Foto panorâmica da Igreja

Foto panorâmica da Igreja

Evangelho de Lucas 20.27-40

Explicação do teólogo Gerson Linden sobre o Evangelho de Lucas 20.27-40, texto bíblico do culto desta segunda semana de novembro.


Mordomia da Oferta Cristã

Mordomia da Oferta Cristã

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Artigo - O socorro vem de cima

Os mineiros soterrados numa mina no Chile serão resgatados no Natal. Eles não podem fazer nada, a não ser confiar no plano de ajuda das pessoas de fora, e aguardar. Neste tempo de espera, há um meio de contato entre o céu e o fundo da terra – um cano por onde enviam água, alimento, oxigênio, remédios, e mensagens de esperança. É a salvação que vem de cima. Enquanto isto, os mineiros têm um enorme desafio nesse advento. Precisam alimentar a esperança, conservar o ritmo de sono e manter o grupo unido. A boa notícia é que, juntos, as chances são maiores. Se um fraquejar, os outros ajudam. A pessoa sozinha acaba ficando desesperada.

Qualquer semelhança com outra história é pura coincidência. Ou não? Em vários detalhes, o resgate desses homens lembra o maior de todos. A própria euforia da descoberta que estão vivos, estampada no rosto dos parentes, na comemoração do país inteiro, lembra a alegria nos céus. Nesta hora vem à memória as parábolas dos “perdidos” em Lucas 15 – da ovelha, da moeda e do filho – onde o evangelista destaca as palavras de Jesus sobre a reação da mulher ao encontrar a moeda: “Pois eu digo a vocês que assim também os anjos de Deus se alegrarão”.

Mas fico imaginando a situação desses mineiros, enterrados vivos a 700 metros, num minúsculo ambiente úmido, quente e sem luz. Eles ainda não foram notificados sobre os quatro meses que terão de aguardar. Por isto, além das condições físicas, o equilíbrio psicológico é fundamental. Um controle que dependerá da esperança em sair do buraco. Eles precisam olhar para cima. E conversar, cantar, animar-se mutuamente. Li numa reportagem a respeito, que em situações extremas desse tipo, os desentendimentos e confusão são comuns. É necessário manter o grupo unido e coeso num só objetivo: esperar o resgate de cima.

Um dos mineiros soterrados é Franklin Lobos, que foi jogador pela seleção chilena de futebol. A filha dele preparou uma longa carta, afirmando que o pai terá todo o tempo do mundo para lê-la. É outro detalhe parecido quando o salmista escreve: “Lâmpada para os meus pés é a tua palavra, e luz para os meus caminhos” (119.105). Em todo o caso, quando os mineiros forem resgatados, então será Natal e eles terão dois grandes motivos para festejar.

Marcos Schmidt
Jornal NH de 26 de agosto, 2010

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Artigo - Jesus e o apedrejamento

O que o senhor diz sobre isto? A pergunta dos fariseus era para “pegar” Jesus, quando arrastaram até a presença dele uma mulher flagrada em adultério. Conforme a lei, ela deveria ser apedrejada até a morte. “Mas ele se abaixou e começou a escrever no chão com o dedo” (João 8.6). Eles insistiram na pergunta. Jesus se levantou e disse a eles: - Quem de vocês estiver sem pecado, que seja o primeiro a atirar uma pedra nesta mulher! Depois, abaixou-se outra vez e continuou a escrever no chão. É o único relato nos Evangelhos de que Jesus escreveu algo. Aliás, de toda a Bíblia, a única parte que Deus redigiu de próprio punho são os Dez Mandamentos, entregues a Moisés. O restante foi ditado por Deus e escrito pelas mãos dos profetas e evangelistas – a doutrina da inspiração divina. Intrigante este fato de Deus não permitir que a santa lei fosse originalmente escrita por um ser mortal. E as palavras de Jesus escritas no chão? Quais foram? O evangelista não diz. Penso que Jesus, o Deus encarnado, escreveu algo que o homem também não poderia redigir por si mesmo. Creio que ele desenhou um coração e no meio uma cruz. Sobre isto, alguém disse: “Jesus escreveu os seus pensamentos divinos no pó, mas os homens desejam que os seus pensamentos fiquem gravados no mármore”.

Diz o Evangelho que “quando ouviram isto, todos foram embora, um por um, começando pelos mais velhos”. Os comentaristas explicam: “Os mais idosos, naturalmente, lembraram-se do maior número de pecados”. No final, só sobrou o Santo e a pecadora. Então Jesus se levantou e disse: - Mulher, onde estão eles? Não ficou ninguém para condenar você? – Ninguém, senhor, respondeu ela. Jesus disse: - Pois eu também não condeno você. Vá e não peque mais.

O atual apedrejamento de adúlteros em alguns países islâmicos recomenda até mesmo o tamanho das pedras: “Não devem ser tão grandes para não provocar morte imediata, mas também não devem ser tão pequenas”. Qual o tamanho das pedras do nosso juízo religioso e moralista? Que tenha a medida certa, perfeita, santa. Ou então, que elas permaneçam junto ao pó de nossa própria miséria. Só assim ouviremos a resposta do “o que o Senhor diz sobre isto?”: Eu vim para salvar o mundo, não para julgá-lo (João 3.17).

Marcos Schmidt
Jornal NH de 19 de agosto, 2010

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Artigo - Na garganta do diabo

Tinha lá meus 10 anos, e está bem gravado na memória. Levei um puxão de orelhas bem forte do meu pai ao chegar em casa, feliz da vida, por ter encontrado um maço de dinheiro na rua. Parte dele já tinha gasto com balas e chicletes. Outra vez fiquei de castigo no recreio escolar, e tive que escrever cem vezes no quadro negro “não devo roubar as bergamotas do vizinho”. “Eduque a criança no caminho em que deve andar e até o fim da vida não se desviará dele” (Provérbios 22.6), avisa o texto sagrado. Será que esses vereadores aprenderam a lição “não roubar” quando crianças? Se lhes foi ensinado, os pais e professores deles devem agora estar extremamente envergonhados.

Lutero, no Catecismo Maior (1529), ao sugerir que o roubo, além de imoral, é um problema cultural, aconselha “inculcar o mandamento divino à gente moça, para que se acautelem e não sigam a velha e desenfreada multidão”. Falando à igreja, diz que a “nossa responsabilidade apenas é instruir e repreender com a palavra de Deus”. Mas reconhece que para isto “requerem-se príncipes e magistrados que tenham olhos e ânimo para estabelecer e manter ordem”. Um baita problema quando aquele que faz e executa as leis, que cuida dos bens públicos, é o próprio larápio. Uma praga em nossos municípios, estados, país.

Sem dúvida, honestidade é um princípio moral que precisa ser incutido na infância. Depois só mesmo a polícia. Mas outro empecilho quando “os juízes desonestos se vendem por dinheiro e por isso são injustos nas suas sentenças” (Provérbios 17.23). No entanto, para uma árvore que nasce torta e cresce torta ainda resta o corte profundo na raiz. À exemplo do desonesto Zaqueu, o chefe dos cobradores de impostos, visitado por Jesus (Lucas 19.1-10). Esse publicano parou de “fazer turismo com dinheiro público” após um cursinho presencial com Jesus. O resultado foi a decisão de entregar metade dos bens aos pobres e devolver quatro vezes mais do que havia roubado.

Nesta terça, no Jornal do Almoço, o flagrado presidente da Câmara de Triunfo fez o sinal da cruz antes de iniciar a sessão. Milagre de Zaqueu ou outra fachada? Pois ainda é tempo dessa turma mudar de vida, e no lugar de admirar a Garganta do Diabo nas Cataratas, atender a voz de Deus que ordena “não furtarás”.

Marcos Schmidt
Jornal NH de 12 de agosto, 2010

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Artigo - Pai meu que está na terra

Está virando rotina histórias como a desse pai que assassinou o filho por causa de um prêmio da Mega-Sena em Cuiabá, da mãe francesa que matou 8 filhos recém-nascidos. Isto não choca mais. Nem a matéria no Fantástico, domingo passado, onde revelou que uma em cada cinco mulheres aos 40 anos já fez aborto no Brasil, ou seja, 5 milhões e 300 mil mulheres. Aliás, qual a diferença em matar uma criança pré-nascida de uma criança recém-nascida?

Apesar de tudo, o normal ainda é uma mãe e um pai proteger o filho, no ventre ou fora dele. Uma tarefa que sempre foi mais do pai, o provedor da família, aquele com o braço mais forte, que vai à frente e defende dos predadores. Mas também uma realidade que já não é tão comum – ou pela ausência física do pai (o censo do IBGE mostrará os números exatos), ou pela presença agressora e nociva do pai (o pai está entre o principal agressor contra crianças segundo constatação dos Conselhos Tutelares).

Por isto, como fica a pergunta de Jesus: “Por acaso algum de vocês, que é pai, será capaz de dar uma pedra ao seu filho, quando ele pede pão?” (Mateus 7.9) Diz isto, para tranquilizar sobre os cuidados paternais de Deus: “Vocês, mesmo sendo maus, sabem dar coisas boas aos seus filhos. Quanto mais o Pai, que está no céu, dará coisas boas aos que lhe pedirem” (7.11). Um pouco antes Jesus já tinha ensinado a oração do “Pai Nosso” – que segundo explicação de Lutero, “Deus quer atrair-nos carinhosamente com essas palavras, para cremos que ele é o nosso verdadeiro Pai e nós, os seus verdadeiros filhos”. Mas, como fica esta imagem de Deus, nesse referencial “pai”? Obviamente, prejudicada. Por isto o primeiro pedido nessa oração: “Santificado seja o teu nome”. Isto é: “Ó Deus, me ajude a ser um bom pai para que os meus filhos possam crer que tu és um bom Pai”.

E sendo sincero, sem precisa ser um agressor ou assassino para ser um mau pai. Basta ser um “pai que está na terra”, com a imagem de Adão. Eis a razão do quinto pedido: “E perdoa as nossas ofensas”. Felizmente aquele que ensinou essa oração, também mostrou o caminho para ser pai: “Quem ouve e pratica os meus ensinos é como um homem sábio que construiu a sua casa na rocha” (Mateus 7.24).

Marcos Schmidt
Jornal NH de 5 de agosto, 2010

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Artigo - A “desvangelização” do secador de cabelo

Agora apareceu outro que está "desbatizando" gente com um secador de cabelo. Com o aparelho, ele retira toda a água lançada na cabeça para fazer o “desbatismo”. A cerimônia foi exibida num programa de televisão nos Estados Unidos, quando Edwin Kagin, responsável pela cerimônia anti-cristã, criticou os pais pelo grave erro de batizar seus filhos sem que eles tenham idade para decidir. Afirmou que alguns casos de educação religiosa deveriam ser punidos por "abuso infantil". Ele percorre os EUA defendendo suas idéias na auto intitulada “guerra civil religiosa americana”.

A “religião” deste cara é parecida com a história do cientista inglês Richard Dawkins, que seguidamente aparece na mídia. Ele declarou: “Meu grande sonho é a destruição completa das religiões”. Ele faz palestras pelo mundo afora nesta obra da “desvangelização”. Outro, que já morreu, é Mohan Chandra Rajneesh, o Osho. Escreveu o livro “Osho, religiosidade é diferente de religião”, onde desmoraliza o cristianismo, dizendo: “Mas porque todos deveriam carregar uma cruz? Você não pode encontrar nada mais para carregar? (...) Há coisas lindas para carregar: você pode carregar um violão. E se gosta de coisas muito pesadas – um velho piano – mas algo lindo, algo digno de um homem inteligente, não uma cruz”.

Sempre acreditei que nós, cristãos, somos testemunhas de Jesus, e não advogados dele. Não precisamos defender Deus e muito menos atacar aqueles que não têm a mesma fé ou são ateus e até ridicularizam a nossa crença. A tarefa que temos sempre será esta, indicada por Jesus: Vão a todos os povos do mundo e façam com que sejam meus seguidores, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, e ensinando-os a obedecer a tudo o que eu tenho ordenado” (Mateus 28). Por isto, não vai ser um secador de cabelo, ou qualquer outro instrumento humano que conseguirá desfazer “a mensagem da morte de Cristo na cruz – loucura para os que estão se perdendo, mas poder de Deus para os que estão sendo salvos” (1 Coríntios 1.18).

Marcos Schmidt
Jornal NH de 29 de julho, 2010