanto seis milhões de pessoas no mundo morrem de fome todos os anos, 1,3 bilhões estão com excesso de peso.

Fome e obesidade. Contraditoriamente, as duas piores epidemias que vem aumentando a cada dia. Por incrível que pareça, a solução para a fome está no lixo. Uma pesquisa diz que o desperdício de comida no Brasil daria para alimentar 8 milhões de lares. Nem precisaria mais do Bolsa Família. No mundo, um terço dos alimentos se estraga nas prateleiras e lixeiras – enquanto 1 pessoa a cada 7 padece fome. Já boa parte do problema da obesidade está nos fast-foods. Na agitação da vida moderna, o fator tempo é algo escasso, e a praticidade da comida rápida virou a solução – pobre em proteínas e rica em gordura. Interessante. Para alguns falta comida, para outros, falta tempo para comer coisa boa.

Este também é um problema espiritual, quando a Palavra de Deus é comparada na Bíblia com o alimento. Muitos morrem porque não têm a Palavra, outros morrem porque não tem tempo para a boa Palavra. Não foi por nada que, através do profeta, Deus alertou: “Por que vocês gastam dinheiro com o que não é comida? Por que gastam o seu salário com coisas que não matam a fome? Se ouvirem e fizerem o que eu ordeno, vocês comerão do melhor alimento, terão comidas gostosas” (Isaías 55.2). O próprio Jesus chamou de “bem aventurados os que têm fome e sede de fazer a vontade de Deus, pois ele os deixará completamente satisfeitos” (Mateus 5.6).

Depois de tanta comida rápida e gordurosa do Papai- Noel, sem tempo para o nutritivo Pão da Vida (João 6.35), ainda resta a oportunidade na virada para um ano diferente. Igual ao que fez Zaqueu que preparou uma janta para Jesus em sua casa, e teve todo o tempo do mundo para uma saudável refeição. A desintoxicação foi tão eficaz que resolveu dar a metade dos seus bens aos que estavam com fome (Lucas 19.8). No final, a solução para a fome foi a própria obesidade.

Marcos Schmidt
Jornal NH de 30 de dezembro, 2010