Foto panorâmica da Igreja

Foto panorâmica da Igreja

Evangelho de Lucas 20.27-40

Explicação do teólogo Gerson Linden sobre o Evangelho de Lucas 20.27-40, texto bíblico do culto desta segunda semana de novembro.


Mordomia da Oferta Cristã

Mordomia da Oferta Cristã

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Artigo - Raio-X que mostra tudo

Um aeroporto britânico testou na semana passada uma máquina que permite ver os passageiros sem roupa. É um raio-x de segurança para procurar armas ou explosivos escondidos no corpo de terroristas suicidas. O aparelho mostra qualquer material dentro ou fora do corpo, além do contorno em preto e branco das partes íntimas do passageiro. Mas os responsáveis explicam que as imagens serão vistas apenas por um funcionário, não podem ser arquivadas e serão destruídas logo após o exame.
Esta máquina, que vai deixar muita gente ruborizada, me fez lembrar um texto bíblico: “Pois a Palavra de Deus (...) vai até o lugar mais fundo da alma e do espírito, vai até o íntimo das pessoas e julga os desejos e pensamentos do coração delas. Não há nada que se possa esconder de Deus.” (Hebreus 4.12,13). É a checagem da lei divina que nos deixa “pelados” não do corpo, mas da alma. E que revela as bombas explosivas que todos carregam, descritas por Jesus (Marcos 7.21-23) e pelo apóstolo Paulo (Gálatas 5.19-21).
E na hora da vistoria não sobra um. “Não há ninguém que faça o bem” (Romanos 3.12). Mas sempre aparece um esperto que tenta um jeitinho, tipo o pretensioso jovem milionário com o seu “desde criança eu tenho obedecido a todos os mandamentos” (Marcos 10.20). Jesus não engoliu a santidade do rapaz e fez o último teste: - Bom, se você é santo igual a mim, então pode seguir o meu exemplo, eu que abandonei toda a minha riqueza no reino celestial. Larga todos os seus bens e me siga.
Isto foi um balde d’água fria. O santo de pau oco não conseguia obedecer nem o primeiro mandamento. Foi embora. E Jesus então disse uma coisa que deixa muita gente rica apavorada: – É mais difícil um rico entrar no Reino de Deus do que um camelo passar pelo fundo de uma agulha. O problema, na verdade, não é o dinheiro e sim esta idéia de querer subornar o guarda e tentar passar por fora, sem os olhos deste raio-x. O que é impossível.
– Então, quem é que pode se salvar? A pergunta foi feita pelos espantadíssimos discípulos a Jesus. – Para os seres humanos isso não é possível; mas para Deus é. Pois para Deus tudo é possível (Marcos 10.27), respondeu o Salvador. Pois esta é a fantástica notícia quando a Bíblia mostra o jeito de escapar: se vestir com as qualidades de Cristo (Gálatas 3.27). Jesus é a roupa que esconde as bombas explosivas da natureza humana e o meio para desativá-las. Foi ele mesmo quem disse: Eu sou o check-in do aeroporto para o céu (João 10.9).
Marcos Schmidt
Jornal NH de 22 de outubro de 2009

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Artigo - Professor honrado e feliz

Um decreto federal de 1963 explica a razão para o feriado deste 15 de outubro: "Para comemorar condignamente o Dia do Professor, os estabelecimentos de ensino promoverão solenidades em que se enalteça a função do mestre na sociedade moderna, fazendo participar os alunos e as famílias". Isto é do tempo em que professor mandava no aluno e era respeitado. Havia educação na sala de aula porque ela vinha de casa. Hoje professor virou guarda de trânsito e as regras pouco resolvem. Mas então qual o jeito para enaltecer a função do professor quando a maior honra é o respeito na sala de aula?
Será que é seguindo o exemplo de um projeto de lei na Câmara de Vereadores de Porto Alegre? A lei permite que os guardas municipais fiquem escondidos com o radar móvel para multar os motoristas infratores. Mas um especialista em trânsito diz que “a função dos agentes de trânsito deve ser educativa e não punitiva”. Creio que o mesmo vale para o professor. Além do mais, “pardais” de tocaia, câmeras de vigilância resolvem apenas um problema localizado e momentâneo e deixam um rastro de desconfiança, desconforto e insatisfação.
Creio que o caminho para enaltecer o professor segue o mesmo princípio de uma recomendação bíblica que diz respeito àqueles que ensinam a Palavra de Deus. Lemos na carta aos Hebreus: “Obedeçam aos seus líderes e sigam as suas ordens, pois eles cuidam sempre das necessidades espirituais de vocês porque sabem que vão prestar contas disso a Deus. Se vocês obedecerem, eles farão o trabalho com alegria; mas se vocês não obedecerem, eles trabalharão com tristeza, e isso não ajudará vocês em nada” (13.17). Não é por nada que os sacerdotes da escola estão desanimados, tristes. E quem perde é toda uma sociedade que depende de bons cidadãos. A conseqüência é esta falta de educação no trânsito e na sociedade em geral. Um problema que vem da escola, que vem de professores desanimados. Um problema que começa mesmo em casa, porque professor existe para ensinar e não para educar.
Por isto nada resolve encher as escolas com câmeras e transformar os professores em policiais se quisermos mestres que ensinem com alegria e entusiasmo, e filhos preparados para a vida profissional e social. Aliás, o próprio Mestre Jesus necessitou de discípulos que o amassem para que a lição do reino de Deus fosse aprendida. E depois de honrado, não teve receio de se rebaixar lavando os pés deles. “Se eu, o Senhor e o Mestre, lavei os pés de vocês”, então façam o mesmo, lembra o Salvador (João 13.14). No final, a melhor educação é a humildade em aprender.
Marcos Schmidt
Jornal NH de 15 de outubro de 2009

domingo, 11 de outubro de 2009

Artigo - Recall das crianças

O problema é que a gente esquece que os filhos são um presente de Deus, que são uma verdadeira bênção (Salmo 127) e entope os coitadinhos com presentes, coisas que eles também logo esquecem e jogam fora. E daí, no lugar de bênção viram maldição. Por tudo o que vem acontecendo nas famílias, o Dia das Crianças deveria ser uma ocasião para a reflexão e o arrependimento e não para o comércio e os presentes. Ou então vamos continuar brincando de casinha, ou simplesmente ameaçá-los com “vou te mandar para o conselho tutelar”.
Mas se a gente considerar o Salmo 127, o texto sublinha antes de lembrar que os filhos são uma bênção: “Se o Senhor Deus não edificar a casa não adianta nada trabalhar para construí-la”. Convenhamos, se cremos que a criança não é mero produto de um óvulo fecundado, um acaso da mãe natureza, um macaquinho evoluído, mas obra de Deus que tem alma, então está na cara – é ele, o Criador que pode nos oferecer os detalhes sobre o funcionamento destas criaturinhas. Mas daí vem o cara que sabe tudo – aquele que diz “pode deixar comigo”. E a burrada está feita! O que explica em grande parte os problemas com estes anjinhos – que podem ser bons ou maus dependendo deste “edificar a casa”, deste “leia o manual com atenção”.
E agora quando tanto se fala na importância do “não”, quer dizer que a Bíblia estava certa? Ou como ela sempre disse: “É bom corrigir e disciplinar a criança. Quando todas as suas vontades são feitas, ela acaba fazendo a sua mãe passar vergonha” (Provérbios 29.15). “Não deixe de corrigir a criança. Umas palmadas não a matarão. Para dizer a verdade, poderão até livrá-la da morte” (Provérbios 23.13,14).
Em todo o caso, quando as Sagradas Escrituras afirmam que “é natural que as crianças façam tolices, mas a correção as ensinará a se comportarem” (Provérbios 22.15), elas apontam para aquele que veio consertar as tolices do mundo – começando com as crianças. Por isto o pedido do único técnico autorizado: “Deixem que as crianças venham a mim e não proíbam que elas façam isto” (Marcos 10.14).
Esta é a salvação para adultos e crianças – gente que já vem com defeito e precisa de recall (do inglês "chamar de volta"). Solução do próprio Criador que se tornou criança, quando o anjo disse: “Estou aqui para trazer uma boa notícia: nasceu o Salvador de vocês” (Lucas 2.10,11). Pensando assim, o maior presente que um pai e uma mãe podem dar aos seus filhos é eles aceitarem a solicitação de devolução e fazer o recall – isto é, levá-los de volta para o conserto. Um gesto para o qual tem promessa: “Eduque a criança no caminho em que deve andar, e até o fim da vida não se desviará dele” (Provérbios 22.6).
Marcos Schmidt
Jornal NH de 8 de outubro de 2009

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Artigo - Não se esqueça do principal

Lembram daquele alpinista que cortou fora uma das mãos? Aron Ralston é o nome dele. Em 2003 ele caiu de uma montanha nos Estados Unidos e ficou com a mão direita presa entre as rochas. Depois de cinco dias agonizando, sozinho naquele deserto, precisou tomar a decisão mais radical da sua vida. "Eu consegui primeiro quebrar o rádio e minutos depois quebrei o cúbito na área do pulso", referindo-se aos dois ossos do antebraço. Para concluir o serviço, usou o seu canivete e finalmente ficou livre, livre para a vida.
Em outras situações não é a mão, mas coisas que persistem nas mãos e prendem o corpo à morte. Tais como a bebida, o cigarro, as drogas, o jogo, o volante perigoso do carro, o cartão de crédito, ou até mesmo a mão de outra pessoa. Às vezes é o próprio trabalho, a exemplo da operadora francesa France Telecom, onde nesta última segunda-feira ocorreu o 24º suicídio nos últimos 18 meses. Por isto, dependendo do caso, a decisão precisa ser tomada logo, antes que não haja mais tempo para a escolha. Foi o que fez o meu amigo Teno Luguesi, 69 anos. Devido à diabete, precisou amputar as duas pernas. Hoje ele está feliz da vida, igual ao alpinista. Afinal, quando existe chance para escolher entre a vida e a morte, a gente não pensa duas vezes.
- “O que adianta alguém ganhar o mundo inteiro, mas perder a vida verdadeira?” (Marcos 8.36), pergunta Jesus. Por isto ele radicaliza: “Se uma das suas mãos faz com que você peque, corte-a fora! Pois é melhor você entrar na vida eterna com uma só mão do que ter duas e ir para o inferno” (Marcos 9.43). O problema não é o “mundo inteiro”, mas a “vida verdadeira pela metade”. Na verdade, tudo nesta vida terrena é presente do Criador. Mas quando este “mundo” prende a mão, o único jeito é cortar fora para ficar com o que interessa. E se o alpinista mais tarde confessou que não sabia de onde veio a coragem para livrar-se da mão, o seguidor do “Caminho, da Verdade e da Vida” sabe. Vem de cima.
A história da mulher com uma criança no colo bem que poderia ser uma parábola de Jesus. Ao passar diante de uma caverna, ouviu uma voz misteriosa: - “Entre e pegue tudo o que você desejar, mas não se esqueça do principal. Lembre-se, porém que depois de sair, a porta se fechará para sempre”. A mulher entrou e encontrou muitas riquezas. Fascinada, ajuntou tudo o que podia no seu avental. E a voz misteriosa advertia: - “Não se esqueça do principal”. Carregada com ouro e pedras preciosas, correu para fora da caverna e a porta se fechou. Foi então que ela lembrou-se do principal: o filho que carregava no colo tinha ficado lá dentro.
Marcos Schmidt
Jornal NH de 1º de outubro de 2009

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Artigo - Do que a terra mais garrida?

Nesta terça-feira chegou a lei junto com a Primavera obrigando a execução do Hino Nacional uma vez por semana nas escolas públicas e particulares de Ensino Fundamental. Não sei se foi esta a intenção, mas deveríamos cantar o “Ouviram do Ipiranga” sempre inspirados pelo perfume primaveril deste lugar abençoado. Ou como diz o verso: “Do que a terra mais garrida (florida), teus risonhos, lindos campos têm mais flores”. No entanto, nossos hinos por vezes têm cara de inverno, daqueles que faz a gente ficar encolhido na cama, “deitado eternamente em berço esplêndido”. Omissos, coniventes. Porque se o Brasil é gigante pela própria natureza, se é belo, forte, impávido colosso – isto se deve graças ao vasto e rico território. Mas se o futuro pretende espelhar essa grandeza, o brado retumbante do grito do Ipiranga necessita de um povo heróico.
Por isto não basta cantar o hino uma vez por semana. Isto é coisa de todos os dias, começando lá por Brasília. E se os nossos governantes e políticos fogem à luta, se temem quando se ergue da justiça a clava forte – então não adianta obrigar nossos filhos cantarem “nem teme, quem te adora, a própria morte”. Uma lei pode até fazer a gente decorar, mas é somente a transformação moral, cívica e política, capaz de traduzir palavras complicadas em gestos construtores de uma pátria amada, Brasil.
“Não se enganem”, admoesta a Bíblia, “não sejam apenas ouvintes dessa mensagem, mas ponham em prática o que ela manda. Porque aquele que ouve a mensagem e não a pratica é como um homem que olha no espelho e vê como ele é. Dá uma olhada, depois vai embora e logo esquece de sua aparência” (Tiago 1.22-24). De fato, isto acontece também na igreja. A gente canta de cor e salteado os hinos, mas depois esquece o significado. E daí vem o recado: “Se ofereçam completamente a Deus como um sacrifício vivo, dedicado ao seu serviço e agradável a ele. Esta é a verdadeira adoração que vocês devem oferecer a ele” (Romanos 12.1).
Então pouco resolve enfiar na cabeça. É preciso colocar no coração. É o jeito de Deus: “Eu porei a minha lei na mente deles e no coração deles a escreverei” (Jeremias 31.33). Fórmula didática experimentada em Jesus (Hebreus 8.10). E assim a terra garrida é a própria vida. É o que diz a Bíblia: “Porque somos como cheiro suave do sacrifício que Cristo oferece a Deus, cheiro que se espalha” (2 Coríntios 2.15). Perfume que se renova a cada dia graças a um raio vívido de amor e de esperança que à terra desce.
Marcos Schmidt
Jornal NH de 24 de setembro de 2009