Foto panorâmica da Igreja

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Evangelho de Lucas 20.27-40

Explicação do teólogo Gerson Linden sobre o Evangelho de Lucas 20.27-40, texto bíblico do culto desta segunda semana de novembro.


Mordomia da Oferta Cristã

Mordomia da Oferta Cristã

sexta-feira, 22 de setembro de 2006

Artigo - Manias e Loucuras

Ninguém escapa de manias. Ou como se diz: de louco todos temos um pouco. A questão, por isto, é tomar cuidado para não ultrapassar a linha da normalidade. Caso contrário, o fim pode ser um manicômio ou até mesmo uma cela de prisão. Pensando bem, tem gente metida na política que já ultrapassou esta linha e com jeito de sociopata - doente da cabeça que despreza as obrigações sociais e os sentimentos dos outros.
Parece que as manias estão aumentando. Tem até nome – Transtorno Obsessivo Compulsivo. O TOC, conforme explicam os entendidos, “se caracteriza basicamente pela repetição de gestos, rituais, pensamentos e atividades que a pessoa sabe que não têm sentido, mas que não consegue evitar. Se não executá-los passa por uma ansiedade brutal ou acha que poderá acontecer algo de ruim para si ou para outras pessoas”.
Um tipo comum é a mania de limpeza. O filme “Melhor Impossível”, com Jack Nicholson, trata da questão e é recomendado para os que sofrem do problema. Tudo indica que esta era a loucura dos fariseus no tempo de Jesus. Estes doutores da lei tinham transformado a sua religião num enorme tapete. Para debaixo dele varreram a falta de amor ao próximo – o verdadeiro cumprimento dos mandamentos que tanto se orgulhavam em seguir (Lucas 11.41). No Evangelho de Marcos, capítulo 7, percebe-se um clássico caso desta doença: “Por que é que os seus discípulos não obedecem aos ensinamentos dos antigos e comem sem lavar as mãos?” Tal crítica a Jesus ia além da obsessão por uma higiene do corpo. Eles lavavam as mãos, copos, pratos e objetos porque acreditavam que tudo estava contaminado espiritualmente pelas pessoas que não pertenciam ao povo deles.
Se de louco todos temos um pouco, então não ficamos longe dos fariseus. E por uma razão bem simples e explicada por Jesus: É de dentro, do coração, que vêm os maus pensamentos, a imoralidade sexual, os roubos, os crimes de morte, os adultérios, a avareza, as maldades, as mentiras, a inveja, a calúnia, o orgulho e o falar e agir sem pensar nas conseqüências. Tudo isto vem de dentro e faz com que as pessoas fiquem impuras (Marcos 7.21-23).
Qual a mania que tenta nos agarrar? A da limpeza, do consumo, do trabalho, do sexo, da comida, da bebida, da desonestidade, da superstição, da inveja, do ciúme, da fofoca, da mentira? Que ninguém se engane, todos têm alguma queda. A Bíblia confirma: Se dizemos que não temos pecados, estamos nos enganando e não há verdade em nós (1 João 1.8). É por isto também que aponta para a cura: Os seus corações e as suas mentes devem ser completamente renovados. Vistam-se com essa nova natureza que Deus criou (Efésios 4.23,24).
Para os fariseus Jesus foi bem sincero: - Vocês são uns hipócritas e os seus rituais de culto não têm nenhuma serventia. Eles precisavam recolher o tapetão e toda a sujeira debaixo dele. Mas preferiram viver na mentira. Mais tarde o fariseu Saulo se deu conta e confessou: Eu era um maníaco, um fanático. Mas joguei tudo fora como se fosse lixo, a fim de poder ganhar a Cristo (Filipenses 3.6,8).
A vida, com certeza, é uma loucura e as manias estão por aí. Foi por isto mesmo que Jesus respondeu aos que se achavam bons da cabeça e do coração: Os que têm saúde não precisam de médico, mas sim os doentes. Eu vim para chamar os pecadores e não os bons (Marcos 2.17).
Marcos Schmidt

Artigo - Multa e Guincho

No último dia 4 a Polícia Rodoviária Estadual me atacou no posto de Sapiranga. Através de uma câmara filmou a placa do carro, e o computador revelou a irregularidade: o meu seguro obrigatório estava vencido. Expliquei ao policial que tinha pago o IPVA meio ano adiantado e o seguro foi esquecido no meio de tantas contas. Mas o homem da lei cumpriu as ordens do sistema. Além da multa, o carro foi guinchado logo depois. Lá estava eu, na noite mais fria do ano no acostamento da estrada, com minha esposa, meus dois filhos pequenos e a sobrinha. E meu sogro mal no hospital. Atrás de mim outros veículos. Uma família humilde acompanhada de um casal idoso não pode seguir para o velório. Depois de conseguir uma carona de volta para casa, pensei nas dezenas de pessoas que passaram por esta situação. E pior, longe de casa. No outro dia, arrumando dinheiro e a papelada, mais surpresas. Sem os documentos que o Detran envia pelo correio, não podia retirar o carro dirigindo. Enquanto isto as diárias no depósito do guincho eram acrescidas junto à conta. Assim, tive que pagar outra vez o guincho. Resumo da história: estou buscando a lei para defender meus direitos. Não cometi nenhum crime, apenas atrasei uma conta. Ora, se deixo de pagar uma prestação do fogão, o vendedor pode tirá-lo de mim? Cobrar multa duas vezes o valor da prestação? Mais duzentos reais de frete de um produto que mesmo posso transportar? Diárias do depósito até obter o recibo que eles enviam pelo correio? E deixar toda a minha família sem comida?
Sempre ensinei que devemos obedecer as autoridades porque elas estão a serviço de Deus para o nosso bem. É o que recomenda a Bíblia: Paguem todos os seus impostos e respeitem e honrem todas as autoridades (Romanos 13.7). Mas o texto sagrado também diz que “quando o governo cobra impostos demais, a nação acaba na desgraça” (Provérbios 29.4). Quase a metade dos nossos ganhos é para o governo. Não é por nada toda esta inadimplência e quebra-quebra. No tempo bíblico os governantes de Israel ouviram o recado: Vocês exploram os pobres e cobram impostos injustos das suas colheitas. Vocês maltratam as pessoas honestas. Procurem fazer o que é certo e não o que é errado” (Amós 5). Segundo o presidente do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário, a carga tributária no país poderia ser um terço menor do que é hoje, bastando aplicar melhor o dinheiro público e acabando com a corrupção – 32% de toda a arrecadação de impostos são desviados.
Na verdade precisamos do governo e da polícia bem aparelhada. E isto não acontece sem os impostos. Agora mesmo, os policiais estão cuidando da nossa segurança na RS-239, junto ao viaduto do bairro São Jorge em Novo Hamburgo. Sem dúvida, no meio desta violência, cada vez mais urge um poder público preocupado e atento com o nosso bem estar físico. E somente os que fazem o mal devem ter medo dos governantes, e não os que fazem o bem (Romanos 13.3).
Este protesto é feito com todo o respeito. E não em causa própria, mas por aqueles que, na maioria, não têm voz nem vez. Afinal, quem não comete injustiças? É por isto mesmo o recado do apóstolo aos detentores da disciplina, depois de lembrar o quarto mandamento: Pais, não tratem os seus filhos de um jeito com que eles fiquem irritados (Efésios 6.4).
Marcos Schmidt

sexta-feira, 8 de setembro de 2006

Artigo - Já raiou a liberdade

Nesta semana escutei de um carro de som: - “Você lembra em quem votou na última vez para deputado? Não? Não esquenta, ele também não lembra de você!”. Pior que é verdade, a gente esquece em quem votou e até nem lembra porque hoje é feriado. Mas, lembrar mesmo para quê? É que todos estamos desiludidos, desmotivados. O que adianta saber em quem votei se ele é um sanguessuga? O que adianta conhecer a história do Sete de Setembro se hoje quem precisa de independência sou eu, que morre com todos os impostos que pago para um governo que faz do Piratini e de Brasília um longínquo Portugal? Sem dúvida, estamos todos “até aqui” com estes personagens que ficam gritando e prometendo coisas na frente de riachos. Afinal, eles estão com a independência da honra e nós sob a morte do descaso.
Mas hoje é sete de setembro. Dia de lembrar o legado de Dom Pedro I que bradou: "Viva a independência e a separação do Brasil. Pelo meu sangue, pela minha honra, pelo meu Deus, juro promover a liberdade do Brasil. Independência ou morte!". Dia de cantar: Brava gente brasileira! Longe vá temor servil Ou ficar a Pátria livre ou morrer pelo Brasil. E se a liberdade veio sem guerra e sangue, esta é a maior bênção que desfrutamos hoje, uma democracia que apesar de tudo oferece as letras da Constituição em vez do fio da espada.
Mas aí surge a terrível amnésia. Esquecemos da nossa cidadania. Em vez de subir no cavalo e gritar, nos acomodamos na morte da omissão, do “deixa pra lá que isto nunca vai mudar”. Esquecemos que o poder emana do povo e em quem votamos. Algo parecido na vida cristã e combatido pelo apóstolo Paulo. Ele sacode a memória e diz que “nós somos cidadãos dos céus” (Filipenses 3.20). O termo “cidadão” no original grego do Novo Testamento é politeuma, e significa “usufruir por completo todos os direitos da cidadania”. Politeuma não é termo passivo. Não é sentar-se, contemplando as belezas e orgulhando-se de seus direitos. É termo ativo e expressa uma condição de responsabilidade. Paulo, além de judeu, era um polites, um cidadão do Império Romano. Várias vezes buscou seus direitos para escapar da injusta perseguição que o império promovia contra os cristãos. Estava preso em Roma ao escrever que “nós somos cidadãos do céu e estamos esperando ansiosamente o nosso Salvador, o Senhor Jesus”. Aqui ele recorre ao significado do status político que ainda o mantinha são e salvo a fim de lembrar os cristãos da condição política celestial deles.
É por isto que Paulo diz no início desta carta: vivam de acordo com o evangelho de Cristo (Filipenses 1.27). “Vivam” no original da Bíblia é precisamente politeuesthe. A tradução adequada seria: sejam politicamente corretos neste mundo de acordo com o evangelho de Cristo. Lembrando assim que o cristão tem duas cidadanias, a terrena e a celestial. Uma dupla responsabilidade que o próprio Jesus lembrou ao dizer: daí a César o que é de César e a Deus o que é de Deus.
Na verdade este feriado lembra que não devemos ser uns alienados. Panacas, seria a palavra. Mesmo quando nossa politeuma é o privilégio de servir (Filipenses 1.29), permanece a luta de continuar gritando “independência ou morte”. Afinal, tanto aqui em baixo como lá em cima, é bom nunca esquecer em quem votamos e confiamos. Não é assim que cantamos? Brava gente brasileira! Longe vá temor servil! Ou ficar a Pátria livre ou morrer pelo Brasil!
Marcos Schmidt (Jornal NH - 7 de setembro de2006)

quinta-feira, 31 de agosto de 2006

Semanal 74 - 31 de Agosto a 6 de Setembro de 2006

Cultos - 13° Domingo Após Pentecostes
TEMA:
Jesus é o verdadeiro alimento sem prazo de validade.
Leituras: Sl 34.9-14; Pv 9.1-6; Ef 5.15-20; Jo 6.51-58.
Louvai ao Senhor (Sábado): 144, 58, 48, 76, 70, 165.
Hinário Luterano (Domingo): 155, 274, 266, 210, 308.
Resumo da Mensagem: Estamos acostumados a ir ao supermercado e verificar o prazo de validade das coisas que compramos. Observamos principalmente a validade de comidas e bebidas. Não queremos comer nem beber algo estragado e ter um mal estar. Mas, mesmo o melhor alimento não nos garante que, um dia, não iremos passar mal e até mesmo morrer. Jesus oferece o alimento sem prazo de validade, e melhor: não só o alimento não estraga como, também, quem “ingere” este alimento vive para sempre. Estamos falando do próprio Jesus, o único e verdadeiro alimento que é perfeito e dá a vida eterna. (pastor Ezequiel)
Programação da Congregação
A BÍBLIA QUE GUIA E LIBERTA – Este é o tema do estudo na Instrução de Adultos, que acontece nesta terça-feira, 05/09, 20h, no Lar da Comunidade. Estas reuniões, em todas as terças, são para aqueles que desejam ser membros da igreja, e também para todos os que querem relembrar e crescer nas doutrinas cristãs. Qualquer dúvida, fale com o pastor Marcos.
71 ANOS DAS SERVAS – Neste culto do aniversário do Departamento das Servas, 03/09, 8h30, as mulheres da congregação estão convidadas para uma oferta especial. O objetivo é a reforma externa da igreja.
DIRETORIA E LIDERANÇA – Neste 6 de setembro, 20h, quarta-feira, a liderança dos departamentos e grupos da congregação se reúne com a Diretoria. A reunião da Diretoria começa antes, às 18h30. O local do encontro é no Lar.
LÍDERES DO PEM – Os líderes leigos e interessados dos pequenos grupos do PEM fazem sua reunião no próximo dia 13 de setembro, 20h, na igreja.
SERVAS GUARANI – As Servas Guarani tem sua reunião antecipada para este 6 de setembro, 14h30, na casa de Loni Sperb Pacheco, Rua Cândido Figueiredo, 181, Guarani, fone 35937391.
MINI BIBLIOTECA – São vários títulos a sua disposição nos fundos da igreja. Pegue alguma obra e após uma semana de uso retorne-a. Bom proveito (Mauri R. Schmidt – Agente de Literatura)
ASSINE O MENSAGEIRO LUTERANO – Revista mensal de nossa igreja. Sua assinatura custa R$ 35,00 por ano. Também uma boa opção para ser exposta na sala de recepção do seu trabalho. Pegue o cupom na saída.
SOM e PROJETOR – Já estão em uso a sonorização do templo e o projetor data-show com note-book. Os custos, em torno de 18 mil reais, provém de oferta de uma família da congregação.
VISITA DO PASTOR – Se você quer agendar uma visita do pastor em sua casa, entre em contato com ele. Lembramos que dos três pastores da congregação, um é responsável por este atendimento em seu bairro. Qualquer dúvida, fale com a secretária. Os telefones estão no cabeçalho deste informativo.

Artigo - Maldita Confusão

Desde o último dia 11 de agosto vigora no município de Entre-Ijuís, RS, uma lei que obriga os alunos do Ensino Fundamental a lerem trechos bíblicos no início das aulas. O vereador, autor da lei, ficou assustado com a repercussão negativa. Numa entrevista disse que queria ajudar a fortalecer e despertar a fé nas crianças. No entanto, o legislador esqueceu - ou não sabe - do sábio Artigo 5º da Constituição brasileira, que nos oferece liberdade de culto e credo religioso.
Ignorância ou má intenção, isto é apenas um exemplo deste grave problema já mencionado aqui - desta mistura de fé e política, sobretudo quando religiosos obrigam seus adeptos a votarem neles e depois, eleitos, forçam os cidadãos públicos com regras que não têm nada com a ordem política. É oportuno então lembrar os inteligentes comentários de Lutero (1483-1546) a respeito:
- Se, pois, teu príncipe ou senhor temporal te ordenar que creias isto ou aquilo, ou se te ordenar entregar livros, deves dizer-lhe: Amado senhor, é meu dever obedecer-vos com corpo e bens. Dai-me ordens na medida do vosso poder na terra, e obedecerei. Contudo, se me ordenais crer e entregar livros, não obedecerei. Pois neste caso sois tirano e vos excedeis. Dais ordens onde não tendes nem direito nem poder (Da Autoridade Secular, Obras Selecionadas de Martinho Lutero, volume 6, p.103).
Dias atrás assisti no horário eleitoral um candidato que se intitulava “pastor e delegado de polícia”. Fiquei pensando, de que maneira alguém pode ser estas duas coisas ao mesmo tempo? E agora ele quer ser deputado? Lutero viveu esta confusão de igreja com política em seu tempo, e por isto mesmo alertou:
- Os pastores hão de abandonar a palavra de Deus e não governarão as almas com ela. Confiam esse dever aos príncipes seculares, para que esses o executem pela espada. Por outro lado, os príncipes temporais hão de tolerar, ou praticarão eles mesmos, usura, roubo, adultério e outras coisas más, para depois mandarem os pastores castigar essas coisas com bulas e excomunhão, invertendo, dessa forma, maravilhosamente o sapato: as almas governam-nas com ferro, e o corpo, com cartas, de modo que os príncipes temporais governam espiritualmente, e os príncipes espirituais, temporalmente (p.104).
Sem dúvida, o que o reformador aconselhou naquele tempo precisa ser analisado neste contexto político e religioso em que se vive, ou então ainda seremos governados por um bispo e nossas assembléias legislativas minadas de fundamentalismo. E daí Lutero tem uma profecia: Uma coisa conseguirão com essa inteligência maravilhosa, quebrarão o pescoço e lançarão o país e o povo em desgraça e miséria (p.105).
Na verdade, é preciso sim, cristãos que assumam cargos públicos e que sejam luz no meio das trevas em que nossa política sobrevive. E para tais pretendentes, o teólogo alemão diz algo que deveria ser a primeira promessa de campanha:
- Aquele que quiser ser príncipe cristão tem que, realmente desistir da idéia de querer governar com violência. Pois maldita e condenada é toda a vida que se vive e busca em benefício próprio. Malditas todas as obras não inspiradas pelo amor. Elas se inspiram no amor quando não se deixam guiar pelo prazer, proveito, honra, comodidade e salvação da própria pessoa, mas quando procuram, de todo o coração, o proveito, honra e salvação de outros (p.106).
Que se tenha esta sabedoria, política pra cá, religião pra lá, mesmo quando não se vive sem as duas.
Marcos Schmidt (Jornal NH - 31 de Agosto de 2006)