Foto panorâmica da Igreja

Foto panorâmica da Igreja

Evangelho de Lucas 20.27-40

Explicação do teólogo Gerson Linden sobre o Evangelho de Lucas 20.27-40, texto bíblico do culto desta segunda semana de novembro.


Mordomia da Oferta Cristã

Mordomia da Oferta Cristã

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Artigo - O mesmo Jesus

No artigo “Outro Jesus”, Luis F. Verissimo acusa a Igreja de nunca ter explicado nestes 2 mil anos a resignação de Cristo na cruz: “Deus meu, Deus meu, porque me abandonaste”. Um engano do escritor. Acertou ao dizer que a “perplexidade de Jesus na cruz é o que mais o aproxima de nós”, quase respondendo o que espera da teologia cristã. Afinal, Jesus é o Emanuel – o “Deus com a gente”, que sentiu fome, dor, agonia, tristeza. E abandono.

Quando um ser mortal tenta entender ou explicar o Deus-Homem que morre no Gólgota, acontece aquilo que diz a Escritura: “Deus, na sua sabedoria, não deixou que os seres humanos o conhecessem por meio da sabedoria deles”. E por simples razão: “A mensagem da morte de Cristo na cruz é loucura” (1 Coríntios 1.21 e 18). Aqueles que colocaram Cristo dentro de seu miolo cinzento, ou fizeram dele apenas um homem, ou apenas um Deus.

O apóstolo João, mesmo não entendendo, escreve que viu a revelação da natureza divina de Jesus – a Palavra que se tornou um ser humano (João 1.14). E adverte na epístola que, quem nega que Jesus Cristo é Deus e homem, não tem o Espírito de Deus e é inimigo de Cristo (1 João 4.3). Era uma resposta ao gnosticismo que invadia a igreja primitiva com idéias sobre um Jesus divino apenas vestido com um corpo, isto é, com aparência humana, e sem o sofrimento físico na cruz. Por isto as palavras do Credo Apostólico “padeceu sob Pôncio Pilatos” e do Atanasiano “É, portanto, fé verdadeira, que creiamos e confessemos que nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo é tanto Deus como homem”.

Mas Verissimo tem razão. O terrível lamento de Jesus na cruz, abandonado por Deus, continuará ecoando sem a resposta que deseja. Paulo já tinha admitido: “Evidentemente, grande é o mistério da nossa religião: Ele se tornou um ser humano” (1 Timóteo 3.16). Existe, no entanto, outra história. Vem do Domingo da Páscoa. E que também não tem muita explicação. Porque, se Cristo não foi ressuscitado, a fé é uma ilusão, e continuamos perdidos nos nossos pecados (...) Mas a verdade é que... (1 Coríntios 15.17,20).

Marcos Schmidt
Jornal NH de 28 de abril, 2011

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Artigo - “Jesus chocolate”

Um britânico afirma que Jesus celebrou a Santa Ceia na quarta-feira, diferente do que narram os Evangelhos. Ele defende isto no livro O Mistério da Última Ceia, assunto que foi notícia nesta semana. Sem dúvida, outra polêmica jogada ao vento nesta época da Páscoa com nítido interesse comercial. Isto rende matéria, e lembra a velha ganância de Judas que negocia o Filho de Deus. São os interesses mesquinhos, e controversamente, a própria razão da Santa Ceia e da Cruz. Afinal, aquele que entrega o seu corpo e seu sangue no pão e no vinho, aquele que morre no Calvário, “anulou a conta da nossa dívida, pregando-a na cruz” (Colossenses 2.14).

Pouco importa a data, o peixe, o ovo de chocolate. Já disse o apóstolo “que ninguém faça para vocês leis sobre o que devem comer ou beber, ou sobre os dias santos” (Colossenses 2.16). E complementa: “Tudo é apenas uma sombra daquilo que virá; a realidade é Cristo”. O problema é que a gente agarra a sombra e acha que fez um bom negócio. Empanturra-se de peixe uma vez por ano e pensa que respeitou o dia, enche o ninho de chocolate e acha que festejou a Páscoa. Enquanto isto, a “realidade” fica junto aos embrulhos dos ovinhos, às espinhas do peixe.

Mas o que fazer quando a sombra se materializa? Quando a tradição encobre o significado? “Tradição” vem do latim e significa “transmissão”. Daí as palavras tradução e traição. Quando costumes não traduzem mais o real sentido, a tradição vira traição. Por isto o aviso para se ter cuidado com argumentos sem valor e ensinamentos humanos (Colossenses 2.8). Na igreja isto é um constante perigo quando práticas viram objeto de superstições. Por isto a carta de Paulo aos cristãos de Colossos, eles que absorveram conceitos contrários à fé cristã. Gnosticismo, filosofias, legalismo judaico, cristianismo – tudo no mesmo balaio. Deste ninho saiu um “Jesus chocolate” que não resolvia o sentido da vida e da morte deles. Então as palavras: “Cristo é a verdadeira vida de vocês” (3.4).

Nada contra feriados e tradições religiosas. Mas quando fica só nisto, prefiro comer chocolate na sexta e peixe no domingo. E o Pão da Vida todos os dias.

Marcos Schmidt
Jornal NH de 21 de abril, 2011

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Artigo - Deus contra a parede

“Como pode Deus permitir isso?” Uma pergunta que faz sentido quando se crê que tudo está sob o comando divino. Mas extremamente difícil de entender se o amor de Deus também é objeto de fé. Tragédias como esta em Realengo, junto com os dramas globais e diários destacados nos jornais, além dos próprios sofrimentos, provocam divórcio entre o amor e o poder do alto. Processo que se transforma em conflito espiritual na vida de qualquer criatura com alma e corpo. E que, se não for devidamente tratado, fabrica uma mente doentia – que num desatino, invoca Deus para puxar o gatilho e matar.

Se a desculpa é o bullying, vale lembrar que ninguém escapa de humilhações na escola da vida. Sistematicamente somos agredidos, intimidados, perseguidos, por problemas, doenças, luto, dor, tragédias, sofrimento. O desafio é não revidar, nem contra Deus, nem contra o próximo.

No entanto, não consigo imaginar um pai, uma mãe que perde a filha com um tiro na cabeça, conformar-se. Nem as melhores amigas de Jesus aceitaram: “Se o senhor estivesse aqui, o meu irmão não teria morrido” (João 11.21). Nem Jesus, na extrema agonia da cruz, ficou calado: “Deus meu, Deus meu, por que me abandonaste?”. Calar-se é não questionar. E quando não há perguntas, não há respostas. A indignação é a primeira atitude na luta da fé.

E assim, neste “Como pode Deus permitir isso?” surgem algumas certezas, a partir das Sagradas Escrituras. Que nosso entendimento do divino é limitado: “Quem pode conhecer a mente do Senhor? Quem é capaz de lhe dar conselhos?” (Romanos 11.34). Que desabafar é melhor do que reprimir o sofrimento. Exemplos bíblicos não faltam – Jeremias e Jó, por exemplo. Outro resultado é a mundana idéia de justiça. Paulo já disse que a cruz é loucura para os que estão se perdendo (1 Coríntios 1.18). Mas, o maior resultado neste “Deus contra a parede” é que “os sofrimentos produzem a paciência, a paciência traz a aprovação de Deus, e essa aprovação cria a esperança. E essa esperança não nos deixa decepcionados” (Romanos 5.3-5). Então, contra a parede, Deus nos abre uma porta, Jesus.

Marcos Schmidt
Jornal NH de 14 de abril, 2011

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Artigo - Coragem para morrer

“Eu não tenho medo da morte, tenho medo da desonra”, disse José Alencar. A morte desse homem mexeu com muita gente que não tem honra para viver e nem coragem para morrer. Ele sabia viver e por isso, soube morrer. E fez o Brasil todo praticar as palavras bíblicas: “É melhor ir a uma casa onde há luto do que ir a uma casa onde há festa, pois onde há luto lembramos que um dia também vamos morrer” (Eclesiastes 7. 2). No dia do falecimento de Alencar, fui ao velório de um homem jovem, com uma história muito parecida na doença. Martim Heimann, diretor de um colégio em São Leopoldo, deixou esposa, três filhos, e uma marca – também não tinha medo da implacável inimiga. Nas difíceis palavras de despedida, o pai dele, professor de teologia, disse algo que é tudo o que uma pessoa precisa fazer depois da morte: “Tenho certeza que a primeira pessoa que o meu filho abraçou no céu foi o Senhor Jesus”. Sem dúvida, quem não pode abraçar Jesus, tem pavor da morte.

Li que a investigação dos destroços do Airbus localizados no fundo do mar poderá desvendar as causas do acidente em 2009 e ajudar na segurança do transporte aéreo. É preciso resgatar os restos do avião, a fim de que a morte das 228 pessoas não seja em vão. Na história da humanidade, acontece algo parecido. É necessário que se mergulhe até o fundo do poço, se localize os pedaços da pior tragédia, e numa investigação pessoal, se descubra os motivos deste primeiro acidente, a fim de que haja plena tranquilidade na viagem para o céu. Sem esta descoberta, o ser humano vive e morre inseguro.

Felizmente isto foi elucidado e está nas páginas da Bíblia. “O que dá à morte poder de ferir é o pecado”, conclui, mas Deus “nos dá a vitória por meio do nosso Senhor Jesus Cristo” (1 Coríntios 15.56,57). Através das páginas deste livro, o Alencar e o Martim amaram a Sabedoria, e ela os abraçou e os tornou importantes e honrados (Provérbios 4.8). A Sabedoria é aquele que disse: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá; e quem vive e crê em mim nunca morrerá” (João 11.25).

Marcos Schmidt
Jornal NH de 7 de abril, 2011

quarta-feira, 30 de março de 2011

Artigo - Desafio de Shrek

O casamento religioso à fantasia em Garibaldi, RS, mostra bem o jeito alucinado da vida. Vestidos de Fiona e Shrek, o desejo dos noivos diante do altar expressa a síndrome humana “do fazer de conta” – que virou epidemia. Os padrinhos com roupas de príncipes e princesas, os pais dos noivos de reis e rainhas, as crianças com alegorias de Dragão, Burrinho, Branca de Neve, os convidados caracterizados dos contos infantis – uma cena surreal que diz tudo sobre esta sociedade de castelos de areia. Fiquei pensando na história dessa famosa animação, para dizer o seguinte: precisamos imitar o ogro Shrek, e expulsar as criaturas mágicas que invadem o nosso “pântano”.

Esta é a ameaça – a vida transformada numa aventura de desenho animado. De ficar adulto, mas ainda “brincar” de casinha, de carrinho, de vídeo game, de ganhar e perder. De fazer de conta que casamos, que temos família, que trabalhamos, que somos felizes. No imaginário de ser bem sucedido, vestir a alegoria de soberanos, alucinados na miragem de reinos e castelos. Sem dúvida, temos um desafio parecido com o do Shrek, de espantar as ilusões e viver a realidade.

Viver a realidade? Vale à pena? Ela é tão dura, exigente, cruel. Por que não levar a vida na brincadeira? Seria o caminho, se o dragão fosse apenas fábula. Ele existe e expele violentamente sobre nós suas labaredas. Podemos até aprisioná-lo atrás de máscaras e alegorias, mas um dia ele surge em inevitáveis tragédias. Por isto a advertência: “Viva alegre durante todos os anos da sua vida. Mas, mesmo que você viva muitos anos, lembre que ficará morto durante muito mais tempo. Tudo o que acontece é ilusão” (Eclesiastes 11.8).

Seria tudo ilusão se não fosse “a realidade de Cristo” (Colossenses 2.17). Que para alguns é também pura fantasia. Mas, uma certeza para aqueles que são chamados de igreja – que vem “de Deus, enfeitada e preparada, vestida como uma noiva que vai ser encontrar com o noivo”, para viver no reino celestial onde “não haverá mais morte, nem tristeza, nem choro, nem dor” (Apocalipse 21.1-4).

Marcos Schmidt
Jornal NH de 31 de março, 2011