Foto panorâmica da Igreja

Foto panorâmica da Igreja

Evangelho de Lucas 20.27-40

Explicação do teólogo Gerson Linden sobre o Evangelho de Lucas 20.27-40, texto bíblico do culto desta segunda semana de novembro.


Mordomia da Oferta Cristã

Mordomia da Oferta Cristã

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Artigo - Corrida espacial e terrena

“Olhei para todos os lados, mas não vi Deus”, disse Yuri Gagarin no primeiro voo espacial tripulado há 50 anos. Naquele 12 de abril, a agência oficial de notícias da União Soviética transmitia: “Gagarin voltou da sua ascensão e a todos felicitou. Pois ele não procura um paraíso nos céus porque não esqueceu que é na terra que o homem o paraíso merece”. Sete anos depois, o astronauta caiu com o seu Mig ao desviar de uma nuvem e perder o controle do avião. Mereceu o paraíso na terra por breve tempo.

Nesta quinta-feira a Bíblia lembra que Jesus ascendeu ao céu e desapareceu numa nuvem para que os terráqueos pudessem merecer o paraíso. Desceu e subiu com a mesma missão. “Confiem em Deus e confiem também em mim. Na casa do meu Pai há muitos quartos, e eu vou preparar um lugar para vocês” (João 14), disse o Senhor ao defender o plano de voo. No entanto, há um perigo aqui, algo parecido com o caso daqueles discípulos deslumbrados na visão. Por isto o recado: “Por que estão olhando para o céu?” (Atos 1.11).

Nem tanto ao céu nem tanto à terra. Nestes dois mil anos este tem sido o desafio dos seguidores de Jesus. E a Ascensão do Senhor tem esta mensagem sinalizadora, tanto para a conduta contemplativa, enclausurada, fora da realidade terrena, e, noutra direção, para a vida grudada em coisas, obstinada na promessa da prosperidade material. A história do Deus que foi mas não foi, que subiu mas ficou, que desapareceu mas está em todos os lugares, lembra que “ninguém pode amar a Deus, a quem não vê, se não amar o seu irmão, a quem vê” (1 João 4.20). Por isto a oração do Salvador: “Pai, não peço que os tires do mundo, mas que os guardes do Maligno (...) para que o amor que tens por mim esteja neles” (João 17.15,26). Sem este amor, ninguém jamais verá Deus e nem o paraíso. Poderá até olhar para todos os lados, mas enquanto estiver nas alturas, em corridas espaciais e terrenas, só enxergará a si mesmo.

Marcos Schmidt
Jornal NH de 2 de junho, 2011

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Artigo - Blindagem furada

Blindagem é a tecnologia usada em veículos para a proteção contra armas de fogo. No figurativo, tem livrado muita gente desonesta do juízo terreno. O que tem dado certo até agora na suspeita contra o ministro Palocci. Mas com um tremendo furo nesta armadura ao justificar o milagre da multiplicação de seu patrimônio: “todo mundo faz a mesma coisa”.

Uma desculpa comum quando o juízo vem de cima. E igualmente com blindagem repleta de furos. A exemplo do homem próspero e religioso que chegou a Jesus com uma inquietante pergunta: - “O que devo fazer para conseguir a vida eterna?” (Lucas 18). “Você conhece os mandamentos”, respondeu o Salvador – como que dizendo: “é só cumprir”. “Desde criança eu tenho obedecido a todos esses mandamentos”, retrucou o homem. “Falta mais uma coisa para você fazer. Venda tudo o que você tem, e dê o dinheiro aos pobres”, sugeriu Jesus. Mas o homem foi embora, carregando o peso da sua diabólica armadura.

O problema dele era o sucateado tanque bélico da sua religião: “o que devo fazer?”. Um terrível engano, pois “quem quebra um só mandamento da lei é culpado de quebrar todos” (Tiago 2.10). Mas ele ostentava uma auréola, afinal, não cometia adultério, nem matava, roubava, ou mentia. Por isto o tiro certeiro de Jesus na parte mais enferrujada e sensível: “Só falta uma coisa, dê todo o seu dinheiro aos pobres”. O Salvador foi direto ao primeiro mandamento, e a blindagem desmoronou de vez. Ficou na cara que o “deus” que ele tinha era o dinheiro.

Só uma blindagem resolve quando o assunto é a corrupção: “Vistam-se com toda a armadura que Deus dá a vocês” (Efésios 6.11). Proteção que surge pela “união com Cristo” e que parte para as boas obras (2.10). Uma nova vida que logo aparece: “Quem roubava que não roube mais, porém comece a trabalhar a fim de viver honestamente e poder ajudar os pobres” (4.28). Lastimavelmente, uma blindagem que falta na vida de gente com justificativas furadas.

Marcos Schmidt
Jornal NH de 26 de maio, 2011

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Artigo - Além da honestidade

Desvio do dinheiro público no Brasil é assunto diário nos jornais. Somente as notícias de um dia relatam a máfia dos remédios, o jantar devolvido do Sarney, a suspeita sobre o patrimônio de Palocci, a suposta fraude de consultas e cirurgias pelo SUS. Por que tanta corrupção? Li num artigo que é um mal que atinge a todos, mas aqui é por falta de fiscalização. A sugestão seria um sistema imunológico. Exemplo que vem da Dinamarca com 100 auditores para 100 mil habitantes, enquanto no Brasil são oito para 100 mil. Dizem, no entanto, que a corrupção está no “gene brasileiro”, uma herança portuguesa. Fato comprovado numa canção popular dos anos de 1810: "Quem rouba pouco é ladrão, quem rouba muito é barão. E quem mais rouba e esconde, passa de barão a visconde". É desta época o primeiro registro de corrupção no Brasil. Um funcionário público foi preso na Bahia por desviar dinheiro público, mas contratou um advogado e logo foi solto.

Somente através de leis rigorosas, educação no lar, ensino nas escolas, que a corrupção pode diminuir. Outro jeito é chegar à raiz. Porque, se é do coração que vêm os roubos (Marcos 7.21), então é lá que o mal pode ser enfraquecido. Foi o caso de Zaqueu que cobrava impostos a mais e enriqueceu com o trabalho dos outros. Depois da visita de Jesus em sua casa, resolveu dar a metade dos bens aos pobres e devolver quatro vezes mais a quem tinha roubado (Lucas 19). Lutero, que presenciou na Idade Média uma Europa imersa na corrupção pública e religiosa, no entanto, explicou que não basta ser honesto, mas é preciso também ajudar o próximo a melhorar e conservar os seus bens e o seu meio de vida. Neste sentido, Jesus orientou ao falar do amor: “Quando ajudar alguma pessoa necessitada, faça isso de tal modo que nem mesmo o seu amigo mais íntimo fique sabendo o que você fez” (Mateus 6.3). Percebe-se assim que corrupção e honestidade têm paralelo: é feito em segredo e Deus recompensa.

Marcos Schmidt
Jornal NH de 19 de maio, 2011



quarta-feira, 11 de maio de 2011

Artigo - Homoafeição e o cristão

Existe um conflito óbvio e permanente da nova lei da união civil homoafetiva com a fé cristã. Mas, num país onde estado e religião não se misturam, a Constituição Brasileira carrega a sabedoria divina ao dizer que “é inviolável a liberdade de consciência e de crença”. Enquanto esta regra permanecer, devemos procurar a paz social e o respeito às diferenças, mesmo que elas sejam tão opostas. O problema é a conduta extremista de cada lado: paradas gays, incitações fundamentalistas, agressões, propaganda da mídia contra os valores cristãos, ideologias. Enfim, esta guerra moral e imoral praticada por dois extremos.

O cristão tem a tarefa de viver e pregar o Evangelho. Não precisa fazer novas leis, nem julgar. Elas estão nos Dez Mandamentos e nas orientações da Bíblia, e quem julga é Deus. Assim, o seguidor de Cristo não é juiz nem advogado, mas testemunha. Com respeito ao casamento e à família, a regra divina é uma só desde o princípio (Gênesis 2), confirmada pelo Senhor Jesus: “No começo o Criador os fez homem e mulher. E Deus disse: Por isso o homem deixa o seu pai e a sua mãe para se unir com a sua mulher, e os dois se tornam uma só pessoa.” (Mateus 19).

Por isto, mesmo quando a deputada Manuela D’Ávila prega que “qualquer maneira de amar vale a pena” ao defender a relação homoafetiva, para os cristãos só existe um amor conjugal que vale a pena: “Marido, ame a sua esposa assim como Cristo amou a Igreja e deu a sua vida por ela” (Efésios 5.25). E se o ministro Ayres Britto lembrou que “nas coisas ditas humanas, não há o que crucificar, não há o que idealizar, há só o que compreender”, cabe lembrar que nas coisas divinas Cristo foi crucificado para idealizar um amor impossível de compreender. Aqueles que seguem esta afeição divina fazem de tudo para viver o amor ideal no matrimônio e nas outras relações. Um desafio cada vez maior nesta sociedade carente de afeição que vale a pena.

Marcos Schmidt
Jornal NH de 12 de maio. 2011

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Artigo - Mundo melhor?

Que “o mundo é um lugar melhor por causa da morte de Bin Laden”, isto todos sabem que é engano. O próprio presidente dos EUA neste pronunciamento lembrou que a Al-Qaeda continuará com os seus ataques, e ordenou reforçar a segurança. São palavras de efeito moral para uma nação traumatizada com o 11 de setembro. Mas, só existe um jeito para o mundo melhorar. E não é através da inteligência americana, ou por armas e operações secretas.

Se o mundo ficasse melhor por guerras e eliminando os maus, ele já seria um pedaço do paraíso. Desde os ataques de 2001, os EUA gastaram 1 trilhão de dólares contra o terrorismo, sem contar que metade dos gastos mundiais em armamentos é deles. O planeta investe cada vez mais em armas, enquanto que a pobreza, a fome e a violência aumentam. Ironicamente, destruir a vida humana sai muito mais caro que mantê-la. Por isto, se no lugar de bombas, os aviões jogassem comida, e em vez de tiros, disparassem palavras de paz, com certeza tudo seria diferente.

Mas isto está longe da natureza humana. Resta agora a vingança dos seguidores de Bin Laden, e o caminho da justiça terrena trilhará seu trajeto de expansão. Até quando? Até a paz definitiva daquele, que disse: “Vocês ouviram o que foi dito: ‘Olho por olho, dente por dente’. Mas eu lhes digo: não se vinguem dos que fazem mal a vocês. Se alguém lhe der um tapa na cara, vire o outro lado para ele bater também... Se um dos soldados estrangeiros forçá-lo a carregar uma carga um quilômetro, carregue-a dois quilômetros” (Mateus 5). Evidentemente, pura utopia. Porque soldados são treinados para matar. Matam porque existe o mal. E o mal reina “porque é do coração que vêm os crimes de morte” (Mateus 15). Por isto então, o jeito divino para um mundo melhor: “Eu lhes darei um coração novo” (Ezequiel 11). Loucamente, Deus não elimina o hospedeiro do mal. Até porque não sobraria ninguém para contar a história.

Marcos Schmidt
Jornal NH de 5 de maio, 2011