Foto panorâmica da Igreja

Foto panorâmica da Igreja

Evangelho de Lucas 20.27-40

Explicação do teólogo Gerson Linden sobre o Evangelho de Lucas 20.27-40, texto bíblico do culto desta segunda semana de novembro.


Mordomia da Oferta Cristã

Mordomia da Oferta Cristã

sexta-feira, 26 de março de 2010

Artigo - A culpada é a televisão?

Um documentário exibido pela TV francesa dias atrás mostrou até onde vai o poder da televisão sobre as pessoas. Foi num jogo de perguntas e respostas, onde 80 voluntários foram instruídos a sabatinar um participante sentado numa cadeira elétrica. A cada resposta errada, o homem levava um choque disparado pelos voluntários. O equipamento elétrico, no entanto, era falso e o homem na cadeira era um ator contratado. Os voluntários e a platéia, convictos de que tudo era verdade, ficaram assustados com os gritos do homem que levava choques pelas respostas erradas, e que aumentavam na voltagem a cada rodada das perguntas. Mesmo assim, seguiram no jogo da morte até a descarga fatal de 460 volts que o matou diante de todos. Claro, de forma simulada. O documentário revelou que apenas 16 dos 80 participantes não quiseram “eletrocutar” o homem. A intenção do falso show de televisão era testar o poder da televisão. “A televisão tem poder que pode nos transformar em carrascos potenciais”, concluiu o produtor do programa.

Colocar a culpa na televisão é fazer igual ao Chaves, que disse para o Quico: "Não fui eu. Foi a bola que pegou a bola e me bateu com a bola!". É o coração humano que tem poder sobre as mentes humanas. Os meios de comunicação são meros instrumentos. As novelas, por exemplo, se fossem sadias e instrutivas, poderiam acabar com muitos problemas na família, na sociedade. Mas qual a mensagem que passam? E até onde os milhões de telespectadores conseguem separar a realidade da dramaturgia? E neste Big-Brother, se no lugar do telefone, os da poltrona em casa tivessem um botão para eletrocutar o desafeto? E agora, no retorno do espetáculo “Isabella Nardoni”? O que aconteceria com o casal em julgamento se os pensamentos do povo fossem armas engatilhadas?

No amanhecer daquela sexta-feira, há dois mil anos atrás, não tinha televisão nem cadeira elétrica, mas os componentes do jogo da morte estavam acionados. Porque “fizeram os seus planos para conseguir que Jesus fosse morto” narra o evangelista Mateus (27.1). Por isto a gritaria do povo: - “Crucifica-o, crucifica-o”. Pilatos lavou as mãos e a turba não enxergava mais nada: - “Que o castigo por esta morte caia sobre nós e sobre os nossos filhos”. No meio do povo tinha gente boa, honesta, de igreja, de família. Mas a “televisão” do Gólgota prendeu a atenção e as mentes deles. E pior que não era encenação, mas a realidade da Morte e do Inferno. Por incrível que pareça, era também o espetáculo da realidade da Vida e do Céu.

Não é por nada a recomendação: “Encham a mente de vocês com tudo o que é bom e merece elogios, isto é, tudo o que é verdadeiro, digno, correto, puro, agradável e decente” (Filipenses 4.8). Caso contrário, se não nos cuidarmos, qualquer dia poderemos nos surpreender com nós mesmos, apertando um botão e eletrocutando alguém. E a culpada não será a televisão...

Marcos Schmidt
Jornal NH de 25 de março de 2010

quinta-feira, 18 de março de 2010

Perfil Pastoral

Processo de Chamado Pastoral

Direcionador de Perfil Pastoral:
“Que tenha no estudo da doutrina e no aprofundamento teológico o foco do seu crescimento pessoal e dos congregados; multiplicidade na condução do trabalho, no sentido de atender a diversos grupos; com uma visão urbana de trabalho congregacional; que tenha boa comunicação com todos os tipos de pessoas; com capacidade na formação de líderes; com boa visão de trabalho em equipe.”

Aprovado na Assembléia de 13/03/2010

Artigo - Um tempo de ouro

Amanhã o Jornal NH festeja cinquenta anos. Cinquenta é a minha idade e cinco são os anos que escrevo neste jornal. Na média, são cinquenta artigos que escrevo por ano. Cinquenta é um número redondo, que marca um tempo de convicções, de vida estável. Ou de morte e incertezas. Michael Jackson morreu aos cinquenta. É tempo de vida ou de morte. É a idade de Brasília que brinca de política. Quem sabe seja por isto a idade da boneca Barbie. São também as bodas de ouro da Bossa Nova, da carreira artística de Roberto Carlos. São tantas emoções...

Dizem que é a meia idade. Mas não é verdade já que poucos chegam aos cem. “Meia idade é quando você pára de criticar os mais velhos e começa a criticar os mais novos”, disse um desconhecido. Enquanto isso, para o poeta francês, Victor Hugo, “quarenta anos é a velhice dos jovens; cinquenta anos é a juventude dos velhos”. Uma juventude de cabeça feita que pega no volante para uma viagem mais tranqüila. "Elimine a experiência e o bom senso dos homens de mais de cinquenta anos”, advertiu Henry Ford, “e não sobrará bastante experiência ou bom senso para governar o mundo." Quem sabe foi por isto que o Lula, 64 anos, parou de fumar depois de cinquenta anos. Lá no Oriente Médio onde qualquer faísca pode atear fogo, valeu o sacrifício do nosso presidente, que tenta com a sua experiência sindical apaziguar um conflito de cinco décadas entre judeus e palestinos.

Por isso, dependendo de atitudes, cinqüenta anos ainda podem ser recuperados. Algo parecido com uma história nos Estados Unidos. Dias atrás um funcionário de supermercado encontrou um relógio numa lata de lixo e notou que havia a inscrição "John Iwanacki", com a data 1922-1957 e a assinatura de Henry Ford, no objeto. Procurou na lista telefônica e localizou o nome de Bill Iwanacki, neto do proprietário do relógio. Iwanacki disse que o objeto foi um presente de aposentadoria da "Ford Motor" para seu avô e tinha sido roubado na casa da família em 1959.

Na Bíblia, cinquenta lembra o Pentecostes – festa religiosa da colheita – sete semanas após a Páscoa judaica (Êxodo 23.16). Foi neste dia que o Espírito Santo desceu sobre os discípulos de Jesus (Atos 2) e impulsionou-os na tarefa de lançar a semente do Evangelho para a colheita da nova vida com Deus. Assim este número lembra um monte de coisa boa, porque “o Espírito de Deus produz o amor, a alegria, a paz, a paciência, a delicadeza, a bondade, a fidelidade, a humildade e o domínio próprio” (Gálatas 5.22,23).

Pois se o Jornal NH, nestas cinco décadas, cumpre importante função informando as notícias boas e as ruins com imparcialidade, parabéns ao Grupo Sinos por sua abertura ao segmento religioso, também ao “evangelho” de Cristo – que aliás, significa “boa notícia”. Parabéns pelos cinqüenta, e que Deus continue abençoando a todos deste Jornal.

Marcos Schmidt

Jornal NH de 18 de março de 2010

quinta-feira, 11 de março de 2010

Artigo - A parábola Avatar

Fui com a família assistir o filme Avatar. Junto com a pipoca, refrigerante, estacionamento, deu uns 70 reais. Meio salgado para a maioria. Mas de vez em quando a gente precisa sair da rotina e sentar na poltrona do cinema. Ainda mais quando trata-se de uma super produção que ganhou três Oscars em categorias técnicas - efeitos visuais, fotografia e direção de arte. Foi a primeira vez que coloquei os óculos futurísticos para ver um filme 3D – efeito três dimensões. A ficção científica resume-se numa guerra entre colonizadores humanos e nativos humanoides pelas riquezas naturais num planeta distante. É o ano 2154 no meio de uma crise energética na Terra. A solução é um mineral no planeta Pandora colonizado pelo ser humano. Mas o minério está no território sagrado dos nativos, e como a atmosfera de Pandora é tóxica para os terráqueos, o jeito foi inventar o avatar – uma criação hibrida que mistura ser humano e nativo do planeta. O avatar tinha a missão de espionar e facilitar a expulsão dos nativos. Mas tudo deu errado quando o ser humano Jake, que virou um avatar, “vira a casaca”, e lidera a revolta dos nativos. No final, Jake transforma-se em herói, salvando Pandora dos gananciosos e cruéis seres humanos.
O filme foi acusado nos Estados Unidos de ser propaganda contra o seu governo, onde os vilões são o general, o exército americano e as companhias exploradoras de minério do subsolo. Os heróis são os nativos, o "povo da floresta", que enfrentam o invasor americano. O recado parece ser este mesmo, sobretudo por aquilo que acontece no Iraque. Na verdade, em qualquer filme, novela, livro, sempre existe uma mente que tenta passar alguma mensagem. E dependendo de quem está no outro lado, a mensagem é interpretada de uma forma bem diferente. No meu caso, filtrei o filme na minha concepção teológica. Bem coisa de pastor. E assim criei no meu imaginário um avatar – Jesus Cristo.
Em Filipenses (2.6,7) está escrito: “Ele tinha a natureza de Deus, mas não tentou ficar igual a Deus. Pelo contrário, ele abriu mão de tudo o que era seu e tomou a natureza de servo, tornando-se assim igual aos seres humanos”. Acho que foi o diretor James Cameron que se inspirou em Jesus para escrever e dirigir Avatar. Com algumas diferenças, é claro. Mas as semelhanças são interessantes. Jesus deixa o seu reino, torna-se um “híbrido” Deus-homem, vence e expulsa os inimigos – o general Satanás, o exército da morte com suas armas nocivas, e as companhias exploradoras do subsolo da natureza humana. Se para alguns é pura ficção, mito, isto tem explicação: este também é um filme com efeito tridimensional. Sem os óculos da fé apenas se enxerga as imagens da dimensão material. Por isto Jesus disse: “Mas vocês, como são felizes! Pois os seus olhos vêem” (Mateus 13.16).
Valeu a pena assistir Avatar. Na saída devolvemos os óculos especiais e voltamos a enxergar as batalhas da dimensão terrena – os perigos do trânsito, a violência, o desrespeito, a ganância... Fiquei pensando: - Ah, como seria diferente se todos tivessem os óculos para enxergar a dimensão do amor de Deus. Mas está já é outra batalha...
Marcos Schmidt
Jornal NH de 11 de março de 2010

terça-feira, 2 de março de 2010

Artigo - Preparados para as tragédias

Os chilenos sabiam que este terremoto iria chegar a qualquer hora. Eles moram bem em cima de uma rachadura na Terra – uma placa tectônica – e por isto estavam preparados, tanto que o número de vítimas é pequeno em relação ao tamanho da destruição. Diferente no Haiti, onde a própria situação de caos social em que já se encontrava o país caribenho, junto com o descaso sobre possíveis terremotos, colaborou para os duzentos mil mortos.
No Brasil não precisamos nos preocupar com terremotos. Ao menos é o que dizem. Mas existe o perigo para outras catástrofes naturais. Enchentes, secas, tornados, e até tsunamis – estas terríveis ondas gigantes. Lembro-me do alerta divulgado tempos atrás sobre uma possível onda gigante provocada pelo vulcão Cumbre Vieja nas ilhas Canárias. Se o vulcão entrar em atividade, uma enorme montanha pode deslizar no mar, formando uma onda jamais vista que atingirá três continentes. Os cientistas responsáveis pela notícia recomendam acompanhar o vulcão e emitir sinais de alerta, para que as pessoas possam ser retiradas das áreas de risco e reduzir o número de vítimas. No Brasil a região norte seria atingida por este tsunami.
“Isto nunca vai acontecer”. Esta é uma frase perigosa. Precisamos, ao contrário, estar em prontidão para situações de risco. Pode ser que nunca aconteçam, mas se chegarem, temos uma “defesa civil”, que fará a diferença. Pois, se nesta vida terrena isto é importante, na espiritual é imprescindível. E aí busco um texto oportuno na Bíblia quando o assunto é o terremoto no Chile. Encontra-se no livro de Hebreus: “Naquele tempo a voz de Deus fez com que a terra estremecesse, mas agora ele prometeu isto: ‘Mais uma vez farei com que trema não somente a terra, mas também o céu’. As palavras ‘mais uma vez’ mostram bem que as coisas criadas serão abaladas e mudadas, para que as que não podem ser abaladas continuem como estão. Por isso sejamos agradecidos, pois já recebemos um Reino que não pode ser abalado” (12.26-28).
Pode parecer cruel, mas os terremotos nos dão este recado: o chão em que pisamos um dia vai ruir completa e definitivamente para dar lugar a uma terra onde não tem “terremotos”. Estamos preparados? Creio que o terremoto da Sexta-Feira Santa aponta para o plano de emergência. Narram os Evangelhos que a terra tremeu e as rochas se partiram no momento quando o Filho de Deus morreu no Calvário. Este abalo provocou um resultado parecido com o daquele que livrou Paulo e Silas da prisão. Conta o livro de Atos que “o chão tremeu tanto, que abalou os alicerces da cadeia” (16.26). Foi assim na cruz. Os pilares que sustentavam a prisão do pecado ruíram e Cristo resgatou a todos dos escombros espirituais.
Sem dúvida o terremoto no Chile aponta para este recado do Salvador: “O que eu lhes digo, digo a todos: fiquem vigiando” (Marcos 13.37).
Marcos Schmidt
Jornal NH de 4 de março de 2010