Foto panorâmica da Igreja

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Evangelho de Lucas 20.27-40

Explicação do teólogo Gerson Linden sobre o Evangelho de Lucas 20.27-40, texto bíblico do culto desta segunda semana de novembro.


Mordomia da Oferta Cristã

Mordomia da Oferta Cristã

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Semanal 175 – 7 a 13 de agosto de 2008

Cultos – 13º Domingo após Pentecostes
Tema: Ouçamos a súplica de socorro
Textos: Sl 67; Is 56.1,6-8; Rm 11.13-15,29-32; Mt 15.21-28.
Mensagem: O Evangelho deste final de semana apresenta uma mulher que, além de pagã, pertencia a um povo inimigo de Israel, conforme registra o Antigo Testamento. Ela pede socorro pela filha que sofre, e pede no lugar certo: Jesus. Estamos lembrando o Dia dos Pais e este texto deve animá-los a rogar por seus filhos que também sofrem. Além de pedir por eles, os pais precisam estar dispostos a ouvir a súplica de socorro dos filhos e marcar presença nos seus sofrimentos. (pastor Figur)
Lembretes
FESTIVAL DE COROS – No dia 16 de agosto, sábado, 19h, acontece no Seminário Concórdia de São Leopoldo o Festival de Coros. A entrada é franca e todos bem-vindos.
CHÁ DAS ASAS – Também neste mesmo dia e local do Festival de Coros, as 16h, as Amigas dos alunos do Seminário, promovem um chá ao preço de 7 reais.
NOVA TURMA – A nova turma – 1º Ano – da instrução de confirmandos inicia as aulas, junto com o 2º Ano neste 1º de Agosto, turma A as 8h e turma B as 14h. Crianças com 11 anos (entre agosto/2008 à julho/2009) estão aptas para o ensino confirmatório.
INSTRUÇÃO DE ADULTOS – Neste segundo semestre começa uma nova turma de Instrução de Adultos, para aqueles que desejam entrar na IELB através da congregação São Paulo e participar da Santa Ceia. Informações e inscrições na Secretaria.
PASTOR WINTERLE – No dia 22 de agosto, sexta-feira, 20h, o pastor Carlos Winterle fará uma palestra nas dependências da nossa igreja. O tema será sobre o seu trabalho missionário em Nairobi, Quênia. Pastor Winterle, que foi presidente da IELB, estará no Brasil neste mês de agosto também angariando fundos para este trabalho na África. Serão entregues envelopes em nossa congregação para as ofertas voluntárias.
BÍBLIA MANUSCRITA – Nos dias 14 a 21 de agosto vai estar na secretaria e nos cultos da nossa congregação a “Bíblia Manuscrita”. Detalhes nos cultos...
FEIRA DO LIVRO – A Livraria Pesquisa – com amplo material cristão e da Editora Concórdia, está presente na Feira do Livro na Praça Vinte.

Artigo - Pai peixe, pai cobra

- Qual é o pai capaz de dar uma cobra ao seu filho quando ele pede um peixe? Esta pergunta de Jesus (Lucas 11.11) é oportuna quando não sabemos mais o que é cobra e o que é peixe. Por exemplo, dias atrás meu guri de oito anos pediu o videogame GTA. Depois de descobrir do que se tratava, expliquei para ele que tem violência e pornografia, e ele teria que escolher outro. Resmungou, insistiu, afinal, muitos amiguinhos dele já tinham o jogo. Mas a resposta permaneceu com o “não”. Pois agora leio uma notícia que me deixa abismado: Adolescente mata taxista ao imitar videogame GTA. Um tailandês de 18 anos confessou à polícia que queria saber se roubar e matar era tão fácil como no jogo. Que coisa absurda! É duro dizer isto, mas nós estamos transformando nossas crianças em “monstros assassinos”.
Jesus usa os símbolos “cobra e peixe” para dizer que neste mundo cheio de porcaria e também de coisa boa, cabe aos pais saber a diferença. Diz isto depois de ensinar a oração do Pai Nosso com petições que englobam tudo aquilo que é necessário para o espírito e para o corpo. Por isto insiste: Vocês, mesmo sendo maus, sabem dar coisas boas aos seus filhos. Quanto mais o Pai, que está no céu, dará o Espírito Santo aos que lhe pedirem (Lucas 11.13). Jesus insiste, porque este é o único caminho para distinguir cobra e peixe, o Espírito de Deus que atua através das Escrituras Sagradas.
Creio que o problema começa por aí, com esta juventude descompromissada com os valores da vida, refugiada nas drogas, viciada em videogame e internet, metida na violência, consumista em relacionamentos descartáveis. Um problema que está no coração de uma sociedade que não sabe dizer “Pai nosso que está nos céus”, e por isto sem peixe para dar aos filhos. A palavra “peixe” em grego é ichthys, um acróstico de “Iesous Christós Theoú Hyiós Soter”, cuja tradução é “Jesus Cristo Filho de Deus Salvador”. Peixe é um símbolo que os primeiros cristãos usavam para confirmar a sua fé. Enquanto isto, a cobra simboliza o Diabo, que expeliu o pecado no próprio Cristo – uma permissão de Deus a fim de transformar o veneno em antídoto, assim como acontece nos cavalos que fabricam a vacina contra a picada de uma serpente. Uma história de salvação que começa em Gênesis 3.15, e que me faz lembrar aquele bebê que mordeu e matou uma cobra venenosa. Foi em Minas Gerais dias atrás, quando uma criança de nove meses, com três dentinhos, conseguiu esmagar a cabeça de uma serpente e sobreviver. Um fato curioso, mas que também simboliza o esforço dos filhos desamparados e sobreviventes nesta selva de pais omissos.
Filho de peixe, peixinho é. Ou, filho de cobra, cobrinha é. Por isto a Bíblia diz: No caminho dos maus existem armadilhas e dificuldades; quem dá valor à vida se afasta deles. Eduque a criança no caminho em que deve andar e até o fim da vida não se desviará dele (Provérbios 22.5,6).
Marcos Schmidt
Jornal NH de 07 de agosto de 2008

sábado, 2 de agosto de 2008

Artigo - Boicote às Olimpíadas

Por ser um espetáculo dedicado aos deuses da Grécia antiga, o imperador cristão Teodósio I, no ano 393, proibiu os Jogos Olímpicos. Conta a história que os atletas sacrificavam porcos aos deuses e participavam nus nas provas para cultuar a estética do corpo. Em parte, os jogos modernos permanecem enaltecendo o “espírito de porco” da humanidade, coroados no altar da soberba humana. Todos sabem da opressão que enfrenta o povo chinês para erguer o seu império e agora a estrutura extravagante da Olimpíada. Truculência que é comprovada no choro dos chinesinhos confiscados de suas famílias para centros de treinamento esportivo – tudo na obsessão de ganhar medalhas. Na verdade, a festa esportiva que simboliza a harmonia entre as nações está comprometida por uma cínica guerra de poder e vaidade, algo parecido com o jogo de interesses econômicos que derrubou o acordo na Rodada de Doha.
Muitos estão rejeitando a Olimpíada de Pequim por causa da opressão no Tibete. O canetaço de Teodósio que acabou com os jogos da antiguidade, seguido por todo o imperialismo da igreja na guerra santa contra o paganismo, no entanto, trouxe mais prejuízo que benefícios. Os números negativos estão no vermelho do próprio sangue, registrados na história das Cruzadas. Já no início do cristianismo o apóstolo Paulo foi contra o boicote, e por isto criticado por conviver junto aos gregos. Ficou incomodado ao ver a cidade de Atenas tão cheia de ídolos, mas foi isto mesmo que motivou a entrar no Areópago (a colina de Ares – deus da guerra) e pregar o Evangelho: - Atenienses, este altar onde está escrito “Ao deus desconhecido” é justamente aquele que eu estou anunciando. Não devemos pensar que Deus é parecido com um ídolo de ouro, de prata ou de pedra, feito pela arte ou habilidade das pessoas (Atos 17.23, 29). O resultado final foi a conversão de vários gregos e o surgimento de muitas igrejas locais.
E para deixar a hipocrisia de lado, o boicote precisa ser de tolerância zero. Porque é do coração que vêm o orgulho e todas as maldades (Marcos 7.20-23). Mas aí a coisa complica. E pensando nesta mania de querer competir e vencer, coisa que existe até na própria igreja, vejo que é um sentimento oriundo do Criador. Se não fosse a perversa natureza humana, seria útil para o serviço do bem e não para o prejuízo do próximo. Referindo-se à nova natureza criada pelo Espírito Santo, o apóstolo Paulo faz comparação: “O atleta que toma parte numa corrida não recebe o prêmio se não obedecer às regras da competição”. E no final recomenda: “Faça todo o possível para conseguir a completa aprovação de Deus” (2 Timóteo 2.5,15).
Num mundo competitivo como o nosso, onde vencer significa derrubar e passar por cima, o único boicote deve ser à prepotência. Ou como diz a Bíblia: Não procurem dominar as pessoas, mas prestem serviços e sejam humildes. Assim receberão a coroa gloriosa que nunca perde o seu brilho (1 Pedro 5.3-7).
Marcos Schmidt
Jornal NH de 31 de julho de 2008

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Artigo - A contracultura do palavrão

Dercy Gonçalves era conhecida pelos palavrões. Nas entrevistas que dava na televisão, a gente só ouvia os “biiiiiii” da censura editorial. “O palavrão é o meu ganha pão”, respondeu a um repórter. Referindo-se ao seu palavreado obsceno, um crítico a defende: “Falar mal dela por causa dos palavrões é ridículo, pois o palavrão para ela era uma coisa pura, não tinha nada de negativo”. Não quero falar mal dela, mas permitam-me discordar desta idéia de “coisa pura” e de toda a reverência da mídia brasileira para a irreverência da Dercy. Creio que o exemplo dela fica por conta da sua coragem, ousadia e perseverança - disposição que falta em muita gente que desiste no meio do caminho. Mas não acredito que o riso e a diversão necessitem da obscenidade, e por isto não reconheço neste modo uma lição de vida.
A notoriedade desta divertida e desbocada mulher centenária tem explicação. A própria Dercy revelou: estratégia de público. E qual a explicação para o gosto popular por este tipo de diversão? Li na Superinteressante que existe uma resposta científica para o palavrão. Segundo a última edição de fevereiro, pesquisas recentes mostram que as palavras sujas nascem em um mundo à parte dentro do cérebro. Enquanto a linguagem comum e o pensamento consciente ficam a cargo da parte mais sofisticada da massa cinzenta, os palavrões moram nos porões da cabeça. É o fundo do cérebro, a parte que controla nossas emoções.
Isto tem sentido, afinal, quem já não soltou o verbo em momentos quando as emoções negativas escaparam do controle? Dizem que isto ajuda como terapia. Como, por exemplo, ir ao estádio de futebol, xingar a mãe do juiz e meio mundo e depois voltar tranqüilinho para casa. Mas será que esta é a melhor forma de colocar os bichos para fora? Creio que não! Na biografia Dercy de Cabo a Rabo, a própria autora comenta que entre quatro paredes a comediante era uma pessoa muito triste e solitária. Na verdade, a gente fala o que está cheio o coração. Assisti uma entrevista onde o repórter, diante do túmulo dela em forma de pirâmide, indagava sobre as esperanças após a morte. Ela respondeu que “céu e inferno” era aqui mesmo, e depois a gente se transformava numa energia cósmica. Deve ser a pior coisa do mundo, partir sem ter a certeza de continuar existindo. A vida aqui se torna o pior palavrão.
Nestes tempos quando tudo é motivo para piada e deboche, a Bíblia fala de algo bem sério: Vejam como uma grande floresta pode ser incendiada por uma pequena chama. A língua é um fogo. Ela é um mundo de maldade, ocupa o seu lugar no nosso corpo e espalha o mal em todo o nosso ser (Tiago 3.5,6). Por isto ela recomenda: Usem apenas palavras boas, que ajudam os outros a crescer na fé e a conseguir o que necessitam, para que as coisas que vocês dizem façam bem aos que ouvem (...) Nada de gritarias, insultos e maldades (...) Não usem palavras indecentes, nem digam coisas tolas ou sujas, pois isso não convém a vocês (Efésios 4.29,30; 5.4). Que as suas palavras sejam sempre agradáveis e de bom gosto (Colossenses 4.6).
Mas pelo jeito como as coisas andam, contracultura hoje é a linguagem descente.
Marcos Schmidt
Jornal NH de 24 de julho de 2008

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Artigo - Algemas douradas

O “prende e solta” do bilionário Daniel Dantas me fez lembrar a Epístola de Tiago (2.1-4): “Nunca tratem as pessoas de modo diferente por causa da aparência delas. Por exemplo, entra na reunião de vocês um homem com anéis de ouro e bem vestido, e entra também outro, pobre e vestindo roupas velhas. Digamos que vocês tratam melhor o que está bem vestido e dizem: ‘Este é o melhor lugar; sente-se aqui’, mas dizem ao pobre: ‘Fique de pé’ ou ‘Sente-se aí no chão, perto dos meus pés’. Neste caso vocês estão fazendo diferença entre vocês mesmos e estão se baseando em maus motivos para julgar o valor dos outros”.
Se isto é comum dentro da própria igreja, não é nenhuma surpresa o que acontece nesta sociedade que julga pressionada pelos cifrões. Por exemplo, metade dos presos no Brasil espera decisão semelhante a esta que Dantas recebeu do presidente do Supremo Tribunal Federal. Por que um banqueiro em menos de cinco horas é libertado e um “ladrão de galinha” apodrece na cadeia por meses esperando julgamento? E o lamentável é que tal parcialidade em tratar com deferência ricos e pobres é uma peste que atinge todos, crentes e descrentes. Os vigaristas sabem disto. Apresentam-se bem trajados e enganam empresários inteligentes, mulheres carentes, aposentados desavisados. Histórias não faltam! Por que? Porque as aparências enganam.
Isto é coisa antiga. Já percebia o Sábio da Bíblia: Neste mundo eu também reparei o seguinte: no lugar onde deviam estar a justiça e o direito, o que a gente encontra é a maldade (Eclesiastes 3.16). Por isto o irônico conselho (que o delegado que prendeu Dantas não ouviu): Não critique o homem rico nem mesmo dentro do seu próprio quarto, pois um passarinho poderia ir contar a eles o que você disse (Eclesiastes 10.20). E por isto também a hipócrita realidade: Os ricos arranjam muitos amigos, mas o pobre não consegue nem conservar os poucos que tem (...) Se o pobre é desprezado até pelos seus próprios irmãos, não é de admirar que os seus amigos se afastem dele (Provérbios 19.4, 7).
Evidentemente que ser rico não é nenhum pecado. O erro é a idolatria, a cobiça. É a origem iníqua da fortuna – algo corriqueiro em nosso país. É o tratamento desigual entre os que têm e os que não têm. Ou a insensibilidade dos ricos honestos para com o infortúnio dos miseráveis. O erro é a própria disparidade social da concentração de renda, ou seja, ricos aviltantemente ricos e pobres miseravelmente pobres. Por isto a condenação do profeta já naquela época: Vocês maltratam as pessoas honestas, aceitam dinheiro para torcer a justiça e não respeitam os direitos dos pobres. Não admira que num tempo mau como este as pessoas que têm juízo fiquem de boca fechada (...) Façam com que os direitos de todos sejam respeitados nos tribunais. Talvez o Senhor, o Deus Todo-Poderoso tenha compaixão das pessoas do seu povo que escaparem da destruição (Amós 5.12-15).
O evangelista conta que o abonado e desonesto Zaqueu, depois de arrepender-se e crer no Filho de Deus, fez uma promessa: Eu vou dar a metade dos meus bens aos pobres. E, se roubei alguém, vou devolver quatro vezes mais (Lucas 19.8). Imaginem se a metade dos milionários desonestos deste país seguisse o exemplo de Zaqueu? Estaria resolvida grande parte da corrupção e da pobreza nesta terra das algemas douradas.
Marcos Schmidt
Jornal NH de 17 de julho de 2008