Foto panorâmica da Igreja

Foto panorâmica da Igreja

Evangelho de Lucas 20.27-40

Explicação do teólogo Gerson Linden sobre o Evangelho de Lucas 20.27-40, texto bíblico do culto desta segunda semana de novembro.


Mordomia da Oferta Cristã

Mordomia da Oferta Cristã

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Artigo - Guerra santa

Um leitor desta coluna, reagindo ao que escrevi nos últimos dois artigos, alertou-me: “O religioso deve ser extremamente cuidadoso na abordagem de determinados assuntos, principalmente quando falados em público, ou em meios de comunicação de massa. Pois existem entre as pessoas ditas normais, os fanáticos, os sociopatas, pessoas doentes e aparentemente normais, que podem cometer crimes em nome de Deus”.
Ele tem razão quando a história humana registra tantas atrocidades provocadas principalmente pelas religiões. E se o mundo lembra os vinte anos da queda do muro de Berlim, o começo disto tem um religioso Adolf Hitler que tentou reescrever a Bíblia com o intuito de eliminar as citações à cultura judaica. No entanto, mesmo se o pregador ou outro formador de opinião manter-se cauteloso, qualquer coisa que disser ou escrever pode ser motivo para um louco sentir-se convocado a uma guerra santa. Algo parecido com a barbárie do major americano que matou 13 colegas no Texas. A religião islâmica não incita ao terrorismo, mas caso ele tenha ligação com o Al-Qaeda, encontrou no Alcorão motivo para o ato criminoso. Outro exemplo é a perseguição dos universitários da Uniban contra uma colega. O regimento desta universidade prescreve que é proibido atitudes que “desrespeitam os princípios éticos, a dignidade acadêmica e a moralidade”. Uma regra boa e necessária, mas que pode dar vazão para uma turba linchar qualquer moça com vestido curto.
O apóstolo Paulo confessou: “Eu era tão fanático que persegui a Igreja” (Filipenses 3.6). Obcecado pelo farisaísmo judaico, diz que foi curado do extremismo com a ajuda da fé cristã. Mas o próprio Jesus alertou contra o falso cristianismo: “Tomem cuidado para que ninguém engane vocês. Porque muitos vão aparecer em meu nome” (Mateus 24.4). Pedro, num descuido emocional, cortou fora a orelha do soldado que prendia o seu Mestre. Depois de curar o homem decepado, Jesus deu ao discípulo uma lição que parece esquecida: “Guarda a sua espada, pois quem usa uma espada será morto por uma espada. Você não sabe que, se eu pedisse ajuda ao meu Pai, ele mesmo me mandaria agora mesmo doze exércitos de anjos?” (Mateus 26.52,53).
Diante isto, até onde as “marchas para Jesus” cooperam com o Evangelho, quando Paulo diz que “alguns anunciam Cristo porque são ciumentos e briguentos, mas outros anunciam com boas intenções”? (Filipenses 1.15). Creio que nestes tempos de passeatas, paradas, manifestações, cada qual defendendo ardorosamente as suas idéias, o equilíbrio permanece na recomendação: “O mais importante é que vocês vivam de acordo com o Evangelho de Cristo (...) Porque é Deus quem dá a vitória a vocês” (Filipenses 1.27,28)
Marcos Schmidt
Jornal NH de 12 de novembro de 2009

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Artigo - A sexualidade e a igreja

Meu último artigo, “a homossexualidade e a igreja”, provocou indignação. Um leitor desabafou: “Fica muito difícil para uma pessoa de bem, aceitar que Vossa Senhoria seja um pastor, um religioso e muito menos um cristão”. Outro escreveu: “Pastor, ao invés de impor críticas homofóbicas, deveria pregar a tolerância e o amor fraternal”. São opiniões sinceras, e creio que se estivéssemos frente à frente, haveria um clima de respeito mútuo quando a Constituição diz: “É inviolável a liberdade de consciência e de crença”.
Mas ao sugerir-me que “os religiosos deveriam cuidar em passar a Palavra de Deus e estimular o conhecimento desta, ao invés de se meterem em questões que não lhes dizem respeito”, cabe responder que as Escrituras Sagradas orientam de maneira clara e única com respeito à sexualidade humana. Cumpro, assim, o meu papel. E ao contrário do que diz outro leitor – de que “Deus não se preocupa com práticas sexuais” e o “que interessa é o parecer da consciência” – o apóstolo argumenta: “Alguém vai dizer: ‘Eu posso fazer tudo o que quero’. Pode, sim, mas nem tudo é bom para você (...) Será que vocês não sabem que o corpo de vocês faz parte do corpo de Cristo? (...) Fujam da imoralidade sexual (...) Cada homem deve ter a sua própria esposa, e cada mulher, o seu próprio marido” (capítulos 6 e 7 de 1ª Coríntios).
Obviamente, são orientações para cristãos, e a igreja não pode obrigar ninguém fora dela a seguir suas doutrinas e condutas. Por isto, se o livro sagrado do cristianismo não aceita a homossexualidade (Levíticos 18.22,23; Romanos 1.24,27; 1 Coríntios 6.9,10) e outras práticas sexuais fora do casamento, isto são regras para os que se submetem às letras que julgam ser divinas. Portanto, é uma questão de coerência. Não dá para rasgar páginas da Bíblia e dizer “isto serve e isto não serve”. Qualquer denominação cristã que admitir condutas que ferem o preceito bíblico, pode até contentar a sociedade pós-moderna, mas precisará omitir o adjetivo “Sagrada” da Escritura.
No entanto, ao lembrar o “não cometa adultério”, Jesus frisou: “Mas eu lhes digo: quem olhar para uma mulher e desejar possuí-la, já cometeu adultério no seu coração” (Mateus 5.27,28). Um recado para o “farisaísmo” religioso que gosta de julgar e esquece que todos necessitam do perdão incondicional de Cristo. Desta forma, não tiro a razão deste “preconceito” contra uma igreja humana manchada de hipocrisias e incoerências ao Evangelho de Cristo.
Na verdade, a vida íntima entre o homem e a mulher é tão sublime na Bíblia que é comparada com a própria relação de Jesus com os cristãos. Um amor do Salvador que usa o bisturi da sua Palavra para realizar uma incrível cirurgia plástica na vida das pessoas. E assim "trazer para perto de si a Igreja em toda a sua beleza, pura e perfeita, sem manchas, ou rugas, ou qualquer outro defeito (Efésios 5.27).
Marcos Schmidt
Jornal NH de 5 de novembro de 2009

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Artigo - A homossexualidade e a igreja

Semana passada saiu nos jornais a notícia: “Igreja Luterana da Suécia aprova casamento gay”. Em agosto a Igreja Evangélica Luterana dos Estados Unidos (ELCA) já tinha ido mais longe. Decidiu que homossexuais ativos podem ser sacerdotes desde que "vivam uma relação homossexual duradoura e monógama". No entanto, neste mesmo mês, na conferência do Conselho Luterano Internacional (ILC), 32 igrejas luteranas do mundo (incluindo a Igreja Evangélica Luterana do Brasil à qual faço parte) aproveitaram o encontro para emitir uma declaração. Que a união permanente de um homem e de uma mulher é o lugar onde Deus abençoa a sexualidade humana, e que a homossexualidade em qualquer situação é uma prática contrária a vontade de Deus.
O assunto é polêmico e racha ainda mais o cristianismo. Dias atrás os jornais destacavam o fato de clérigos anglicanos ingressarem na Igreja Católica, contrários a estas inovações em sua igreja. Penso que duas coisas aqui devem ser consideradas – e que estão neste manifesto do Conselho Luterano Internacional. Primeiro: “Declaramos nossa determinação de nos aproximarmos daqueles com inclinação homossexual, com o mais profundo amor cristão possível e cuidado pastoral, em qualquer situação em que eles estejam vivendo. Segundo: “Firmados no testemunho bíblico e mantendo o ensino cristão durante os últimos dois mil anos, continuamos crendo que a prática da homossexualidade – em toda e qualquer situação – viola a vontade do Deus Criador e deve ser reconhecida como pecado”.
Mas daí vem o pessoal da “anti-homofobia”, lei que tramita em Brasília e que tenta punir pessoa ou grupo que se manifestar contrário ao homossexualismo. Daí vêm de rolo compressor a mídia, as novelas, o Ministério da Saúde e do Ensino e toda esta conversa de “isto é preconceito”. E nestas horas igrejas e cristãos, na onda do politicamente correto e de “alianças com Judas”, são levados ao que o Senhor Jesus disse: quem comigo não ajunta espalha (Lucas 11.23). Pois este é o mal que também acontece na igreja, parecido com o que disse Lula: “Se Jesus Cristo viesse para cá, e Judas tivesse a votação num partido qualquer, Jesus teria de chamar Judas para fazer coalizão”.
Longe de nós qualquer tipo de intolerância religiosa. Bem pelo contrário, pois ninguém é melhor do que ninguém. Infidelidade conjugal, desonestidade, mentira, ódio, ganância etc. são iguais em condenação à prática da homossexualidade. Infelizmente no ardor do debate surgem os santinhos da igreja com presunção, hipocrisia e até ódio, um caminho inverso daquele que disse: “Eu vim chamar os pecadores e não os bons”. Afinal, todos precisam ser chamados.
Mas nestas horas é preciso não confundir alhos com bugalhos.
Marcos Schmidt
Jornal NH de 29 de outubro de 2009

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Artigo - Raio-X que mostra tudo

Um aeroporto britânico testou na semana passada uma máquina que permite ver os passageiros sem roupa. É um raio-x de segurança para procurar armas ou explosivos escondidos no corpo de terroristas suicidas. O aparelho mostra qualquer material dentro ou fora do corpo, além do contorno em preto e branco das partes íntimas do passageiro. Mas os responsáveis explicam que as imagens serão vistas apenas por um funcionário, não podem ser arquivadas e serão destruídas logo após o exame.
Esta máquina, que vai deixar muita gente ruborizada, me fez lembrar um texto bíblico: “Pois a Palavra de Deus (...) vai até o lugar mais fundo da alma e do espírito, vai até o íntimo das pessoas e julga os desejos e pensamentos do coração delas. Não há nada que se possa esconder de Deus.” (Hebreus 4.12,13). É a checagem da lei divina que nos deixa “pelados” não do corpo, mas da alma. E que revela as bombas explosivas que todos carregam, descritas por Jesus (Marcos 7.21-23) e pelo apóstolo Paulo (Gálatas 5.19-21).
E na hora da vistoria não sobra um. “Não há ninguém que faça o bem” (Romanos 3.12). Mas sempre aparece um esperto que tenta um jeitinho, tipo o pretensioso jovem milionário com o seu “desde criança eu tenho obedecido a todos os mandamentos” (Marcos 10.20). Jesus não engoliu a santidade do rapaz e fez o último teste: - Bom, se você é santo igual a mim, então pode seguir o meu exemplo, eu que abandonei toda a minha riqueza no reino celestial. Larga todos os seus bens e me siga.
Isto foi um balde d’água fria. O santo de pau oco não conseguia obedecer nem o primeiro mandamento. Foi embora. E Jesus então disse uma coisa que deixa muita gente rica apavorada: – É mais difícil um rico entrar no Reino de Deus do que um camelo passar pelo fundo de uma agulha. O problema, na verdade, não é o dinheiro e sim esta idéia de querer subornar o guarda e tentar passar por fora, sem os olhos deste raio-x. O que é impossível.
– Então, quem é que pode se salvar? A pergunta foi feita pelos espantadíssimos discípulos a Jesus. – Para os seres humanos isso não é possível; mas para Deus é. Pois para Deus tudo é possível (Marcos 10.27), respondeu o Salvador. Pois esta é a fantástica notícia quando a Bíblia mostra o jeito de escapar: se vestir com as qualidades de Cristo (Gálatas 3.27). Jesus é a roupa que esconde as bombas explosivas da natureza humana e o meio para desativá-las. Foi ele mesmo quem disse: Eu sou o check-in do aeroporto para o céu (João 10.9).
Marcos Schmidt
Jornal NH de 22 de outubro de 2009

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Artigo - Professor honrado e feliz

Um decreto federal de 1963 explica a razão para o feriado deste 15 de outubro: "Para comemorar condignamente o Dia do Professor, os estabelecimentos de ensino promoverão solenidades em que se enalteça a função do mestre na sociedade moderna, fazendo participar os alunos e as famílias". Isto é do tempo em que professor mandava no aluno e era respeitado. Havia educação na sala de aula porque ela vinha de casa. Hoje professor virou guarda de trânsito e as regras pouco resolvem. Mas então qual o jeito para enaltecer a função do professor quando a maior honra é o respeito na sala de aula?
Será que é seguindo o exemplo de um projeto de lei na Câmara de Vereadores de Porto Alegre? A lei permite que os guardas municipais fiquem escondidos com o radar móvel para multar os motoristas infratores. Mas um especialista em trânsito diz que “a função dos agentes de trânsito deve ser educativa e não punitiva”. Creio que o mesmo vale para o professor. Além do mais, “pardais” de tocaia, câmeras de vigilância resolvem apenas um problema localizado e momentâneo e deixam um rastro de desconfiança, desconforto e insatisfação.
Creio que o caminho para enaltecer o professor segue o mesmo princípio de uma recomendação bíblica que diz respeito àqueles que ensinam a Palavra de Deus. Lemos na carta aos Hebreus: “Obedeçam aos seus líderes e sigam as suas ordens, pois eles cuidam sempre das necessidades espirituais de vocês porque sabem que vão prestar contas disso a Deus. Se vocês obedecerem, eles farão o trabalho com alegria; mas se vocês não obedecerem, eles trabalharão com tristeza, e isso não ajudará vocês em nada” (13.17). Não é por nada que os sacerdotes da escola estão desanimados, tristes. E quem perde é toda uma sociedade que depende de bons cidadãos. A conseqüência é esta falta de educação no trânsito e na sociedade em geral. Um problema que vem da escola, que vem de professores desanimados. Um problema que começa mesmo em casa, porque professor existe para ensinar e não para educar.
Por isto nada resolve encher as escolas com câmeras e transformar os professores em policiais se quisermos mestres que ensinem com alegria e entusiasmo, e filhos preparados para a vida profissional e social. Aliás, o próprio Mestre Jesus necessitou de discípulos que o amassem para que a lição do reino de Deus fosse aprendida. E depois de honrado, não teve receio de se rebaixar lavando os pés deles. “Se eu, o Senhor e o Mestre, lavei os pés de vocês”, então façam o mesmo, lembra o Salvador (João 13.14). No final, a melhor educação é a humildade em aprender.
Marcos Schmidt
Jornal NH de 15 de outubro de 2009